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Pontuações mais altas de ingestão de dieta mediterrânea foram associadas a uma redução de 30% do risco futuro de diabetes tipo 2

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Maior ingestão de dieta mediterrânea1 (MED) tem sido associada com risco reduzido de diabetes tipo 22, mas os mecanismos biológicos subjacentes não são claros.

Agora, os resultados de um novo estudo conduzido por uma equipe do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School estão oferecendo mais informações sobre os benefícios de aderir a uma dieta mediterrânea1.

Os resultados do estudo, que avaliou o impacto das escolhas alimentares em uma coorte3 de 25.000 mulheres com mais de 20 anos, indicam que uma maior adesão à dieta mediterrânea1 foi associada a um risco 30% menor de diabetes4 tipo 2.

"Nossas descobertas apoiam a ideia de que, ao melhorar sua dieta, as pessoas podem melhorar seu risco futuro de diabetes tipo 22, especialmente se estiverem com sobrepeso5 ou obesidade6", disse a investigadora do estudo Samia Mora, MD, MHS, das divisões de Medicina Preventiva e Medicina Cardiovascular do Brigham e professora associada da Harvard Medical School, em um comunicado. "Muitos dos benefícios que observamos podem ser explicados por meio de apenas alguns caminhos. E é importante observar que muitas dessas mudanças não acontecem imediatamente – embora o metabolismo7 possa mudar em um curto período de tempo, nosso estudo indica que há mudanças de longo prazo acontecendo que podem fornecer proteção ao longo de décadas."

Saiba mais sobre "Em que consiste a dieta mediterrânea1" e "Diabetes Mellitus8".

O objetivo do estudo, publicado no JAMA Network Open, foi caracterizar a contribuição relativa de biomarcadores convencionais e novos na redução do risco de diabetes tipo 22 associada à MED em uma população dos EUA.

O estudo de coorte9 foi conduzido entre 25.317 mulheres aparentemente saudáveis. As participantes com falta de informações sobre todos os biomarcadores metabólicos tradicionais e novos ou aquelas com diabetes4 basal foram excluídas. As participantes foram convidadas para uma avaliação inicial entre setembro de 1992 e maio de 1995. Os dados foram coletados de novembro de 1992 a dezembro de 2017 e analisados ​​de dezembro de 2018 a dezembro de 2019.

A pontuação de ingestão de MED (variação de 0 a 9) foi calculada a partir da ingestão alimentar autorrelatada, representando a adesão à ingestão da dieta mediterrânea1.

Os principais resultados e medidas foram casos incidentes10 de diabetes tipo 22, identificados por meio de questionários anuais; os casos relatados foram confirmados por entrevista por telefone ou questionário suplementar. A proporção de redução do risco de diabetes tipo 22 explicada por fatores de risco clínicos e um painel de 40 biomarcadores que representam diferentes vias fisiológicas11 foi estimada.

 

 

A média (DP) de idade das 25.317 mulheres participantes foi de 52,9 (9,9) anos, e elas foram acompanhadas por uma média (DP) de 19,8 (5,8) anos.

Maior ingestão de MED basal (pontuação ≥6 vs ≤3) foi associada a um risco 30% menor de diabetes tipo 22 (razão de risco ajustada para idade e energia, 0,70; IC de 95%, 0,62-0,79; quando modelos de regressão foram ajustados adicionalmente com índice de massa corporal12 [IMC13]: razão de risco, 0,85; IC de 95%, 0,76-0,96).

Biomarcadores de resistência à insulina14 deram a maior contribuição para reduzir o risco (representando 65,5% da associação entre MED – diabetes tipo 22), seguidos por IMC13 (55,5%), medidas de lipoproteína de alta densidade (53,0%) e inflamação15 (52,5%), com contribuições menores de aminoácidos de cadeia ramificada (34,5%), medidas de lipoproteína de densidade muito baixa (32,0%), medidas de lipoproteína de baixa densidade (31,0%), pressão arterial16 (29,0%) e apolipoproteínas (23,5%), e contribuição mínima (≤2%) da hemoglobina17 A1c18.

Em análises post hoc de subgrupos, a associação inversa da dieta MED com diabetes tipo 22 foi observada apenas entre mulheres que tinham IMC13 de pelo menos 25 no início do estudo, mas não naquelas que tinham IMC13 inferior a 25 (por exemplo, mulheres com IMC13 <25, HR ajustada para idade e energia para pontuação de MED ≥6 vs ≤3, 1,01; IC 95%, 0,77-1,33; P para tendência = 0,92; mulheres com IMC13 ≥25: HR, 0,76; IC 95%, 0,67-0,87; P para tendência <0,001).

Neste estudo de coorte9, maiores pontuações de ingestão de dieta mediterrânea1 foram associadas a uma redução de 30% do risco relativo de diabetes tipo 22 durante um período de 20 anos, o que poderia ser explicado em grande parte por biomarcadores de resistência à insulina19, adiposidade, IMC13, metabolismo7 de lipoproteínas e inflamação15.

Essas descobertas sugerem que a dieta mediterrânea1 pode ser protetora contra o diabetes4, melhorando a resistência à insulina19, o metabolismo7 das lipoproteínas e a inflamação15.

Leia sobre "O papel da insulina14 no corpo", "Entendendo o colesterol20 do organismo" e "Alimentação saudável".

 

Fontes:
JAMA Network Open, publicação em 19 de novembro de 2020.
Practical Cardiology, notícia publicada em 03 de dezembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Pontuações mais altas de ingestão de dieta mediterrânea foram associadas a uma redução de 30% do risco futuro de diabetes tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1383808/pontuacoes-mais-altas-de-ingestao-de-dieta-mediterranea-foram-associadas-a-uma-reducao-de-30-do-risco-futuro-de-diabetes-tipo-2.htm>. Acesso em: 25 jan. 2021.

Complementos

1 Dieta Mediterrânea: Alimentação rica em carboidratos, fibras, elevado consumo de verduras, legumes e frutas (frescas e secas) e pobre em ácidos graxos saturados. É recomendada uma ingestão maior de gordura monoinsaturada em decorrência da grande utilização do azeite de oliva. Além de vinho.
2 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
3 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
4 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
5 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
6 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
7 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
8 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
9 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
10 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
11 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
12 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
13 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
14 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
15 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
16 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
17 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
18 A1C: O exame da Hemoglobina Glicada (A1C) ou Hemoglobina Glicosilada é um teste laboratorial de grande importância na avaliação do controle do diabetes. Ele mostra o comportamento da glicemia em um período anterior ao teste de 60 a 90 dias, possibilitando verificar se o controle glicêmico foi efetivo neste período. Isso ocorre porque durante os últimos 90 dias a hemoglobina vai incorporando glicose em função da concentração que existe no sangue. Caso as taxas de glicose apresentem níveis elevados no período, haverá um aumento da hemoglobina glicada. O valor de A1C mantido abaixo de 7% promove proteção contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do diabetes (retinopatia, nefropatia e neuropatia).
19 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
20 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
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