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Artigo estabelece ligação entre transtornos alimentares e modelos operacionais internos de alta ansiedade e apego tanto em filhos quanto em seus pais

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Nas últimas décadas, um grupo de pesquisadores da Itália e do Brasil vem realizando uma série de pesquisas sobre apego e suas implicações no comportamento humano, com base em um Acordo Interuniversitário Internacional para desenvolver um projeto chamado “O estudo da dinâmica de apego desde a infância até a idade adulta” entre o Departamento de Ciências Sociais DISS da Sapienza Rome University (Itália) e o Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (Brasil), coordenado na Itália pela professora Grazia Attili e no Brasil pelo professor Antonio Roazzi.

O artigo publicado na revista Paidéia deriva deste acordo e cooperação. Os pesquisadores encontraram em pacientes com transtornos alimentares (TA) não apenas um predomínio de modelos operacionais internos (MOI) inseguros, de acordo com o que havia sido revelado por pesquisas anteriores e seus próprios estudos, mas também uma prevalência1 de MOI de alta ansiedade (MOIAA). Esse MOIAA foi encontrado em todos os pacientes, independentemente do tipo de MOI (ou seja, em pacientes ambivalentes, evitativos e desorganizados), um resultado que vai além do que foi destacado em pesquisa anterior, que encontrou “alta ansiedade” apenas em pacientes ambivalentes. Além disso, os estudiosos italianos e brasileiros descobriram que os pais dos pacientes também apresentavam “MOI de alta ansiedade” e que esse MOIAA estava associado ao de seus filhos afetados por TA.

Com base nesses resultados, o artigo evidencia a importância particular que a transmissão intergeracional de apego tem dentro dessa população clínica, principalmente nos casos em que os pais também podem revelar MOI de alta ansiedade. O instrumento usado para avaliar o MOI foi o Separation Anxiety Test (SAT). Este teste é particularmente útil quando é necessário ter dados sobre até que ponto os respondentes refletem sobre crenças e emoções ligadas a estar longe de uma figura de apego.

Uma amostra de 55 pacientes com TA, um grupo controle composto por 80 participantes, suas mães e pais participaram da investigação. De fato, os dois grupos diferiram significativamente com prevalência1 de MOIAA nos pacientes e seus pais em comparação com os sujeitos de controle.

A implicação é que os pacientes com TA podem se beneficiar mais por uma terapia individual e/ou familiar baseada no apego do que outros tipos de abordagens psicoterapêuticas.

Leia mais sobre "Ansiedade de separação" e "Controle do apetite".

Fonte: Paidéia, vol.28, dezembro de 2018.

 

NEWS.MED.BR, 2018. Artigo estabelece ligação entre transtornos alimentares e modelos operacionais internos de alta ansiedade e apego tanto em filhos quanto em seus pais. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1330668/artigo-estabelece-ligacao-entre-transtornos-alimentares-e-modelos-operacionais-internos-de-alta-ansiedade-e-apego-tanto-em-filhos-quanto-em-seus-pais.htm>. Acesso em: 19 mar. 2019.

Complementos

1 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
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