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Efeito do rastreamento mamográfico a partir dos 40 anos de idade na mortalidade por câncer de mama (UK Age trial)

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A faixa etária apropriada para o rastreamento do câncer1 de mama2 permanece uma questão de debate. O objetivo desse estudo, publicado pelo The Lancet Oncology, foi estimar o efeito do rastreamento mamográfico em idades de 40-48 anos na mortalidade3 por câncer1 de mama2.

Foi feito um ensaio clínico randomizado4 e controlado envolvendo 23 unidades de exames de mama2 na Grã-Bretanha. Atribuiu-se aleatoriamente mulheres com idades entre 39-41 anos, usando randomização individual, estratificada pela prática geral, em uma proporção de 1:2, para rastreamento mamográfico anual a partir do ano de inclusão no estudo até e incluindo o ano civil em que atingiram a idade de 48 anos (grupo de intervenção), ou para tratamento padrão sem rastreamento até o convite para o primeiro rastreamento do National Health Service Breast Screening Program (NHSBSP) com aproximadamente 50 anos de idade (grupo de controle).

Saiba mais sobre "Mamografia5", "Câncer1 de mama2" e "Recomendações do INCA para prevenção e identificação do câncer1 de mama2".

As mulheres do grupo de intervenção foram recrutadas por convite postal. As mulheres do grupo controle não sabiam do estudo. O desfecho primário foi a mortalidade3 por câncer1 de mama2 (com o câncer1 de mama2 codificado como a causa básica da morte) diagnosticado durante o período de intervenção, antes do primeiro rastreamento do NHSBSP da participante.

Para estudar o momento do efeito da mortalidade3, foram analisados os resultados em diferentes períodos de acompanhamento. As mulheres foram incluídas na comparação primária, independentemente da conformidade com o status de randomização (análise de intenção de tratar). Este artigo relata análises de acompanhamento de longo prazo.

160.921 mulheres foram recrutadas entre 14 de outubro de 1990 e 24 de setembro de 1997. 53.883 mulheres (33,5%) foram aleatoriamente designadas para o grupo de intervenção e 106.953 (66,5%) para o grupo de controle. Entre a randomização e 28 de fevereiro de 2017, as mulheres foram acompanhadas por uma média de 22,8 anos (IQR 21,8–24,0).

Observou-se uma redução significativa na mortalidade3 por câncer1 de mama2 em 10 anos de acompanhamento, com 83 mortes por câncer1 de mama2 no grupo de intervenção versus 219 no grupo de controle (taxa relativa [RR] 0,75 [IC 95% 0,58–0,97]; p = 0,029). Nenhuma redução significativa foi observada depois disso, com 126 mortes contra 255 mortes ocorrendo após mais de 10 anos de acompanhamento (RR 0,98 [0,79–1,22]; p = 0,86).

A mamografia5 anual antes dos 50 anos, começando aos 40 ou 41 anos, foi associada a uma redução relativa na mortalidade3 por câncer1 de mama2, que foi atenuada após 10 anos, embora a redução absoluta tenha permanecido constante. A redução do limite inferior de idade para o rastreamento de 50 para 40 anos poderia reduzir potencialmente a mortalidade3 por câncer1 de mama2.

Leia sobre "Recomendações do INCA para reduzir a mortalidade3 por câncer1 de mama2" e "Exames preventivos que mulheres devem fazer".

 

Fonte: The Lancet Oncology, publicação em 12 de agosto de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Efeito do rastreamento mamográfico a partir dos 40 anos de idade na mortalidade por câncer de mama (UK Age trial). Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1378108/efeito-do-rastreamento-mamografico-a-partir-dos-40-anos-de-idade-na-mortalidade-por-cancer-de-mama-uk-age-trial.htm>. Acesso em: 25 set. 2020.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
5 Mamografia: Estudo radiológico que utiliza uma técnica especial para avaliar o tecido mamário. Permite diagnosticar tumores benignos e malignos em fase inicial na mama. É um exame que deve ser realizado por mulheres, como prevenção ao câncer.
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