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Os inflamassomas são ativados em resposta à infecção por SARS-CoV-2 e estão associados à gravidade da COVID-19 nos pacientes

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
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Os inflamassomas são ativados em resposta à infecção por SARS-CoV-2 e estão associados à gravidade da COVID-19 nos pacientes

Os casos graves de COVID-19 são caracterizados por um forte processo inflamatório que pode levar à falência de órgãos e à morte do paciente. O inflamassoma NLRP3 é uma plataforma molecular que promove a inflamação por meio da clivagem e ativação de moléculas inflamatórias importantes, incluindo caspase-1 ativa (Casp1p20), IL-1β e IL-18.

Embora a participação do inflamassoma na COVID-19 seja altamente especulada, a ativação do inflamassoma e a participação no desfecho da doença são desconhecidas.

Em estudo realizado por cientistas da USP, publicado no Journal of Experimental Medicine, foi demonstrado que o inflamassoma NLRP3 é ativado em resposta à infecção por SARS-CoV-2 e está ativo em pacientes com COVID-19.

“Se os inflamassomas estão ativos, eles vão levar a um processo inflamatório que pode promover o controle de algumas infecções. Mas se o processo inflamatório for muito forte, descontrolado, ele pode levar a uma resposta exacerbada, causar danos aos tecidos e piorar o quadro clínico em algumas doenças. Esse parece ser o caso de pacientes com quadros moderados e graves de covid-19, aqueles que procuram atendimento hospitalar”, revela o professor Dario Zamboni, do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP e do Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid), líder do estudo.

Estudando pacientes com COVID-19 moderada e grave, os pesquisadores encontraram inflamassoma NLRP3 ativo nas células mononucleares sanguíneas periféricas e tecidos de pacientes pós-morte na autópsia.

Produtos derivados do inflamassoma, como Casp1p20 e IL-18 no soro, correlacionaram-se com os marcadores de gravidade de COVID-19, incluindo IL-6 e LDH. Além disso, níveis mais elevados de IL-18 e Casp1p20 estão associados à gravidade da doença e ao desfecho clínico insatisfatório.

Os resultados sugerem que os inflamassomas participam da fisiopatologia da doença, indicando que essas plataformas podem ser um marcador de gravidade da doença e um potencial alvo terapêutico para COVID-19.

Leia sobre "Como o coronavírus entra no tecido respiratório e explora as defesas" e "Exame de sangue identifica pacientes com maior risco de COVID-19 grave".

 

Fontes:
Journal of Experimental Medicine, publicação em 24 de novembro de 2020.
Jornal da USP, notícia publicada em 24 de novembro de 2020.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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