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Vale a pena fazer triagem para aneurisma de aorta abdominal em homens? Dados de um estudo de coorte baseado em registros suecos

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Pesquisadores das universidades University of Gothenburg, na Suécia, e University of Copenhagen, na Dinamarca, estimaram o efeito do rastreio do aneurisma1 da aorta abdominal2 (AAA) sobre a mortalidade3, incidência4 e cirurgia específicas da doença na Suécia. Grandes reduções na incidência4 de aneurisma1 da aorta abdominal2 e mortalidade3 relacionada ao AAA significam que resultados de ensaios randomizados de rastreamento para o transtorno podem estar desatualizados.

Saiba mais sobre "Aneurisma1 de aorta abdominal2".

Dados individuais sobre a incidência4 de AAA, mortalidade3 AAA e cirurgia para AAA em uma coorte5 de homens, com 65 anos, que foram convidados para triagem, entre 2006 e 2009, foram comparados com dados de uma coorte5 contemporânea de homens que não foram convidados para triagem AAA. Analisou-se também dados nacionais para todos os homens com idades entre 40 e 99 anos, entre 1º de janeiro de 1987 e 31 de dezembro de 2015, para explorar as tendências de antecedentes.

O ajuste para fatores de confusão foi feito pesando as análises com um escore de propensão obtido a partir de um modelo de regressão logística no ano da coorte5, estado civil, nível educacional, renda e se o paciente já tinha um diagnóstico6 de AAA no início do estudo. O ajuste para o atrito diferencial também foi feito ponderando as análises com a probabilidade inversa de ainda estar na coorte5 6 anos após a triagem. Equações de estimativas generalizadas foram usadas para ajustar a variância para medições repetidas e em resposta à ponderação.

Os resultados mostram que a mortalidade3 por AAA em homens suecos diminuiu de 36 para 10 mortes por 100.000 homens, com idades entre 65 e 74 anos, entre o início dos anos 2000 e 2015. A mortalidade3 diminuiu em taxas similares em toda a Suécia, independentemente da triagem AAA ser oferecida. Após 6 anos de triagem, encontrou-se uma redução não significativa na mortalidade3 por AAA associada à triagem, o que significa que em dois homens evitou-se a morte por AAA para cada 10.000 homens oferecidos ao rastreio. A triagem foi associada ao aumento da chance de diagnóstico6 de AAA e ao aumento do risco de cirurgia eletiva7, de tal modo que para cada 10.000 homens que realizaram o rastreio, 49 homens recebem um "diagnóstico6 excessivo", pois 19 deles passam por uma cirurgia evitável que aumenta o risco de mortalidade3 e morbidade8.

Concluiu-se neste estudo que o rastreio de AAA na Suécia não contribuiu substancialmente para as grandes reduções observadas na mortalidade3 por AAA. As reduções foram causadas principalmente por outros fatores, provavelmente pela redução do tabagismo, por exemplo. O pequeno benefício e o balanço menos favorável dos benefícios vs danos justificam o questionamento sobre a continuação ou não da intervenção em questão.

Leia também sobre "Aneurisma1 cerebral" e "Aneurismas".

 

Fonte: The Lancet, volume 391, número 10138, em 16 de junho de 2018

 

NEWS.MED.BR, 2018. Vale a pena fazer triagem para aneurisma de aorta abdominal em homens? Dados de um estudo de coorte baseado em registros suecos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1320918/vale-a-pena-fazer-triagem-para-aneurisma-de-aorta-abdominal-em-homens-dados-de-um-estudo-de-coorte-baseado-em-registros-suecos.htm>. Acesso em: 11 dez. 2018.

Complementos

1 Aneurisma: Alargamento anormal da luz de um vaso sangüíneo. Pode ser produzida por uma alteração congênita na parede do mesmo ou por efeito de diferentes doenças (hipertensão, aterosclerose, traumatismo arterial, doença de Marfán, etc.).
2 Aorta Abdominal: Porção da aorta que tem início no DIAFRAGMA e termina na bifurcação em artérias ílicas comuns direita e esquerda.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
5 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
7 Eletiva: 1. Relativo à eleição, escolha, preferência. 2. Em medicina, sujeito à opção por parte do médico ou do paciente. Por exemplo, uma cirurgia eletiva é indicada ao paciente, mas não é urgente. 3. Cujo preenchimento depende de eleição (diz-se de cargo). 4. Em bioquímica ou farmácia, aquilo que tende a se combinar com ou agir sobre determinada substância mais do que com ou sobre outra.
8 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
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