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Adicionar imunoterapia à radioterapia pode melhorar a sobrevida global em pacientes com metástases cerebrais

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A imunoterapia demonstrou controle significativo das metástases1 intracranianas em pacientes com melanoma2. No entanto, a associação de imunoterapia combinada com outros tratamentos de câncer3 e sobrevida4 global (SG) de pacientes com metástases1 cerebrais, independentemente do local do tumor5 primário, é desconhecida.

O objetivo desse estudo, publicado no JAMA Network Open, foi explorar a associação da imunoterapia com SG em pacientes com câncer3 e metástases1 cerebrais que receberam cirurgia definitiva do sítio primário.

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Este estudo comparativo de eficácia incluiu 3.112 pacientes adultos no Banco de Dados Nacional do Câncer3 (Estados Unidos) de 2010 a 2016 com câncer3 de pulmão6 de células7 não pequenas, câncer3 de mama8, melanoma2, câncer3 colorretal ou câncer3 renal9 e metástases1 cerebrais no momento do diagnóstico10 e que receberam cirurgia definitiva do sítio primário. A análise dos dados foi realizada de março a abril de 2020.

Os grupos de tratamento foram estratificados da seguinte forma: (1) qualquer tratamento com ou sem imunoterapia, (2) quimioterapia11 com ou sem imunoterapia, (3) radioterapia12 (RT) com ou sem imunoterapia e (4) quimiorradiação com ou sem imunoterapia.

A associação da imunoterapia com SG foi avaliada com a regressão de riscos proporcionais de Cox, ajustada para idade no diagnóstico10, raça, sexo, local de residência, renda, educação, tipo de instalação de tratamento, tipo de tumor5 primário e ano de diagnóstico10.

De 3.112 pacientes, 1.436 (46,14%) eram homens, 2.714 (87,72%) eram brancos, 257 (8,31%) eram negros e 123 (3,98%) pertenciam a outros grupos raciais e étnicos. A mediana (variação) de idade no momento do diagnóstico10 foi de 61 (19-90) anos.

No geral, 183 (5,88%) receberam imunoterapia, 318 (10,22%) receberam quimioterapia11 sozinha, 788 (25,32%) receberam apenas RT e 1.393 (44,76%) receberam quimiorradiação sozinha; 22 (6,47%) receberam quimioterapia11 mais imunoterapia, 72 (8,37%) receberam RT mais imunoterapia e 76 (5,17%) receberam quimiorradiação mais imunoterapia.

Na análise multivariável, os pacientes que receberam imunoterapia tiveram SG significativamente melhorada em comparação com nenhuma imunoterapia (taxa de risco, 0,62; IC 95%, 0,51-0,76; P <0,001). O tratamento com RT mais imunoterapia foi associado com SG significativamente melhorada em comparação com RT sozinha (taxa de risco, 0,59; IC 95%, 0,42-0,84; P = 0,003). Quimioterapia11 mais imunoterapia ou quimiorradiação mais imunoterapia não foram associadas à melhora da SG na análise multivariável.

Neste estudo, a adição de imunoterapia à radioterapia12 foi associada à melhora da SG em comparação com a radioterapia12 isolada em pacientes com metástases1 cerebrais que receberam cirurgia definitiva do local do tumor5 primário.

“A imunoterapia pode aumentar o efeito ideal do efeito abscopal13, aumentando e melhorando a resposta imunológica aos antígenos14 associados ao tumor5, principalmente quando a remoção do tumor5 primário minimiza a carga do tumor”, explicaram os autores. “A radioterapia12 também causa a liberação de neoantígenos e a suprarregulação de citocinas15 inflamatórias, que promovem a apresentação dos neoantígenos no microambiente tumoral e, portanto, aumentam a imunogenicidade das células7 tumorais, tornando-as um alvo melhor para a imunoterapia.”

Leia sobre "A imunoterapia e a luta contra o câncer3", "Radioterapia12" e "Quimioterapia11".

 

Fontes:
JAMA Network Open, publicação em 09 de setembro de 2020.
Cancer3 Network, notícia publicada em 03 de outubro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Adicionar imunoterapia à radioterapia pode melhorar a sobrevida global em pacientes com metástases cerebrais. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1380778/adicionar-imunoterapia-a-radioterapia-pode-melhorar-a-sobrevida-global-em-pacientes-com-metastases-cerebrais.htm>. Acesso em: 25 out. 2020.

Complementos

1 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
2 Melanoma: Neoplasia maligna que deriva dos melanócitos (as células responsáveis pela produção do principal pigmento cutâneo). Mais freqüente em pessoas de pele clara e exposta ao sol.Podem derivar de manchas prévias que mudam de cor ou sangram por traumatismos mínimos, ou instalar-se em pele previamente sã.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
5 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
6 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
7 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
8 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
9 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
10 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
11 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
12 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
13 Efeito abscopal: Efeito da radiação que é manifestada em sítio distante do que foi diretamente irradiado, ou seja, efeito sistêmico da radioterapia.
14 Antígenos: 1. Partículas ou moléculas capazes de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substâncias que, introduzidas no organismo, provocam a formação de anticorpo.
15 Citocinas: Citoquina ou citocina é a designação genérica de certas substâncias segregadas por células do sistema imunitário que controlam as reações imunes do organismo.
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