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Famílias que compram grandes volumes de bebidas adoçadas com açúcar ou bebidas dietéticas correm maior risco de obesidade

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Bebidas, especialmente as bebidas adoçadas com açúcar1 (SSBs, do inglês sugar-sweetened beverages), têm sido cada vez mais sujeitas a políticas que visam reduzir seu consumo como parte das medidas de combate à obesidade2. No entanto, o direcionamento preciso das políticas é difícil, pois faltam informações sobre os tipos de consumidores que podem afetar e em que grau.

Um estudo publicado no PLOS Medicine buscou preencher essa lacuna criando uma tipologia de consumidores de bebidas na Grã-Bretanha, com base no comportamento de compra de bebidas observado, para determinar quais tipos distintos de consumidores existem e quais são suas características sociodemográficas (domésticas), seus comportamentos dietéticos e seus status de peso.

Foi usada análise transversal de classe latente para caracterizar os padrões de compra de bebidas. Usou-se dados do painel 2016 GB Kantar Fast-Moving Consumer Goods (FMCG), um grande painel representativo de compra doméstica de alimentos e bebidas trazidos para casa, e restringiu-se as análises aos consumidores que compram bebidas regularmente (ou seja, >52 litros por membro da família anualmente) (n = 8.675).

Seis categorias de bebidas foram usadas para classificar as famílias em classes latentes: SSBs; bebidas dietéticas; sucos de frutas e bebidas à base de leite; cerveja e cidra; vinho; e água engarrafada. A regressão logística multinomial e a regressão linear foram usadas para relacionar o pertencimento à classe com as características da família, status de peso autorrelatado e outros comportamentos dietéticos, derivados do GB Kantar FMCG.

Leia sobre "Obesidade2", "Perigos dos sucos em caixinhas" e "Como manter mais baixo o risco do consumo de bebidas alcoólicas".

Sete classes latentes foram identificadas, caracterizadas principalmente por maiores compras de 1 ou 2 categorias de bebidas:

  • 'SSB' (18% da amostra; volume médio de SSB = 49,4 L / membro da família / ano; volume médio de bebida dietética = 38,0 L)
  • 'Dietética' (16%; volume médio de bebida dietética = 94,4 L)
  • 'Frutas e leite' (6%; volume médio de suco de frutas / bebida à base de leite = 30,0 L)
  • 'Cerveja e cidra' (7%; volume médio cerveja e cidra = 36,3 L; volume médio de bebida dietética = 55,6 L)
  • 'Vinho' (18%; volume médio de vinho = 25,5 L; volume médio de bebida dietética = 34,3 L)
  • 'Água' (4%; volume médio de água = 46,9 L)
  • 'Diversos' (30%; diversidade de compras, incluindo o volume médio de SSB = 22,4 L).

A renda foi positivamente associada à classificação na classe ‘Diversos’, enquanto a classe social baixa foi mais provável para os domicílios nas classes ‘SSB’, ‘Dietética’ e ‘Cerveja e Cidra’.

A obesidade2 (IMC3 >30 kg/m²) foi mais prevalente na classe ‘Dietética’ (41,2%, IC 95% 37,7% – 44,7%), apesar das famílias obterem pouca energia das bebidas dessa classe (17,9 kcal / membro da família / dia, IC 95% 16,2 – 19,7).

O sobrepeso4 / obesidade2 (IMC3 >25 kg/m²) estava acima da média na classe ‘SSB’ (66,8%, IC 95% 63,7% – 69,9%).

Ao olhar para todos os mantimentos, as famílias da classe ‘SSB’ tiveram compras com maior energia total (1.943,6 kcal / membro da família / dia, IC 95% 1.901,7 – 1.985,6), uma proporção menor de energia advinda de frutas e vegetais (6,0%, IC 95% 5,8 % – 6,3%), e uma maior proporção de energia advinda de alimentos e bebidas menos saudáveis ​​(54,6%, IC 95% 54,0% – 55,1%) do que outras classes.

Uma maior proporção de energia advinda de lanches doces foi observada para as famílias nas classes ‘SSB’ (18,5%, IC 95% 18,1% – 19,0%) e ‘Dietética’ (18,8%, IC 95% 18,3% – 19,3%).

A principal limitação das análises, assim como outros estudos, é que os dados não incluem informações sobre compras de alimentos e bebidas consumidas fora de casa.

O estudo concluiu que entre as famílias que compram bebidas regularmente, aquelas que compram principalmente grandes volumes de SSBs ou bebidas dietéticas correm maior risco de obesidade2 e tendem a comprar alimentos menos saudáveis, incluindo uma alta proporção de energia advinda de lanches doces.

Essas famílias podem se beneficiar adicionalmente de políticas voltadas para alimentos não saudáveis, como lanches doces, como forma de reduzir o consumo excessivo de energia.

Veja também sobre "Alimentação saudável", "Consumo de bebidas açucaradas está associado à mortalidade5" e "Adoçantes: prós e contras".

 

Fonte: PLOS Medicine, publicação em 8 de setembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Famílias que compram grandes volumes de bebidas adoçadas com açúcar ou bebidas dietéticas correm maior risco de obesidade. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1378418/familias-que-compram-grandes-volumes-de-bebidas-adocadas-com-acucar-ou-bebidas-dieteticas-correm-maior-risco-de-obesidade.htm>. Acesso em: 26 set. 2020.

Complementos

1 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
2 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
3 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
4 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
5 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
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