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Estudo descobre que a tecnologia de reprodução assistida não aumenta o risco de câncer de ovário

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Os efeitos de longo prazo da tecnologia de reprodução1 assistida sobre o risco de tumor2 ovariano são desconhecidos.

Agora, um artigo publicado no Journal of the National Cancer3 Institute sugeriu que o risco aumentado de câncer3 de ovário4 em mulheres tratadas com tecnologia de reprodução1 assistida (TRA) em comparação com a população em geral pode provavelmente ser explicado pela nuliparidade ao invés de pelo tratamento com TRA.

No entanto, os pesquisadores indicaram que, embora a falta de relação dose-resposta com os ciclos de tratamento com TRA não apoiasse uma associação causal, mais pesquisas ainda são necessárias para determinar o papel da TRA na etiologia5 dos tumores ovarianos limítrofes.

Conheça mais sobre "Reprodução1 assistida" e "Câncer3 de ovário4".

“Tranquilamente, mulheres que receberam estimulação ovariana para tecnologia de reprodução1 assistida não têm um risco aumentado de câncer3 maligno de ovário4, nem mesmo a longo prazo”, disse em um comunicado à imprensa a autora principal, Flora E. van Leeuwen, PhD, do Departamento de Epidemiologia do Instituto do Câncer3 da Holanda, em Amsterdã. “No entanto, é importante perceber que mesmo com o longo acompanhamento em nosso estudo, a idade média das mulheres no final do acompanhamento era de apenas 56 anos. Como a incidência6 de câncer3 de ovário4 na população aumenta em idades mais avançadas, é importante seguir as mulheres tratadas com tecnologia de reprodução1 assistida por mais tempo.”

Este estudo de coorte7 nacional compreende 30.625 mulheres que receberam estimulação ovariana para TRA entre 1983-2000 e 9.988 mulheres subférteis não tratadas com TRA. Incidentes8 de tumores ovarianos invasivos e limítrofes foram verificados por meio de ligação com o Registro de Câncer3 da Holanda e o Registro de Patologia9 da Holanda até julho de 2018. O risco de tumor2 de ovário4 em mulheres tratadas com TRA foi comparado com os riscos na população geral e no grupo subfértil não submetido à TRA. Os testes estatísticos foram bilaterais.

Após um acompanhamento médio de 24 anos, 158 tumores ovarianos invasivos e 100 limítrofes foram observados. O risco de câncer3 de ovário4 no grupo de TRA foi aumentado em comparação com a população em geral (razão de incidência6 padronizada [SIR] = 1,43, intervalo de confiança [IC] de 95% = 1,18 a 1,71), mas não quando comparado com o grupo não submetido à TRA (razão de risco [HR] ajustada por idade e paridade = 1,02, IC 95% = 0,70 a 1,50).

O risco diminuiu com uma maior paridade e com um maior número de ciclos de TRA com sucesso (resultando em parto, Ptrend = 0,001), mas não foi associado ao número de ciclos de TRA sem sucesso.

O risco de tumor2 de ovário4 limítrofe aumentou em mulheres tratadas com TRA em comparação com a população em geral (SIR = 2,20, IC de 95% = 1,66 a 2,86) e com mulheres não submetidas à TRA (HR = 1,84, IC de 95% = 1,08 a 3,14). O risco não aumentou com mais ciclos de TRA ou maior tempo de acompanhamento.

O estudo concluiu que o aumento do risco de câncer3 de ovário4 em mulheres tratadas com tecnologia de reprodução1 assistida em comparação com a população em geral é provavelmente explicado pela nuliparidade e não pelo tratamento com TRA. O risco aumentado de tumores ovarianos limítrofes após a TRA deve ser interpretado com cautela porque nenhuma relação dose-resposta foi observada.

Leia sobre "Infertilidade10 feminina", "Inseminação artificial" e "Fertilização11 in vitro".

 

Fontes:
Journal of the National Cancer3 Institute, publicação em 17 de novembro de 2020.
Cancer3 Network, notícia publicada em 18 de novembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Estudo descobre que a tecnologia de reprodução assistida não aumenta o risco de câncer de ovário. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1383613/estudo-descobre-que-a-tecnologia-de-reproducao-assistida-nao-aumenta-o-risco-de-cancer-de-ovario.htm>. Acesso em: 3 mar. 2021.

Complementos

1 Reprodução: 1. Função pela qual se perpetua a espécie dos seres vivos. 2. Ato ou efeito de reproduzir (-se). 3. Imitação de quadro, fotografia, gravura, etc.
2 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Ovário: Órgão reprodutor (GÔNADAS) feminino. Nos vertebrados, o ovário contém duas partes funcionais Sinônimos: Ovários
5 Etiologia: 1. Ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. 2. Estudo das causas das doenças.
6 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
7 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
8 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
9 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
10 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
11 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
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