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Betabloqueadores não seletivos podem melhorar os resultados no câncer de ovário

terça-feira, 13 de setembro de 2022
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Betabloqueadores não seletivos podem melhorar os resultados no câncer de ovário

Mulheres com doenças cardiovasculares (DCVs) e câncer de ovário tiveram melhor sobrevida em 2 anos se receberam um betabloqueador não seletivo (BBNS) no momento ou próximo à cirurgia do câncer, mostrou uma revisão de prontuários médicos publicada no Journal of Clinical Oncology.

A sobrevida pós-operatória de dois anos foi de 80% nas pacientes que receberam BBNS versus 69% para aquelas que não receberam BBNS. A diferença representou uma redução de 53% na taxa de risco para mortalidade por todas as causas. O subgrupo de BBNS também teve melhor sobrevida específica do câncer. O benefício de sobrevida não era mais aparente em 8 anos.

Os efeitos benéficos na sobrevida global e sobrevida específica do câncer não se aplicaram a mulheres que receberam betabloqueadores cardiosseletivos (BBS), relataram Susan J. Jordan, PhD, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Queensland em Herston, Austrália, e colegas.

“Nossa descoberta de que o fornecimento de BBNS no momento da primeira cirurgia citorredutora para câncer de ovário epitelial está associado a uma vantagem de sobrevida em mulheres com 50 anos ou mais com histórico de DCVs foi consistente e clinicamente relevante”, escreveram os autores. “Dois ensaios piloto prospectivos investigando BBNS (propranolol) perioperatório no câncer de ovário, embora pequenos, mostraram resultados promissores. Grandes ensaios clínicos são urgentemente necessários, não apenas para melhorar os resultados de sobrevivência, mas também para reduzir a demanda de serviços de saúde.”

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E eles alertaram que “o redirecionamento de medicamentos seguros e baratos, como o propranolol, é dificultado pela falta de incentivo financeiro imediato para a indústria privada realizar um grande ensaio clínico randomizado, portanto, uma abordagem colaborativa conjunta entre governos, pesquisadores e financiadores provavelmente será necessária.”

No artigo, os pesquisadores contextualizam que a cirurgia para câncer de ovário epitelial (COE) pode ativar respostas inflamatórias de estresse que estimulam o crescimento tumoral e aumentam o crescimento metastático.

Estudos em animais e in vitro mostraram que a inibição da resposta inflamatória induzida por catecolaminas via bloqueio do receptor beta-adrenérgico tem potencial antitumoral no COE. No entanto, estudos observacionais relataram resultados mistos.

Neste grande estudo populacional, foi avaliado se o uso de betabloqueador (BB) no momento da cirurgia primária de câncer de ovário estava associado à melhora da sobrevida.

Usando dados administrativos vinculados, uma coorte de base populacional de 3.844 mulheres australianas com 50 anos ou mais com histórico de doenças cardiovasculares que foram submetidas à cirurgia para COE foi acompanhada para resultados de sobrevida.

O efeito médio do tratamento do fornecimento de BB seletivo (BBS) e BB não seletivo (BBNS) no momento da cirurgia na sobrevida foi estimado a partir de uma perspectiva de inferência causal usando probabilidade inversa balanceada de covariáveis de pesos de tratamento com modelos de sobrevida paramétricos flexíveis que permitiram efeitos de sobrevivência que variam no tempo.

Próximo ao momento da cirurgia, 560 (14,5%) mulheres receberam um BBS e 67 (1,7%) receberam um BBNS. Aos 2 anos pós-cirurgia, a proporção de sobrevida foi de 80% (IC 95%, 68 a 88) para mulheres que receberam BBNSs na cirurgia em comparação com 69% (IC 95%, 67 a 70) para mulheres que não receberam BBNSs.

A vantagem de sobrevivência parecia estender-se a pelo menos 8 anos após a cirurgia. Nenhuma associação foi observada para as mulheres que receberam um BBS na época da cirurgia.

O estudo concluiu que o fornecimento perioperatório de um betabloqueador não seletivo pareceu conferir uma vantagem de sobrevida para mulheres com idade superior a 50 anos com histórico de doenças cardiovasculares. Ensaios clínicos de longo prazo são necessários para confirmar esses achados.

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Fontes:
Journal of Clinical Oncology, publicação em 24 de agosto de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 30 de agosto de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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