Gostou do artigo? Compartilhe!

Características do paciente associadas à escolha de uma consulta por telemedicina versus consulta no consultório com os mesmos médicos de atenção primária

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

A telemedicina por vídeo ou telefone pode oferecer aos pacientes acesso a um médico sem necessidade de providenciar transporte ou gastar tempo em uma sala de espera, mas pouco se sabe sobre as características do paciente associadas à escolha entre telemedicina ou consultas no consultório.

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Network Open, foi examinar as características do paciente associadas à escolha de uma consulta por telemedicina versus uma consulta no consultório com os mesmos médicos de cuidados primários.

Este estudo transversal incluiu dados de 1.131.722 pacientes que agendaram uma consulta de cuidados primários através do portal de pacientes do Kaiser Permanente do norte da Califórnia entre 1 de janeiro de 2016 e 31 de maio de 2018. Todas as consultas de cuidados primários concluídas agendadas através do portal de pacientes foram identificadas.

Somente as primeiras consultas sem outras consultas médicas dentro de 7 dias foram incluídas para definir um episódio de procura de cuidados iniciado pelo paciente relativamente distinto. As consultas para exames físicos de rotina, que não são elegíveis para telemedicina, foram excluídas. Os dados foram analisados ​​de 1° de julho de 2018 a 31 de dezembro de 2019.

Leia sobre "CFM reconhece uso da telemedicina durante combate à COVID-19".

Os principais resultados e medidas foram a escolha do paciente entre uma consulta no consultório, por vídeo ou por telefone. Foram estabelecidas as razões de risco relativo (RRRs) para características sociodemográficas do paciente (idade, sexo, raça/etnia, status socioeconômico da vizinhança, preferência de idioma), acesso à tecnologia (internet residencial na vizinhança, uso de portal móvel), consulta com o próprio médico pessoal de cuidados primários do paciente e barreiras à consulta realizada pessoalmente (tempo de viagem, estacionamento, compartilhamento de custos), associadas à escolha de telemedicina por vídeo ou telefone (versus consultas no consultório).

Das 2.178.440 consultas de atendimento primário agendadas por 1.131.722 pacientes, 86% foram agendadas para visita ao consultório e 14% como telemedicina, com 7% das consultas por telemedicina sendo realizadas por vídeo.

A escolha da telemedicina foi estatisticamente associada significativamente às características sociodemográficas dos pacientes. Por exemplo, pacientes com 65 anos ou mais de idade tinham menos probabilidade do que pacientes de 18 a 44 anos de escolher a telemedicina (RRR, 0,24; IC 95%, 0,22-0,26 para consultas por vídeo; RRR 0,55; IC 95%, 0,54-0,57 para consulta por telefone).

A escolha da telemedicina também foi estatisticamente associada significativamente ao acesso à tecnologia (pacientes que moravam em um bairro com altas taxas de acesso residencial à internet tinham maior probabilidade de escolher uma consulta por vídeo do que pacientes cujos bairros tinham pouco acesso à internet: RRR, 1,10; IC 95%: 1,06- 1,14); bem como às barreiras para as consultas realizadas pessoalmente (os pacientes cujo consultório tinha uma estrutura de estacionamento pago tinham mais probabilidade de escolher uma consulta por telemedicina do que os pacientes cujas instalações tinham estacionamento gratuito: RRR, 1,70; IC 95%, 1,41-2,05 para consulta por vídeo; e RRR, 1,73, IC 95%, 1,61-1,86 para consulta por telefone).

Neste estudo transversal de dados de 1,1 milhão de pacientes com 2,2 milhões de consultas de cuidados primários, 14% das consultas foram agendadas como telemedicina (principalmente por telefone), sendo mais provável que os pacientes escolham a telemedicina com seu médico pessoal. As características demográficas dos pacientes e as barreiras às consultas foram significativamente associadas à escolha da telemedicina.

Isso mostra que os pacientes geralmente escolhem uma consulta pessoalmente ao agendar online uma consulta através do portal. E também que a telemedicina pode oferecer o potencial de alcançar grupos de pacientes vulneráveis ​​e melhorar o acesso de pacientes com barreiras de transporte, estacionamento ou custos às consultas realizadas no consultório.

Veja também sobre "Como preparar o paciente para a consulta por telemedicina".

 

Fonte: JAMA Network Open, publicação em 17 de junho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Características do paciente associadas à escolha de uma consulta por telemedicina versus consulta no consultório com os mesmos médicos de atenção primária. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1371218/caracteristicas-do-paciente-associadas-a-escolha-de-uma-consulta-por-telemedicina-versus-consulta-no-consultorio-com-os-mesmos-medicos-de-atencao-primaria.htm>. Acesso em: 15 jul. 2020.
Gostou do artigo? Compartilhe!