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Consumo de café: 3 ou 4 xícaras por dia parece ser a melhor medida para a saúde, publicado pelo BMJ

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Para avaliar as evidências existentes sobre as associações entre o consumo de café e os múltiplos resultados de saúde1, foi realizada uma revisão de meta-análises de estudos observacionais e de intervenção. As fontes de dados utilizadas foram PubMed, Embase, CINAHL, Cochrane Database of Systematic Reviews e rastreio de referências.

Os critérios de elegibilidade para a seleção das meta-análises de estudos observacionais e de estudos de intervenção que examinaram as associações entre o consumo de café e qualquer resultado em saúde1, em qualquer população adulta, incluíram todos os países e todos os parâmetros. Os estudos de polimorfismos genéticos para o metabolismo2 do café foram excluídos.

A revisão identificou 201 meta-análises de pesquisa observacional com 67 resultados únicos de saúde1 e 17 meta-análises de pesquisa intervencionista3 com nove resultados únicos. O consumo de café foi mais frequentemente associado a benefícios do que a prejuízos em saúde1, incluindo o consumo elevado versus baixo ou o consumo de qualquer vs nenhuma quantidade e também do consumo de uma xícara a mais ao dia.

Houve evidência de uma associação não linear entre o consumo e alguns resultados, com estimativas resumidas que indicam a maior redução do risco relativo à ingestão de três a quatro xícaras por dia versus nenhuma xícara ao dia, incluindo mortalidade4 por todas as causas (risco relativo 0,83; intervalo de confiança de 95% de 0,83 a 0,88), mortalidade4 cardiovascular (0,81; 0,72 a 0,90) e doenças cardiovasculares5 (0,85; 0,80 a 0,90). O consumo alto versus baixo foi associado a um risco 18% menor de câncer6 incidente7 (0,82; 0,74 a 0,89). O consumo também foi associado a um menor risco de vários tipos específicos de câncer6 e condições neurológicas, metabólicas e hepáticas8.

As associações prejudiciais foram largamente anuladas por ajustes adequados para o tabagismo, exceto na gravidez9, onde o consumo alto versus baixo/nenhum consumo foi associado ao baixo peso ao nascer, nascimento prematuro e perda gestacional. Havia também uma associação entre o consumo de café e o risco de fraturas em mulheres, mas não em homens.

Saiba mais sobre "Prevenção do câncer6", "Parar de fumar" e "Fraturas ósseas".

Concluiu-se nesta revisão que o consumo de café parece geralmente seguro dentro dos níveis habituais de ingestão, com estimativas resumidas que indicam a maior redução de risco para o consumo de três a quatro xícaras de café por dia para vários resultados de saúde1, e que o consumo é mais propenso a levar a benefícios à saúde1 do que a prejuízos.

São necessários ensaios controlados aleatórios robustos para entender se as associações observadas são causais. É importante notar que, fora da gravidez9, as evidências existentes sugerem que o café pode ser testado como uma intervenção sem risco significativo de causar danos. Mulheres com risco aumentado de fratura10 devem ser excluídas.

Veja também sobre "Osteopenia" e "Osteoporose11".

 

Fonte: BMJ, publicação online de 22 de novembro de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Consumo de café: 3 ou 4 xícaras por dia parece ser a melhor medida para a saúde, publicado pelo BMJ. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1307348/consumo-de-cafe-3-ou-4-xicaras-por-dia-parece-ser-a-melhor-medida-para-a-saude-publicado-pelo-bmj.htm>. Acesso em: 21 set. 2018.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
3 Intervencionista: 1. Relativo ao intervencionismo, ou seja, à interferência governamental na economia do país; dirigismo. Na política, é relativo à ingerência política, diplomática, econômica ou militar do governo de uma nação nos negócios internos ou particulares de outros países. 2. Médico Intervencionista é aquele que atua na Base e na Unidade Móvel e se desloca para efetuar o atendimento médico ao usuário. É aquele que está presente, que intervém.
4 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
5 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
6 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
7 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
8 Hepáticas: Relativas a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
9 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
10 Fratura: Solução de continuidade de um osso. Em geral é produzida por um traumatismo, mesmo que possa ser produzida na ausência do mesmo (fratura patológica). Produz como sintomas dor, mobilidade anormal e ruídos (crepitação) na região afetada.
11 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
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