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Restrição dietética de carboidratos em pacientes com diabetes tipo 2

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A terapia nutricional é parte integrante da educação de autogestão para pacientes1 com diabetes2 tipo 2. Os carboidratos com baixo índice glicêmico são recomendados, mas a quantidade ideal de carboidratos na dieta não é clara. Uma meta-análise comparando dietas contendo quantidades baixas a moderadas de carboidratos (LCD) (porcentagem de energia abaixo de 45%) com dietas contendo altas quantidades de carboidratos (HCD) em indivíduos com diabetes2 tipo 2 foi publicada pelo BMJ Open Diabetes2 Research & Care.

Saiba mais sobre "Carboidratos - como agem no organismo" e "Diabetes Mellitus3". 

As bases de dados das bibliotecas Cochrane, EMBASE e MEDLINE foram revisadas sistematicamente no período de 2004 a 2014, incluindo diretrizes, meta-análises e ensaios randomizados avaliando os resultados de hemoglobina glicosilada4 (HbA1c5), índice de massa corporal6 (IMC7), peso corporal, colesterol8 LDL9, qualidade de vida (QoL) e taxa de participantes que abandonaram os estudos (taxa de abandono).

Identificou-se dez ensaios randomizados que incluíram 1.376 participantes no total. No primeiro ano de intervenção, a LCD foi seguida de uma HbA1c5 0,34% menor (3,7 mmol/mol) em comparação com dietas com altas quantidades de carboidratos (IC 95% 0,06 (0,7 mmol / mol), 0,63 (6,9 mmol / mol)). Quanto maior a restrição de carboidratos, maior o efeito de redução da glicose10 (R=-0,85, p<0,01). Com um ano ou mais, no entanto, a HbA1c5 foi semelhante nos dois grupos de dieta. O efeito dos dois tipos de dieta sobre o IMC7/peso corporal, colesterol8 LDL9, QoL e taxa de abandono foi semelhante durante as intervenções.

Leia sobre "Hemoglobina glicosilada4", "Índice de Massa Corporal6" e "Como reduzir o LDL colesterol11". 

A medicação para baixar a glicose10, a terapia nutriconal, a quantidade de carboidratos na dieta, o índice glicêmico, a ingestão de gorduras e proteínas12, a HbA1c5 basal e a aderência às dietas prescritas podem ter influenciado os resultados e podem ser consideradas limitações deste estudo.

Concluiu-se que as dietas com ingestão baixa ou moderada de carboidratos têm maior efeito sobre o controle glicêmico no diabetes2 tipo 2 em comparação com dietas ricas em carboidratos no primeiro ano de intervenção. Quanto maior a restrição de carboidratos, maior a redução da glicose10, uma relação que não foi demonstrada anteriormente. Além desta redução da HbA1c5 no curto prazo, não há superioridade das dietas com baixo teor de carboidratos em termos de controle glicêmico, peso corporal ou colesterol8 LDL9.

Veja também sobre "Comportamento da glicemia13" e "Como evitar o diabetes tipo 214". 

 

Fonte: BMJ Journals/ BMJ Open Diabetes2 Research & Care, volume 5, número 1

 

NEWS.MED.BR, 2017. Restrição dietética de carboidratos em pacientes com diabetes tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1304018/restricao-dietetica-de-carboidratos-em-pacientes-com-diabetes-tipo-2.htm>. Acesso em: 19 mar. 2019.

Complementos

1 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
4 Hemoglobina glicosilada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
5 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
6 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
7 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
8 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
9 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
10 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
11 LDL colesterol: Do inglês low-density lipoprotein cholesterol, colesterol de baixa densidade ou colesterol ruim.
12 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
13 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
14 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
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