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Câncer aumenta risco de desenvolver diabetes, publicado pelo JAMA Oncology

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A diabetes1 é um fator de risco2 estabelecido para o desenvolvimento de câncer3. Um corpo limitado de evidências também sugere que o câncer3 pode aumentar o risco de desenvolver novos casos de diabetes1, mas as evidências são inconclusivas.

Saiba mais sobre "Diabetes mellitus4" e "Prevenção do câncer3".

Para avaliar se o desenvolvimento de câncer3 está associado ao aumento do risco de diabetes1 subsequente, foi feito um estudo coreano de coorte5 que incluiu uma amostra nacionalmente representativa da população geral coreana, observada por até 10 anos (de 1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2013). Um total de 524.089 homens e mulheres, de 20 a 70 anos de idade, sem diabetes1 e sem histórico de câncer3 no início do estudo foram incluídos.

Durante 3.492.935,6 pessoas-anos de seguimento (acompanhamento médio de 7,0 anos) em 494.189 indivíduos (50% mulheres; idade média [DP] 41,8 [12,5] anos), 15.130 participantes desenvolveram câncer3 e 26.610 participantes desenvolveram diabetes1. Após o ajuste para idade, sexo, fatores de risco de diabetes1 pré-câncer3, fatores metabólicos e comorbidades6, a taxa de risco para diabetes1 associada ao desenvolvimento de câncer3 foi de 1,35 (IC 95% 1,26-1,45; P<0,001). O excesso de risco para diabetes1 foi maior nos primeiros dois anos após o diagnóstico7 de câncer3, mas permaneceu elevado durante todo o acompanhamento.

Por tipo, o desenvolvimento dos seguintes cânceres foram associados a um risco significativamente aumentado de diabetes1:

  • Câncer3 de pâncreas8 (HR 5,15; IC 95%, 3,32-7,99)
  • Câncer3 de renal9 (HR 2,06; IC95% 1,34-3,16)
  • Câncer3 de fígado10 (HR 1,95; IC95% 1,50-2,54)
  • Câncer3 de vesícula biliar11 (HR 1,79; IC95% 1,08-2,98)
  • Câncer3 de pulmão12 (HR 1,74; IC95% 1,34-2,24)
  • Câncer3 de sangue13 (HR 1,61; IC95% 1,07-2,43)
  • Câncer3 de mama14 (HR 1,60; IC95% 1,27-2,01)
  • Câncer3 de estômago15 (HR 1,35; IC 95% 1,16-1,58)
  • Câncer3 de tireoide16 (HR 1,33; IC95% 1,12-1,59)

Nesta grande coorte5 coreana, o desenvolvimento do câncer3 aumentou o risco de diabetes1 subsequente. Esses dados fornecem evidências de que o câncer3 está associado a um aumento do risco de diabetes1 em sobreviventes de câncer3, independentemente dos fatores de risco tradicionais para o diabetes1.

Os médicos devem lembrar que os pacientes com câncer3 desenvolvem outros problemas clínicos, como diabetes1, com maior frequência do que os indivíduos sem câncer3, e devem considerar a triagem de diabetes1 de rotina nesses pacientes.

Leia mais sobre "Prevenção do Diabetes Mellitus4 e suas Complicações" e "Como prevenir o câncer3".

 

Fonte: JAMA Oncololy, publicação online, em 7 de junho de 2018

 

NEWS.MED.BR, 2018. Câncer aumenta risco de desenvolver diabetes, publicado pelo JAMA Oncology. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1320338/cancer-aumenta-risco-de-desenvolver-diabetes-publicado-pelo-jama-oncology.htm>. Acesso em: 25 set. 2018.

Complementos

1 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
2 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
5 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
6 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
7 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
8 Pâncreas: Órgão nodular (no ABDOME) que abriga GLÂNDULAS ENDÓCRINAS e GLÂNDULAS EXÓCRINAS. A pequena porção endócrina é composta pelas ILHOTAS DE LANGERHANS, que secretam vários hormônios na corrente sangüínea. A grande porção exócrina (PÂNCREAS EXÓCRINO) é uma glândula acinar composta, que secreta várias enzimas digestivas no sistema de ductos pancreáticos (que desemboca no DUODENO).
9 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
10 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
11 Vesícula Biliar: Reservatório para armazenar secreção da BILE. Através do DUCTO CÍSTICO, a vesícula libera para o DUODENO ácidos biliares em alta concentração (e de maneira controlada), que degradam os lipídeos da dieta.
12 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
13 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
14 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
15 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
16 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
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