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Associação entre acne em adultos e comportamentos alimentares

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A acne1 é uma doença inflamatória multifatorial crônica. A associação entre o consumo de laticínios e alimentos gordurosos e açucarados e a ocorrência e progressão da acne1 permanece obscura.

O objetivo desse estudo, publicado no JAMA Dermatology, foi avaliar a associação entre comportamento alimentar e acne1 atual em adultos.

Saiba mais sobre "Acne1 - como melhorar o aspecto da pele2" e "Acne1 na mulher adulta".

Um estudo transversal foi realizado como parte do estudo NutriNet-Santé, que é um estudo de coorte3 observacional em andamento, baseado na web, lançado na França em maio de 2009. O presente estudo foi conduzido de 14 de novembro de 2018 a 8 de julho de 2019. Um total de 24.452 participantes completou um auto questionário online para categorizar seu status de acne1: nunca teve acne1, teve acne1 passada ou tem acne1 atual.

As associações entre o comportamento alimentar (ingestão de alimentos, ingestão de nutrientes e o padrão alimentar derivado de uma análise de componente principal) e acne1 atual ou passada foram estudadas em modelos de regressão logística multinomial ajustados para variáveis ​​de confusão potenciais (idade, sexo, atividade física, tabagismo, nível educacional, ingestão energética diária, número de registros dietéticos concluídos e sintomas4 depressivos).

Os 24.452 participantes (idade média [SD], 57 [14] anos; 18.327 mulheres [75%]) completaram pelo menos 3 registros dietéticos. Destes, 11.324 indivíduos (46%) relataram acne1 passada ou atual.

Após o ajuste, houve uma associação significativa entre a acne1 atual e o consumo de produtos gordurosos e açucarados (odds ratio ajustada [aOR], 1,54; IC 95%, 1,09-2,16), bebidas açucaradas (aOR, 1,18; IC 95%, 1,01 -1,38), e leite (aOR, 1,12; IC 95%, 1,00-1,25). Um padrão alimentar com alta densidade energética (alto consumo de produtos gordurosos e açucarados) foi associado à acne1 atual (aOR, 1,13; IC 95%, 1,05-1,18).

Neste estudo, o consumo de leite, bebidas açucaradas e produtos gordurosos e açucarados parecia estar associado à acne1 atual em adultos. Mais estudos em grande escala são necessários para investigar mais de perto as associações entre dieta e acne1 adulta.

Leia sobre "Alimentação saudável", "Os perigos dos sucos em caixinhas", "Dieta cetogênica" e "Carboidratos".

 

Fonte: JAMA Dermatology, publicação em 10 de junho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Associação entre acne em adultos e comportamentos alimentares. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1376218/associacao-entre-acne-em-adultos-e-comportamentos-alimentares.htm>. Acesso em: 29 out. 2020.

Complementos

1 Acne: Doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. As lesões começam a surgir na puberdade, atingindo a maioria dos jovens de ambos os sexos. Os cravos e espinhas ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido.
2 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
3 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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