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Eficácia e segurança da terapia cognitivo-comportamental e da farmacoterapia na ansiedade infantil

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Uma revisão sistemática e meta-análise avaliou a eficácia comparativa e os eventos adversos da terapia cognitivo1-comportamental (TCC) e da farmacoterapia para tratamento dos transtornos de ansiedade na infância. Os resultados foram publicados online no periódico JAMA Pediatrics.

Nesta revisão, os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, os inibidores da recaptação da serotonina-norepinefrina e a terapia cognitivo1-comportamental foram eficazes na redução dos sintomas2 de ansiedade. O inibidor seletivo da recaptação da serotonina e o uso de inibidores da recaptação da serotonina-norepinefrina foram associados a vários eventos adversos que na sua maioria não eram graves. A escolha dos tratamentos deve basear-se em valores, preferências, disponibilidade de serviços e perfil de efeito adverso.

A ansiedade infantil é bastante comum. Existem várias opções de tratamento disponíveis, mas as diretrizes atuais fornecem recomendações inconsistentes sobre o tratamento a ser usado. Para avaliar a eficácia comparativa e os eventos adversos da terapia cognitivo1-comportamental (TCC) e da farmacoterapia para o tratamento de transtornos de ansiedade na infância foram buscadas as fontes de dados MEDLINE, EMBASE, PsycINFO, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews e SciVerse Scopus, desde o início do banco de dados até 1º de fevereiro de 2017.

Os pesquisadores incluíram estudos aleatórios e não aleatórios comparativos envolvendo crianças e adolescentes com diagnóstico3 confirmado de transtorno do pânico, transtorno de ansiedade social, fobias4 específicas, distúrbio de ansiedade generalizada ou ansiedade de separação e que foram tratados com TCC, farmacoterapia ou uma combinação de ambas. Revisores independentes selecionaram estudos e extraíram dados. A meta-análise de efeitos aleatórios foi usada para agrupar os dados.

Saiba mais sobre "Transtorno de ansiedade generalizada", "Transtorno ansioso social", "Transtorno do pânico" e "Fobias4".

Os principais resultados e medidas avaliados foram sintomas2 de ansiedade primária (medidos por crianças, pais ou clínicos), remissão da ansiedade, resposta ao tratamento e eventos adversos.

Um total de 7.719 pacientes foram incluídos em 115 estudos. Destes, 4.290 (55,6%) eram do sexo feminino e a idade média era de 9,2 (5,4-16,1) anos. Em comparação com a pílula placebo5, os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) reduziram significativamente os sintomas2 de ansiedade primária e aumentaram a remissão (risco relativo, 2,04; IC 95%, 1,37-3,04) e a resposta (risco relativo, 1,96; IC 95%, 1,60-2,40).

Os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina (SNRIs) reduziram significativamente os sintomas2 de ansiedade primária relatados pelo clínico. Benzodiazepínicos e tricíclicos não parecem reduzir significativamente os sintomas2 de ansiedade.

Quando a TCC foi comparada com a lista de espera/sem tratamento, a TCC melhorou significativamente os sintomas2 de ansiedade primária, remissão e resposta. A terapia cognitivo1-comportamental reduziu os sintomas2 de ansiedade primária mais do que a fluoxetina e melhorou a remissão mais do que a sertralina. A combinação de sertralina e TCC reduziu significativamente os sintomas2 de ansiedade primária relatados pelo clínico e a resposta mais do que qualquer tratamento sozinho.

As comparações diretas foram escassas e as estimativas de meta-análise de rede foram imprecisas. Eventos adversos foram comuns com o uso de medicamentos, mas não com TCC, no entanto, não foram graves. Os estudos eram muito pequenos ou muito curtos para avaliar o suicídio com o uso de inibidor seletivo da recaptação da serotonina ou com o uso de inibidores da recaptação da serotonina-norepinefrina. Um ensaio mostrou um aumento estatisticamente não significativo na ideação suicida com a venlafaxina. A terapia cognitivo1-comportamental foi associada a menos abandono do que o uso de placebo5 ou de medicamentos.

Essas evidências apoiam a eficácia da TCC e dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina para reduzir os sintomas2 de ansiedade infantil. Os inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina também parecem ser efetivos com base em evidências menos consistentes. São necessárias mais pesquisas na área de comparações diretas entre vários medicamentos e a TCC.

Leia também sobre "Ansiedade não patológica", "Suicídio" e "Psicoterapia".

 

Fonte: JAMA Pediatrics, publicação online de 31 de agosto de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Eficácia e segurança da terapia cognitivo-comportamental e da farmacoterapia na ansiedade infantil. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1303508/eficacia-e-seguranca-da-terapia-cognitivo-comportamental-e-da-farmacoterapia-na-ansiedade-infantil.htm>. Acesso em: 14 nov. 2019.

Complementos

1 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Fobias: Medo exagerado, falta de tolerância, aversão.
5 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
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