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Estudo do UK Biobank mostra depressão maior, hiperatividade e esquizofrenia como principais fatores de risco para automutilação

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Identificar fatores de risco causais para lesões1 autoprovocadas é essencial para informar as intervenções preventivas. Estudos epidemiológicos identificaram fatores de risco associados à automutilação, mas essas associações podem estar sujeitas a confusão.

Ao implementar métodos geneticamente informados para melhor explicar a confusão, este estudo, publicado no jornal PLOS Medicine, teve como objetivo identificar melhor os fatores de risco causais plausíveis para automutilação.

Saiba mais sobre "Automutilação" e "Saúde2 mental".

Usando estatísticas resumidas de 24 estudos de associação de todo o genoma (GWASs) compreendendo de 16.067 a 322.154 indivíduos, pontuações poligênicas (PPs) foram geradas para indexar 24 possíveis fatores de risco individuais para automutilação (ou seja, vulnerabilidades de saúde2 mental, uso de substâncias, traços cognitivos3, traços de personalidade e traços físicos) entre um subconjunto de participantes do UK Biobank (N = 125.925, 56,2% mulheres) que responderam a um questionário de saúde2 mental online no período de 13 de julho de 2016 a 27 de julho de 2017.

No total, 5.520 (4,4%) desses participantes relataram ter se automutilado alguma vez na vida. Em modelos de regressão binomial, PPs que indexam 6 fatores de risco (transtorno depressivo maior [TDM], transtorno de déficit de atenção / hiperatividade [TDAH], transtorno bipolar, esquizofrenia4, transtorno de dependência de álcool e uso de maconha ao longo da vida) previram automutilação, com tamanhos de efeito variando de odds ratio (OR) = 1,05 (IC 95% 1,02 a 1,07, q = 0,008) para o uso de cannabis ao longo da vida até OR = 1,20 (IC 95% 1,16 a 1,23, q = 1,33 × 10−35) para TDM.

Nenhuma diferença sistemática emergiu entre automutilação suicida e não suicida. Para investigar as relações causais, análises de randomização mendeliana (RM) de duas amostras foram conduzidas, com TDM, TDAH e esquizofrenia4 emergindo como os fatores de risco causais mais plausíveis para automutilação. As responsabilidades genéticas para TDM e esquizofrenia4 foram associadas à automutilação, independentemente do diagnóstico5 e da medicação.

As principais limitações incluem a falta de representatividade da amostra do UK Biobank, que a automutilação foi autorrelatada e o poder limitado de alguns dos GWASs incluídos, levando potencialmente a um possível erro do tipo II.

Além de confirmar o papel do TDM, o estudo demonstrou que o TDAH e a esquizofrenia4 provavelmente desempenham um papel na etiologia6 da automutilação usando desenhos genéticos multivariados para inferência causal. Entre os muitos fatores de risco individuais que foram considerados simultaneamente, os resultados sugerem que a detecção sistemática e o tratamento de sintomas7 psiquiátricos essenciais, incluindo sintomas7 psicóticos e de impulsividade, podem ser benéficos entre pessoas em risco de automutilação.

Leia sobre "Depressão maior", "Depressão bipolar e unipolar", "Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade" e "Transtornos devidos ao abuso de drogas".

 

Fonte: PLOS Medicine, publicação em 01 de junho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Estudo do UK Biobank mostra depressão maior, hiperatividade e esquizofrenia como principais fatores de risco para automutilação. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1379548/estudo-do-uk-biobank-mostra-depressao-maior-hiperatividade-e-esquizofrenia-como-principais-fatores-de-risco-para-automutilacao.htm>. Acesso em: 22 out. 2020.

Complementos

1 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
3 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
4 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Etiologia: 1. Ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. 2. Estudo das causas das doenças.
7 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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