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Efeito da continuação da olanzapina versus placebo na recaída entre pacientes com depressão psicótica em remissão

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A depressão psicótica é um transtorno severamente incapacitante e potencialmente letal. Pouco se sabe sobre a eficácia e tolerabilidade da medicação antipsicótica contínua em pacientes com depressão psicótica em remissão.

No ensaio clínico randomizado1 STOP-PD II, publicado pelo periódico JAMA, pesquisadores investigaram se a medicação antipsicótica contínua reduz o risco de recaída entre pacientes com depressão psicótica em remissão, determinando os efeitos clínicos dessa medicação, uma vez que um episódio de depressão psicótica tenha respondido ao tratamento de combinação com um antidepressivo e um agente antipsicótico.

Saiba mais sobre "Depressão psicótica", "Antipsicóticos" e "Antidepressivos".

O estudo consistiu em trinta e seis semanas de ensaios clínicos2 randomizados, realizados em quatro centros médicos acadêmicos. Foram selecionados pacientes com 18 anos ou mais que tiveram um episódio de depressão psicótica agudamente tratada com sertralina e olanzapina por até 12 semanas e preencheram os critérios para remissão da psicose3 e remissão ou quase remissão dos sintomas4 depressivos por 8 semanas antes de entrar no ensaio clínico. O estudo foi realizado de novembro de 2011 a junho de 2017 e a data final de acompanhamento foi 13 de junho de 2017.

Os participantes foram randomizados para continuar a olanzapina (n = 64) ou mudar de olanzapina para placebo5 (n = 62). Todos os participantes continuaram a sertralina.

O desfecho primário foi o risco de recaída. Os principais desfechos secundários foram mudança de peso, circunferência da cintura, lipídios, glicemia6 e hemoglobina7 A1c8 (HbA1c9).

Entre 126 participantes que foram randomizados (idade média [SD] de 55,3 anos [14,9 anos]; 78 mulheres [61,9%]), 114 (90,5%) completaram o estudo. No momento da randomização, a dose mediana de sertralina foi de 150 mg/d (intervalo interquartílico [IQR], 150-200 mg/d) e a dose média de olanzapina foi de 15 mg/d (IQR, 10-20 mg/d).

Treze participantes (20,3%) randomizados para olanzapina e 34 (54,8%) randomizados para placebo5 experimentaram uma recaída (razão de risco, 0,25; IC 95%, 0,13 a 0,48; P <0,001).

O efeito da olanzapina sobre a taxa diária de medidas antropométricas e metabólicas diferiu significativamente do placebo5 para peso (0,13 lb; IC 95%, 0,11 a 0,15), circunferência da cintura (0,009 polegadas; IC 95%, 0,004 a 0,014) e colesterol10 total (0,29 mg/dL11; IC 95%, 0,13 a 0,45), mas não foi significativamente diferente para colesterol10 de lipoproteína de baixa densidade (0,04 mg/dL11; IC 95%, −0,01 a 0,10), colesterol10 de lipoproteína de alta densidade (−0,01 mg/dL11; IC 95%, −0,03 a 0,01), triglicérides12 (−0,153 mg/dL11; IC 95%, −0,306 a 0,004), glicose13 (−0,02 mg/dL11; IC 95%, −0,12 a 0,08) ou níveis de HbA1c9 (-0,0002 mg/dL11; IC 95%, -0,0021 a 0,0016).

Entre os pacientes com depressão psicótica em remissão, a continuação da sertralina e olanzapina em comparação com a sertralina e placebo5 reduziu o risco de recidiva14 ao longo de 36 semanas. Este benefício deve ser balanceado contra os potenciais efeitos adversos da olanzapina, incluindo o ganho de peso.

Leia também sobre "Depressões", "Psicoses" e "Desafio das famílias que convivem com a doença mental".

 

Fonte: JAMA, publicação online em 20 de agosto de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Efeito da continuação da olanzapina versus placebo na recaída entre pacientes com depressão psicótica em remissão. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1344253/efeito-da-continuacao-da-olanzapina-versus-placebo-na-recaida-entre-pacientes-com-depressao-psicotica-em-remissao.htm>. Acesso em: 16 set. 2019.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
3 Psicose: Grupo de doenças psiquiátricas caracterizadas pela incapacidade de avaliar corretamente a realidade. A pessoa psicótica reestrutura sua concepção de realidade em torno de uma idéia delirante, sem ter consciência de sua doença.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
6 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
7 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
8 A1C: O exame da Hemoglobina Glicada (A1C) ou Hemoglobina Glicosilada é um teste laboratorial de grande importância na avaliação do controle do diabetes. Ele mostra o comportamento da glicemia em um período anterior ao teste de 60 a 90 dias, possibilitando verificar se o controle glicêmico foi efetivo neste período. Isso ocorre porque durante os últimos 90 dias a hemoglobina vai incorporando glicose em função da concentração que existe no sangue. Caso as taxas de glicose apresentem níveis elevados no período, haverá um aumento da hemoglobina glicada. O valor de A1C mantido abaixo de 7% promove proteção contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do diabetes (retinopatia, nefropatia e neuropatia).
9 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
10 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
11 Mg/dL: Miligramas por decilitro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
12 Triglicérides: A principal maneira de armazenar os lipídeos no tecido adiposo é sob a forma de triglicérides. São também os tipos de lipídeos mais abundantes na alimentação. Podem ser definidos como compostos formados pela união de três ácidos graxos com glicerol. Os triglicérides sólidos em temperatura ambiente são conhecidos como gorduras, enquanto os líquidos são os óleos. As gorduras geralmente possuem uma alta proporção de ácidos graxos saturados de cadeia longa, já os óleos normalmente contêm mais ácidos graxos insaturados de cadeia curta.
13 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
14 Recidiva: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
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