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Terapias de privação de andrógenos para câncer de próstata parecem reduzir o risco de infecção por SARS-CoV-2

segunda-feira, 11 de maio de 2020
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Terapias de privação de andrógenos para câncer de próstata parecem reduzir o risco de infecção por SARS-CoV-2

A entrada do SARS-CoV-2 nas células depende da ligação das proteínas virais spike (S) à ACE2 e da ativação da proteína S pelo TMPRSS2. A inibição do TMPRSS2 pode funcionar para bloquear ou diminuir a gravidade das infecções por SARS-CoV-2.

O intrigante é que o TMPRSS2 é um gene regulado por andrógenos que é regulado positivamente no câncer de próstata, onde suporta a progressão do tumor e está envolvido em uma translocação genética frequente com o gene ERG. As terapias de privação de andrógenos (ADTs) de primeira ou segunda geração diminuem os níveis de TMPRSS2.

Neste estudo publicado pelo Annals of Oncology, apresentou-se a hipótese de que as ADTs podem proteger os pacientes afetados pelo câncer de próstata contra infecções por SARS-CoV-2.

Foram extraídos dados de 9.280 pacientes (4.532 homens) com infecção por SARS-CoV-2 confirmada em laboratório de 68 hospitais em Veneto, uma das regiões italianas mais afetadas pela pandemia de COVID-19. Os parâmetros utilizados para cada paciente positivo para COVID-19 foram sexo, hospitalização, internação em unidade de terapia intensiva (UTI), óbito, diagnóstico de tumor, diagnóstico de câncer de próstata e terapia de privação androgênica (ADT).

Havia 9.280 pacientes positivos para SARS-CoV-2 em Veneto em 1º de abril de 2020. No geral, os homens desenvolveram complicações mais graves, foram hospitalizados com mais frequência e tiveram um pior resultado clínico do que as mulheres.

Considerando apenas a população masculina de Veneto (2,4 milhões de homens), 0,2% e 0,3% dos pacientes não oncológicos e com câncer, respectivamente, apresentaram resultado positivo para SARS-CoV-2.

Comparando o número total de casos positivos de SARS-CoV-2, os pacientes com câncer de próstata que receberam ADT apresentaram um risco significativamente menor de infecção por SARS-CoV-2 em comparação aos pacientes que não receberam ADT (OR 4,05; IC 95% 1,55-10,59).

Foi encontrada uma diferença maior na comparação de pacientes com câncer de próstata que receberam ADT com pacientes com qualquer outro tipo de câncer (OR 5,17; IC 95% 2,02-13,40).

Os dados sugerem que pacientes com câncer têm um risco aumentado de infecção por SARS-CoV-2 do que pacientes sem câncer. No entanto, pacientes com câncer de próstata que recebem ADT parecem estar parcialmente protegidos contra infecções por SARS-CoV-2.

Leia sobre "Como o  coronavírus entra no tecido respirátorio", "Câncer de próstata" e "Prevenção do câncer".

 

Fonte: Annals of Oncology, publicação em 07 de maio de 2020.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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