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Combinação sequencial de farmacoterapia e psicoterapia foi associada a risco reduzido de recidiva e recorrência no transtorno depressivo maior

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O modelo sequencial emergiu da consciência de que a persistência de sintomas1 residuais e a ocorrência frequente de comorbidade2 psiquiátrica estavam ambas associadas a resultados ruins em longo prazo para o transtorno depressivo maior (TDM).

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Psychiatry, foi conduzir uma metanálise atualizada para examinar a associação da combinação sequencial de farmacoterapia e psicoterapia com risco reduzido de recidiva3 e recorrência4 no TDM.

Saiba mais sobre "Depressões", "Depressão maior" e "O que é psicoterapia".

Pesquisas por palavra-chave foram realizadas no PubMed, PsycInfo, Web of Science e na Cochrane Library desde o início de cada banco de dados até novembro de 2019. Listas de referência de estudos relevantes foram examinadas usando as seguintes palavras-chave: tratamento sequencial, drogas e psicoterapia, tratamento combinado, continuação ou manutenção, recidiva3 ou recorrência4 e prevenção, e depress* ou depress* maior, selecionando adultos e ensaios clínicos5 randomizados como limites adicionais. Os autores dos artigos selecionados foram contatados, se necessário.

Ensaios clínicos5 randomizados examinando6 a eficácia do uso sequencial de psicoterapia após a resposta à farmacoterapia de fase aguda no tratamento de pacientes adultos em remissão com TDM foram selecionados independentemente por 2 revisores.

Os métodos usados ​​cumpriram a diretriz de relatório do Itens de Relatório Preferenciais para Revisões Sistemáticas e Metanálises (PRISMA). Extração de dados e avaliação da qualidade metodológica foram conduzidas de forma independente pelos revisores. O exame dos resultados combinados foi realizado com base no modelo de efeitos aleatórios. A heterogeneidade entre os resultados do estudo e a probabilidade de viés de publicação significativo foram avaliados. Análises de sensibilidade e meta-regressões também foram realizadas.

Os desfechos primários foram taxas de recidiva3 ou recorrência4 de TDM, conforme definido pelos pesquisadores do estudo, no acompanhamento mais longo disponível.

Dezessete ensaios clínicos5 randomizados preencheram os critérios de inclusão na metanálise, com 1 estudo produzindo 2 comparações (2.283 pacientes no geral, com 1.208 pacientes em um braço de tratamento sequencial e 1.075 em um braço de controle).

A relação de risco combinada para recidiva3 / recorrência4 de TDM foi de 0,84 (IC de 95%, 0,74-0,94), sugerindo uma vantagem relativa na prevenção de recidiva3 / recorrência4 para a combinação sequencial de tratamentos em comparação com as condições de controle.

Os resultados desta revisão sistemática e metanálise indicam que a integração sequencial da psicoterapia após a resposta à farmacoterapia de fase aguda, sozinha ou combinada com a medicação antidepressiva, foi associada a um risco reduzido de recidiva3 e recorrência4 no transtorno depressivo maior.

O valor preventivo7 da estratégia sequencial depende da redução dos sintomas1 residuais e/ou aumento do bem-estar psicológico. As etapas para implementar a abordagem sequencial em pacientes em remissão com TDM recorrente são fornecidas.

O modelo sequencial introduz uma mudança conceitual na prática clínica, e a descontinuação de medicamentos antidepressivos pode ser viável quando um modelo de tratamento sequencial é usado.

Leia também: "O que saber sobre antidepressivos", "O uso excessivo de antidepressivos" e "O que é saúde8 mental".

 

Fonte: JAMA Psychiatry, publicação em 25 de novembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Combinação sequencial de farmacoterapia e psicoterapia foi associada a risco reduzido de recidiva e recorrência no transtorno depressivo maior. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1383978/combinacao-sequencial-de-farmacoterapia-e-psicoterapia-foi-associada-a-risco-reduzido-de-recidiva-e-recorrencia-no-transtorno-depressivo-maior.htm>. Acesso em: 22 abr. 2021.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Comorbidade: Coexistência de transtornos ou doenças.
3 Recidiva: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
4 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
5 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
6 Examinando: 1. O que será ou está sendo examinado. 2. Candidato que se apresenta para ser examinado com o fim de obter grau, licença, etc., caso seja aprovado no exame.
7 Preventivo: 1. Aquilo que previne ou que é executado por medida de segurança; profilático. 2. Na medicina, é qualquer exame ou grupo de exames que têm por objetivo descobrir precocemente lesão suscetível de evolução ameaçadora da vida, como as lesões malignas. 3. Em ginecologia, é o exame ou conjunto de exames que visa surpreender a presença de lesão potencialmente maligna, ou maligna em estágio inicial, especialmente do colo do útero.
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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