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Insuficiência cardíaca estimula o crescimento tumoral por fatores circulantes

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A sobrevida1 da insuficiência cardíaca2 (IC) melhorou e, atualmente, muitos pacientes com IC morrem de causas não cardíacas, incluindo o câncer3. O objetivo do presente estudo, publicado pelo periódico Circulation, realizado por pesquisadores do Departamenteo de Cardiologia da University of Groningen, foi investigar se existe uma relação causal entre a IC e o desenvolvimento do câncer3.

A IC foi induzida por grande infarto4 miocárdico anterior em camundongos APCmin, que são propensos a desenvolver tumores intestinais pré-cancerosos, e o crescimento do tumor5 foi medido. Além disso, para descartar comprometimento hemodinâmico, foi utilizado um modelo de transplante cardíaco heterotópico, no qual um coração6 infartado ou simulado foi transplantado para um camundongo receptor enquanto o coração6 nativo foi deixado in situ7. Após 6 semanas, o número, volume e proliferação tumoral foram quantificados.

Saiba mais sobre "Prevenção do câncer3", "Insuficiência cardíaca congestiva8" e "Infarto do miocardio9".

As "proteínas10 candidatas" secretadas foram selecionadas por estarem previamente associadas tanto ao crescimento do tumor5 (de cólon11) quanto à produção miocárdica em estudos proteômicos12 pós-infarto do miocárdio9. Os níveis de expressão gênica miocárdica destas "proteínas10 candidatas" selecionadas foram analisados, assim como seus efeitos proliferativos nas células13 HT-29 (câncer3 de cólon11). Os pesquisadores validaram essas candidatas medindo-as no plasma14 de indivíduos saudáveis e de pacientes com IC. Finalmente, associou-se a relação entre biomarcadores cardíacos específicos e inflamatórios e câncer3 de início recente em uma grande coorte15 prospectiva da população geral.

A presença de corações insuficientes, tanto nativos como heterotopicamente transplantados, resultou num aumento significativo da carga tumoral intestinal de 2,4 vezes em ratinhos APCmin (todos com P<0,0001). A gravidade da disfunção ventricular esquerda e da cicatriz16 fibrótica correlacionaram-se fortemente com o crescimento do tumor5 (P=0,002 e P=0,016, respectivamente).

Foram identificadas várias proteínas10 (incluindo serpinA3 e A1, fibronectina, ceruloplasmina e paraoxonase 1) que estavam elevadas em pacientes humanos com IC crônica (n=101) em comparação com indivíduos saudáveis (n=180; P<0,001). Funcionalmente, a serpinA3 resultou em efeitos marcados de proliferação em células13 de câncer3 de cólon11 em humanos (HT-29), associadas à fosforilação de Akt-S6.

Finalmente, biomarcadores cardíacos e inflamatórios elevados em humanos aparentemente saudáveis (n=8.319) foram preditivos de câncer3 de início recente (n=1.124) independentemente dos fatores de risco para câncer3 (idade, tabagismo e índice de massa corporal17).

O estudo demonstrou que a presença de IC está associada ao aumento do crescimento tumoral, que isso é independente do comprometimento hemodinâmico e que pode ser causado por fatores cardíacos excretados. Um diagnóstico18 de IC pode, portanto, ser considerado um fator de risco19 para o câncer3 incidente20.

Veja também sobre "Como prevenir o câncer3", "Câncer3 colorretal", "Parar de fumar" e "Cálculo21 do IMC22".

 

Fonte: Circulation, volume 138, número 7, em 13 de agosto de 2018

 

NEWS.MED.BR, 2018. Insuficiência cardíaca estimula o crescimento tumoral por fatores circulantes. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1322978/insuficiencia-cardiaca-estimula-o-crescimento-tumoral-por-fatores-circulantes.htm>. Acesso em: 12 dez. 2019.

Complementos

1 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
2 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
5 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
6 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
7 In situ: Mesmo que in loco , ou seja, que está em seu lugar natural ou normal (diz-se de estrutura ou órgão). Em oncologia, é o que permanece confinado ao local de origem, sem invadir os tecidos vizinhos (diz-se de tumor).
8 Insuficiência Cardíaca Congestiva: É uma incapacidade do coração para efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de enfermidades do próprio coração ou de outros órgãos. O músculo cardíaco vai diminuindo sua força para bombear o sangue para todo o organismo.
9 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
10 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
11 Cólon:
12 Proteômicos: Relativo à Proteômica, ou seja, à ciência que estuda o conjunto de proteínas e suas isoformas contidas em amostras biológicas, seja esta um organismo, um tecido, uma organela celular ou uma célula, sempre determinados pelo genoma.
13 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
14 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
15 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
16 Cicatriz: Formação de um novo tecido durante o processo de cicatrização de um ferimento.
17 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
18 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
19 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
20 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
21 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
22 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
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