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Benefícios clínicos e de custo da terapia nutricional médica para o manejo da dislipidemia: uma revisão sistemática e metanálise

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Diante do aumento dos custos com a saúde1, é necessário discernir se o manejo da dislipidemia com terapia nutricional médica (MNT) por um nutricionista2 registrado (RDN) é realmente efetiva.

Pesquisadores norte-americanos examinaram sistematicamente as evidências sobre a eficácia clínica e o custo x benefício da MNT por um RDN para o tratamento da dislipidemia. Artigos de pesquisa em inglês e textos completos, publicados entre janeiro de 2003 e outubro de 2014, foram identificados usando PubMed, MEDLINE e o site Worldcat.org com literatura específica para a eficácia clínica e de custo do MNT para dislipidemia. Os estudos precisavam ter obrigatoriamente pelo menos um desfecho de dislipidemia: colesterol3 total (total C), colesterol3 de lipoproteína de baixa densidade (LDL4), triglicérides5, colesterol3 de lipoproteína de alta densidade (HDL6) e/ou síndrome metabólica7.

Saiba mais sobre "Colesterol3 do organismo", "Colesterol3 LDL4", "Colesterol3 HDL6", "Triglicérides5" e "Síndrome metabólica7".

Esta revisão sistemática identificou 34 estudos primários com 5.704 indivíduos. Múltiplas sessões individualizadas de MNT feita por um RDN juntamente com o paciente, durante 3 a 21 meses, levaram a melhorias significativas no perfil lipídico8, índice de massa corporal9, estado glicêmico e pressão sanguínea. Os resultados foram resumidos como diferenças de média com intervalos de confiança de 95% quando a metanálise era possível.

Em uma análise combinada, as intervenções de MNT reduziram o colesterol3 da lipoproteína de baixa densidade, colesterol3 total, triglicerídeos, glicemia de jejum10, hemoglobina11 A1c12 e índice de massa corporal9 em comparação com um grupo controle. Economia de custos e efetividade da MNT para dislipidemia mostraram melhores anos de vida ajustados pela qualidade e pela redução de custos com menor uso de medicamentos. Os benefícios também foram relatados quando o nutricionista2 fazia parte de uma equipe multidisciplinar de saúde1.

Concluiu-se que as evidências desta revisão sistemática e metanálise demonstram que múltiplas sessões de MNT por um RDN são clinicamente eficazes e tem custo-benefício vantajoso em pacientes com dislipidemia e com fatores de risco cardiometabólicos.

Leia sobre "Índice de massa corporal9", "Comportamento da glicemia13", "Como reduzir o colesterol3", "Hemoglobina glicosilada14", "Alimentação saudável", "Atividades físicas"  e "Sete passos para um coração15 saudável".

 

Fonte: Journal of Clinical Epidemiology, 3 de julho de 2018

 

NEWS.MED.BR, 2018. Benefícios clínicos e de custo da terapia nutricional médica para o manejo da dislipidemia: uma revisão sistemática e metanálise. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1323233/beneficios-clinicos-e-de-custo-da-terapia-nutricional-medica-para-o-manejo-da-dislipidemia-uma-revisao-sistematica-e-metanalise.htm>. Acesso em: 25 set. 2018.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Nutricionista: Especialista em nutricionismo, ou seja, especialista no estudo das necessidades alimentares dos seres humanos e animais, e dos problemas relativos à nutrição.
3 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
4 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
5 Triglicérides: A principal maneira de armazenar os lipídeos no tecido adiposo é sob a forma de triglicérides. São também os tipos de lipídeos mais abundantes na alimentação. Podem ser definidos como compostos formados pela união de três ácidos graxos com glicerol. Os triglicérides sólidos em temperatura ambiente são conhecidos como gorduras, enquanto os líquidos são os óleos. As gorduras geralmente possuem uma alta proporção de ácidos graxos saturados de cadeia longa, já os óleos normalmente contêm mais ácidos graxos insaturados de cadeia curta.
6 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
7 Síndrome metabólica: Tendência de várias doenças ocorrerem ao mesmo tempo. Incluindo obesidade, resistência insulínica, diabetes ou pré-diabetes, hipertensão e hiperlipidemia.
8 Perfil lipídico: Exame laboratorial que mede colesterol total, triglicérides, HDL. O LDL é calculado por estes resultados. O perfil lipídico é uma das medidas de risco para as doenças cardiovasculares.
9 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
10 Glicemia de jejum: Teste que checa os níveis de glicose após um período de jejum de 8 a 12 horas (frequentemente dura uma noite). Este teste é usado para diagnosticar o pré-diabetes e o diabetes. Também pode ser usado para monitorar pessoas com diabetes.
11 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
12 A1C: O exame da Hemoglobina Glicada (A1C) ou Hemoglobina Glicosilada é um teste laboratorial de grande importância na avaliação do controle do diabetes. Ele mostra o comportamento da glicemia em um período anterior ao teste de 60 a 90 dias, possibilitando verificar se o controle glicêmico foi efetivo neste período. Isso ocorre porque durante os últimos 90 dias a hemoglobina vai incorporando glicose em função da concentração que existe no sangue. Caso as taxas de glicose apresentem níveis elevados no período, haverá um aumento da hemoglobina glicada. O valor de A1C mantido abaixo de 7% promove proteção contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do diabetes (retinopatia, nefropatia e neuropatia).
13 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
14 Hemoglobina glicosilada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
15 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
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