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Evidências para o envelhecimento cognitivo em mulheres de meia-idade: Study of Women’s Health Across the Nation

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Embora estudos transversais sugiram que o envelhecimento cognitivo1 começa na meia-idade, poucos estudos longitudinais têm documentado declínios no desempenho cognitivo2 dos indivíduos antes da sétima década de vida.

Aprender a partir de testes repetidos ou efeitos de prática pode mascarar o declínio em coortes mais jovens. Nas mulheres, a transição da menopausa3 também afeta o desempenho de testes e pode confundir as estimativas do declínio subjacente.

Saiba mais sobre a "Menopausa3".

Trabalho publicado pela PLOS One foi projetado para determinar se, após o controle para efeitos práticos, a transição da menopausa3 e os sintomas4 associados a ela, há evidência do envelhecimento cognitivo1 em mulheres da meia-idade. Foram utilizados dados de um estudo observacional longitudinal em 2.124 participantes do Study of Women’s Health Across the Nation.

Os resultados analisados foram escores nos testes anuais de velocidade de processamento, memória episódica verbal (imediata e tardia) e memória de trabalho5. Para reduzir o impacto dos efeitos práticos e da transição da menopausa3, foi usado o teste de cognição6 da terceira visita como linha de base.

A idade média nesta linha de base foi de 54 anos e a maioria das mulheres estava na pós-menopausa3. Metade da coorte7 estava há 2 ou mais anos do final do período menstrual. Houve 7.185 avaliações de cognição6 com mediana de tempo de seguimento de 6,5 anos. Na regressão de efeitos mistos, ajustada para efeitos práticos, retenção, sintomas4 de menopausa3 (depressão, ansiedade, distúrbios vasomotores e distúrbios do sono) e covariáveis, as pontuações em 2 a 4 testes de cognição6 declinaram.

Leia sobre "Depressão", "Ansiedade" e "Distúrbios do sono".

O declínio médio na velocidade cognitiva8 foi de 0,28 por ano (intervalo de confiança de 95% [IC 95%] 0,20 a 0,36) ou 4,9% em 10 anos e o declínio médio na memória episódica verbal (teste atrasado) foi de 0,02 por ano (IC 95%: 0,00 a 0,03) ou 2% em 10 anos. Os resultados fornecem uma forte evidência longitudinal de envelhecimento cognitivo1 em mulheres de meia-idade, com declínios substanciais na velocidade de processamento e na memória.

Pesquisas adicionais são necessárias para identificar fatores que influenciam as taxas de declínio e para desenvolver intervenções que retardam o envelhecimento cognitivo1.

Veja também: "Quando a perda de memória não é normal?" e "Como melhorar a sua memória?".

 

Fonte: PLOS One, de 3 de janeiro de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Evidências para o envelhecimento cognitivo em mulheres de meia-idade: Study of Women’s Health Across the Nation. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1286388/evidencias-para-o-envelhecimento-cognitivo-em-mulheres-de-meia-idade-study-of-women-s-health-across-the-nation.htm>. Acesso em: 29 mar. 2020.

Complementos

1 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
2 Desempenho cognitivo: Desempenho dos processos de aprendizagem e de aquisição de conhecimento através da percepção.
3 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Memória de trabalho: Atua no momento em que a informação está sendo adquirida, retendo a informação por alguns segundos e, então, a destinando a ser guardada por períodos mais longos ou a ser descartada. A memória de trabalho pode, ainda, armazenar dados por via inconsciente. Difere da memória de curto prazo pois esta trabalha com as informações por algumas horas até que sejam gravadas de forma definitiva.
6 Cognição: É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, percepção, classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas.
7 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
8 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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