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Terapias psicológicas e medicamentosas sequenciais se mostraram eficazes para o controle da insônia

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Qual deve ser o tratamento de primeira linha no tratamento do transtorno de insônia, e há valor agregado em fornecer um segundo tratamento para aqueles que falham na terapia inicial?

Apesar das evidências de terapias psicológicas e farmacológicas eficazes para a insônia, há poucas informações sobre como o tratamento de primeira linha deve ser e qual a melhor forma de proceder quando o tratamento inicial falha.

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Psychiatry, foi avaliar a eficácia comparativa de 4 sequências de tratamento envolvendo terapias psicológicas e medicamentosas para a insônia e examinar o efeito moderador dos transtornos psiquiátricos nos resultados da insônia.

Em um ensaio randomizado1 de atribuição múltipla sequencial, os pacientes foram atribuídos ao primeiro estágio da terapia envolvendo ou terapia comportamental (TC; n = 104) ou zolpidem (zolpidem; n = 107), e os pacientes que não tiveram remissão receberam um segundo tratamento envolvendo ou medicação (zolpidem ou trazodona) ou terapia psicológica (TC ou terapia cognitiva2 [TCog]).

Saiba mais sobre "Insônia", "Distúrbios do sono", "Psicoterapia" e "Terapia cognitivo3 comportamental".

O estudo foi realizado no Institut Universitaire en Santé Mentale de Québec, Université Laval, em Québec, Canadá, e no National Jewish Health, em Denver, Estados Unidos, e a inscrição dos pacientes ocorreu de agosto de 2012 a julho de 2017.

Os desfechos primários foram a resposta ao tratamento e as taxas de remissão, definidas pelo escore total do Índice de Gravidade da Insônia.

Os pacientes incluíram 211 adultos (132 mulheres; idade média [DP], 45,6 [14,9] anos) com um transtorno de insônia crônica, incluindo 74 pacientes com ansiedade ou transtorno de humor como comorbidade4.

O primeiro estágio da terapia com TC ou zolpidem produziu porcentagens ponderadas equivalentes de respondentes (TC, 45,5%; zolpidem, 49,7%; OR, 1,18; IC 95%, 0,60-2,33) e remitentes (TC, 38,03%; zolpidem, 30,3%; OR, 1,41; IC 95%, 0,75-2,65).

O segundo estágio de terapia produziu aumentos significativos em respondentes para as duas condições, começando com TC (TC para zolpidem, 40,6% para 62,7%; OR, 2,46; IC 95%, 1,14-5,30; TC para TCog, 50,1% para 68,2%; OR, 2,09; IC 95%, 1,01-4,35), mas nenhuma alteração significativa após o tratamento com zolpidem.

Aumento significativo na porcentagem de remitentes foi observado em 2 de 4 sequências de terapia (TC para zolpidem, 38,1% para 55,9%; OR, 2,06; IC 95%, 1,04-4,11; zolpidem para trazodona, 31,4% para 49,4%; OR, 2,13; IC 95%, 0,91-5,00).

Embora as taxas de resposta / remissão tenham sido menores entre os pacientes com comorbidade4 psiquiátrica, as sequências de tratamento que envolveram terapia comportamental seguida por terapia cognitiva2, ou zolpidem seguido por trazodona produziram melhores resultados para pacientes5 com insônia comórbida. As taxas de resposta e remissão foram bem sustentadas durante o acompanhamento de 12 meses.

O estudo concluiu que em adultos com transtorno de insônia, o primeiro estágio de tratamento envolvendo terapia comportamental ou medicação com zolpidem produziu resposta e taxas de remissão equivalentes. Adicionar um segundo tratamento produziu um valor agregado para aqueles cuja insônia falhou em remitir com as terapias iniciais.

Dessa forma, os tratamentos sequenciais envolvendo terapia cognitivo3-comportamental e medicamentos são uma estratégia eficaz para o controle da insônia.

Leia sobre "Insônia - como dormir melhor", "Como é o sono" e "Transtornos afetivos".

 

Fonte: JAMA Psychiatry, publicação em 08 de julho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Terapias psicológicas e medicamentosas sequenciais se mostraram eficazes para o controle da insônia. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1382388/terapias-psicologicas-e-medicamentosas-sequenciais-se-mostraram-eficazes-para-o-controle-da-insonia.htm>. Acesso em: 27 nov. 2020.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
3 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
4 Comorbidade: Coexistência de transtornos ou doenças.
5 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
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