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Efeito da fluoxetina sobre comportamentos obsessivo-compulsivos em crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista

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A fluoxetina, em comparação com o placebo1, reduz comportamentos obsessivo-compulsivos entre crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista? Inibidores seletivos do receptor de serotonina são prescritos para reduzir a gravidade dos comportamentos centrais dos distúrbios do espectro autista, mas sua eficácia permanece incerta.

Saiba mais sobre "Autismo: como reconhecer os sintomas2 precoces".

Com o objetivo de determinar a eficácia da fluoxetina na redução da frequência e da gravidade de comportamentos obsessivo-compulsivos nos transtornos do espectro autista, foi realizado um ensaio clínico multicêntrico, randomizado3 e controlado por placebo1, publicado pelo periódico JAMA. Participantes de 7,5 a 18 anos com transtorno do espectro autista e uma pontuação total de 6 ou mais na escala Children’s Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale–Modified for Pervasive Developmental Disorders (CYBOCS-PDD) foram recrutados em 3 centros de saúde4 terciários na Austrália. As inscrições começaram em novembro de 2010 e terminaram em abril de 2017. O acompanhamento terminou em agosto de 2017.

Os participantes foram randomizados para receber fluoxetina (n=75) ou placebo1 (n=71). A medicação do estudo foi iniciada em 4 ou 8 mg/dia durante a primeira semana, dependendo do peso, e depois titulada para uma dose máxima de 20 ou 30 mg/dia durante 4 semanas. A duração do tratamento foi de 16 semanas.

O desfecho primário foi a pontuação total na CYBOCS-PDD (as pontuações variam de 0 a 20; pontuações mais altas indicam níveis mais altos de comportamentos desadaptativos; diferença clinicamente importante mínima, 2 pontos) nas 16 semanas após a randomização, analisadas de forma linear por modelo de regressão ajustado por fatores de estratificação (local, idade na linha de base e deficiência intelectual), com um modelo pré-especificado que incluiu ajuste adicional para pontuação da linha de base, sexo, nível de comunicação e variáveis de linha de base e demográficas desequilibradas.

Entre os 146 participantes randomizados (85% do sexo masculino; idade média de 11,2 anos), 109 completaram o estudo; 31 no grupo fluoxetina e 21 no grupo placebo1 desistiram ou não completaram o tratamento. O escore médio da CYBOCS-PDD da linha de base às 16 semanas de acompanhamento diminuiu no grupo da fluoxetina de 12,80 para 9,02 pontos (redução de 3,72 pontos; IC 95%, -4,85 a -2,60) e no grupo placebo1 de 13,13 para 10,89 pontos (redução de 2,53; IC 95%, -3,86 a -1,19).

A diferença média entre os grupos às 16 semanas foi de -2,01 (IC 95%, -3,77 a -0,25; P = 0,03) (ajustado por fatores de estratificação) e, no modelo pré-especificado com ajustes adicionais, foi de -1,17 (IC 95%, -3,01 a 0,67; P = 0,21).

Neste estudo preliminar de crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista, o tratamento com fluoxetina em comparação ao placebo1 resultou em pontuações significativamente mais baixas para comportamentos obsessivo-compulsivos às 16 semanas. A interpretação é limitada pela alta taxa de abandono, achados nulos de análises pré-especificadas que foram responsáveis por fatores potenciais de confusão e desequilíbrios da linha de base e ICs pelo efeito do tratamento que incluiu a diferença clinicamente importante mínima.

Leia sobre "Autismo - conhecendo melhor esta condição".

 

Fonte: JAMA Network, em 22/29 de outubro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Efeito da fluoxetina sobre comportamentos obsessivo-compulsivos em crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1350968/efeito-da-fluoxetina-sobre-comportamentos-obsessivo-compulsivos-em-criancas-e-adolescentes-com-transtornos-do-espectro-autista.htm>. Acesso em: 11 nov. 2019.

Complementos

1 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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