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Diabetes gestacional aumenta calcificação da artéria coronária em longo prazo, independentemente do controle glicêmico pós-parto

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O diabetes gestacional1 (DG) leva ao aparecimento mais precoce e risco aumentado de diabetes tipo 22, um forte fator de risco3 para doenças cardiovasculares4 (DCV). No entanto, não está claro se a obtenção de normoglicemia pode melhorar o excesso de risco de DCV associado à história de DG.

Agora, uma análise de dados de mais de 2.700 mulheres sugere que a presença de diabetes gestacional1 aumentou o risco de calcificação5 da artéria6 coronária mais tarde na vida, independentemente do controle da glicose7 após a gravidez8.

Os resultados do estudo, publicado no jornal Circulation, fornecem evidências de que as mulheres com diabetes gestacional1 não estavam apenas em maior risco de desenvolver pré-diabetes9 ou diabetes tipo 22, mas também indicaram que apresentavam risco 2 vezes maior de calcificação5 da artéria6 coronária, mesmo que atingissem níveis normais de açúcar10 no sangue11 após a gravidez8.

Saiba mais sobre "Diabetes gestacional1", "Doenças cardiovasculares4" e "Calcificação5 das artérias12".

“Mulheres com diabetes gestacional1 anterior tinham um risco duas vezes maior de cálcio nas artérias coronárias13 se mantivessem níveis normais de açúcar10 no sangue11, desenvolvessem pré-diabetes9 mais tarde ou fossem diagnosticadas com diabetes tipo 22 muitos anos após a gravidez8, em comparação com mulheres sem diabetes gestacional1 anterior que tinham níveis normais de açúcar10 no sangue”, disse Erica P. Gunderson, PhD, epidemiologista e pesquisadora sênior14 na Seção de Condições Cardiovasculares e Metabólicas da Divisão de Pesquisa do Kaiser Permanente na Califórnia, em um comunicado.

O estudo realizado buscou avaliar o histórico de DG e a tolerância à glicose7 após a gestação associadas à calcificação5 da artéria6 coronária (CAC) em mulheres, uma manifestação de DCV aterosclerótica e um preditor de eventos clínicos de DCV.

Os dados foram obtidos do estudo CARDIA (Coronary Artery Risk Development in Young Adults), uma coorte15 prospectiva de base comunitária multicêntrica dos EUA de jovens negras (50%) e brancas adultas com idade entre 18 e 30 anos no início do estudo (1985-1986). A amostra incluiu 1.133 mulheres sem diabetes16 no início do estudo, que tiveram ≥1 partos únicos (n = 2.066) durante o acompanhamento, teste de tolerância à glicose7 no início do estudo e até 5 vezes durante 25 anos (1986-2011), status de DG e medições de CAC obtidas de 1 ou mais exames de acompanhamento nos anos 15, 20 e 25 (2001–2011).

CAC foi medida por tomografia computadorizada17 cardíaca sem contraste; dicotomizada como ‘Qualquer CAC’ (pontuação >0) ou ‘Sem CAC’ (pontuação = 0). Modelos log-log complementares para dados censurados por intervalo estimaram razões de risco ajustadas de CAC e intervalos de confiança de 95% para história de DG e grupos de tolerância à glicose7 subsequentes (normoglicemia, pré-diabetes9 ou diabetes16 incidente18) em média 14,7 anos após o último nascimento ajustado para pré-gravidez8 e covariáveis ​​de acompanhamento.

De 1.133 mulheres, 139 (12,3%) relataram DG e tinham 47,6 anos de idade (DP 4,8) no acompanhamento. CAC estava presente em 25% (34/139) das mulheres com DG e 15% (149/994) das mulheres sem DG.

Em comparação com sem DG / normoglicemia, as razões de risco ajustadas (ICs de 95%) foram 1,54 (1,06-2,24) para sem DG / pré-diabetes9 e 2,17 (1,30-3,62) para sem DG / diabetes16 incidente18, e 2,34 (1,34-4,09), 2,13 (1,09-4,17) e 2,02 (0,98-4,19) para DG / normoglicemia, DG / pré-diabetes9 e DG / diabetes16 incidente18, respectivamente (P geral = 0,003).

Concluiu-se que mulheres sem diabetes gestacional1 anterior mostraram um aumento gradativo no risco de calcificação5 da artéria6 coronária associado à piora da tolerância à glicose7. Mulheres com histórico de DG tiveram um risco 2 vezes maior de CAC em todos os níveis subsequentes de tolerância à glicose7. O risco de doença cardiovascular aterosclerótica na meia-idade entre mulheres com DG prévio não diminui com a obtenção de normoglicemia.

Leia também: "[EBOOK] Diabetes Mellitus19 - Informações completas", "Sinais20 de doenças cardíacas em mulheres" e "Pré-diabetes9 - como ele é".

 

Fontes:
Circulation, publicação em 01 de fevereiro de 2021.
Practical Cardiology, notícia publicada em 03 de fevereiro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Diabetes gestacional aumenta calcificação da artéria coronária em longo prazo, independentemente do controle glicêmico pós-parto. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1388870/diabetes-gestacional-aumenta-calcificacao-da-arteria-coronaria-em-longo-prazo-independentemente-do-controle-glicemico-pos-parto.htm>. Acesso em: 12 abr. 2021.

Complementos

1 Diabetes gestacional: Tipo de diabetes melito que se desenvolve durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto, mas aumenta o risco da mãe desenvolver diabetes no futuro. O diabetes gestacional é controlado com planejamento das refeições, atividade física e, em alguns casos, com o uso de insulina.
2 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
3 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
4 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
5 Calcificação: 1. Ato, processo ou efeito de calcificar(-se). 2. Aplicação de materiais calcíferos básicos para diminuir o grau de acidez dos solos e favorecer seu aproveitamento na agricultura. 3. Depósito de cálcio nos tecidos, que pode ser normal ou patológico. 4. Acúmulo ou depósito de carbonato de cálcio ou de carbonato de magnésio em uma camada de profundidade próxima a do limite de percolação da água no solo, que resulta em certa mobilidade deste e alteração de suas propriedades químicas.
6 Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
7 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
8 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
9 Pré-diabetes: Condição em que um teste de glicose, feito após 8 a 12 horas de jejum, mostra um nível de glicose mais alto que o normal mas não tão alto para um diagnóstico de diabetes. A medida está entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. A maioria das pessoas com pré-diabetes têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.
10 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
11 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
12 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
13 Artérias coronárias: Veias e artérias do CORAÇÃO.
14 Sênior: 1. Que é o mais velho. 2. Diz-se de desportistas que já ganharam primeiros prêmios: um piloto sênior. 3. Diz-se de profissionais experientes que já exercem, há algum tempo, determinada atividade.
15 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
16 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
17 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
18 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
19 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
20 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
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