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Como o sono afeta o risco de enxaqueca?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018
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Como o sono afeta o risco de enxaqueca?

Múltiplos aspectos do sono podem anteceder temporariamente o risco agudo de um ataque de enxaqueca entre pacientes com enxaqueca episódica, de acordo com um estudo apresentado na 32ª Reunião Anual das Associated Professional Sleep Societies.

Enquanto alguns parecem proteger contra a dor de cabeça do dia seguinte, “estes novos dados piloto suportam a hipótese de que o sono fragmentado autorrelatado está associado com maior risco de enxaqueca dois dias depois”, diz a médica Suzanne M. Bertisch, professora assistente de medicina na Harvard Medical School e diretora do Behavioral Sleep Medicine, no Brigham and Women’s Hospital, em Boston.

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Estudos retrospectivos indicaram que quase metade dos pacientes com enxaqueca identificam o "dormir pouco" ou o "dormir muito" como gatilhos de enxaqueca. Um estudo prospectivo relatou uma maior incidência de cefaleia, tanto enxaqueca como cefaleia do tipo tensional, após duas noites consecutivas de quatro horas ou menos de sono, conforme medido por autorrelato. "Até o momento, não houve estudos prospectivos sobre a associação entre os parâmetros do sono avaliados objetivamente e a incidência de enxaqueca, enquanto outros possíveis desencadeantes da enxaqueca já foram avaliados", disse Bertisch.

Ela e seus colegas avaliaram a contribuição independente das características do sono como precedentes temporais da enxaqueca, particularmente observando a duração, a fragmentação e a qualidade autorreferidas do sono.

Em um estudo de coorte sobre os gatilhos da enxaqueca, conduzido de março de 2016 a agosto de 2017, os pesquisadores inscreveram 101 adultos com enxaqueca episódica da região metropolitana de Boston. Os critérios de inclusão foram pelo menos duas enxaquecas por mês, mas menos de 15 dias de cefaleia por mês, história de enxaqueca por pelo menos três anos e preenchimento dos critérios da terceira edição da International Classification of Headache Disorders (ICHD-3) para enxaqueca episódica. Os critérios de exclusão incluíram apneia obstrutiva do sono não tratada, gravidez e uso atual de opioides.

Os participantes do estudo foram solicitados a preencher diários da manhã e da tarde que registravam informações sobre o sono, incluindo o padrão, a fragmentação e a qualidade do sono; atividade física e humor diário; medicamentos e características de dor de cabeça. Os pacientes também usaram actígrafos de pulso durante o estudo de seis semanas. Cada paciente teve cerca de 40 dias de dados diários e de actigrafia.

Os pacientes relataram o início e a duração das cefaleias, sintomas associados, se a dor era uma dor de cabeça ou uma enxaqueca, intensidade máxima de dor e qualquer medicação abortiva usada. Dados sobre covariáveis diárias, como consumo de álcool e cafeína, atividade física autorreferida, ciclo menstrual, estresse e humor antes de dormir também foram coletados.

Os 98 participantes incluídos nas análises refletiram a prevalência de enxaqueca conhecida. "Eram geralmente mulheres mais jovens, com uma idade média de 35 anos e uma população saudável", disse Bertisch. “Cerca de um terço relatou história de enxaqueca com aura e cerca de um quarto usou medicações diárias para prevenir enxaquecas. Cerca de 60% relataram que dormir pouco desencadeou a enxaqueca.”

Os pesquisadores coletaram dados do diário e de actigrafia durante aproximadamente 4.500 noites e descobriram que o sono de sua coorte era relativamente saudável. "Eles dormiram mais de sete horas por noite, tiveram poucos problemas de sono, alta eficiência de sono e consumiram pouco álcool ou cafeína durante o estudo", disse Bertisch.

Em uma análise dos dados do diário, não houve associação entre a chance de cefaleia no dia seguinte e a duração do sono, despertar após o início do sono (WASO), eficiência do sono ou qualidade do sono. No entanto, as medidas de actigrafia mostraram associações com menor eficiência do sono e maior WASO, cada uma associada a menor risco de dor de cabeça no dia seguinte.

Quando foram observadas as chances de dor de cabeça dois dias depois, uma baixa eficiência do sono baseada no autorrelato estava associada a um risco maior de enxaqueca. Os pesquisadores notaram uma tendência similar com a curta duração do sono autorreferida. Para dados de actigrafia, foi encontrado um padrão um pouco semelhante. Também descobriu-se que a duração do sono maior que 8,5 horas foi associada a um menor risco de enxaqueca dois dias depois.

Em resumo, a eficiência do sono e a alta WASO podem estar associadas a menores chances de dor de cabeça no dia seguinte. Para o sono duas noites antes da dor de cabeça, a baixa eficiência do sono foi associada a maiores chances de dor de cabeça. Longa duração do sono, avaliada por actigrafia, foi associada a menor chance de dor de cabeça dois dias depois.

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Fonte: Neurology Reviews, em 14 de agosto de 2018

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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