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NEJM: paracetamol versus ibuprofeno em crianças com asma leve persistente

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Estudos têm sugerido uma associação entre o uso frequente de paracetamol e complicações relacionadas à asma1 entre crianças, levando alguns médicos a recomendar que o paracetamol seja evitado em crianças com asma1; no entanto, os ensaios adequadamente concebidos avaliando esta associação são escassos.

Foi conduzido ao longo de 48 semanas um estudo multicêntrico, prospectivo2, randomizado3, duplo-cego, de grupos paralelos, envolvendo 300 crianças (faixa etária de 12 a 59 meses) com asma1 persistente leve. O estudo designou-as para receber ou acetaminofeno (paracetamol) ou ibuprofeno, quando necessário para o alívio da febre4 ou dor.

Os resultados foram publicados pelo periódico The New England Journal of Medicine (NEJM). O desfecho primário foi o número de exacerbações de asma1 que levaram ao tratamento com glicocorticoides sistêmicos5. Crianças em ambos os grupos receberam terapias padronizadas controladoras da asma1, as quais foram usadas em um julgamento simultâneo, fatorialmente ligado.

Os participantes receberam uma média de 5,5 doses (intervalo interquartil 1,0 a 15,0) de medicação do ensaio; não havia nenhuma diferença significativa entre os grupos no número médio de doses recebidas (P=0,47). O número de exacerbações de asma1 não diferiram significativamente entre os dois grupos, com uma média de 0,81 por participante no grupo acetaminofeno e 0,87 por participante no grupo ibuprofeno em mais de 46 semanas de follow-up (taxa relativa de exacerbações de asma1 no grupo acetaminofeno vs grupo ibuprofeno de 0,94; intervalo de confiança de 95% 0,69-1,28; P=0,67).

No grupo do acetaminofeno, 49% dos participantes tinham pelo menos uma exacerbação da asma1 e 21% tinham pelo menos duas, em comparação com 47% e 24%, respectivamente, no grupo do ibuprofeno. Da mesma forma, não foram detectadas diferenças significativas entre o ibuprofeno e o acetaminofeno no que diz respeito à percentagem de dias de controle da asma1 (85,8% e 86,8%, respectivamente; P=0,50), ao uso de um inalador de resgate com albuterol (2,8 e 3,0 inalações por semana, respectivamente; P=0,69), e à utilização de cuidados de saúde6 para a asma1 (0,75 e 0,76 episódios por participante, respectivamente; P=0,94) ou a eventos adversos.

Entre as crianças com asma1 leve persistente, o uso de acetaminofeno conforme a necessidade não foi associado a uma maior incidência7 de exacerbações de asma1 ou a um pior controle da doença do que quando é necessário o uso de ibuprofeno.

Leia também sobre "O que é asma1", "Asma1 brônquica", "Asma1 - Prevenção e Tratamento" e "Paracetamol usado durante a gestação pode estar relacionado a problemas de comportamento na infância"

 

Fonte: The New England Journal of Medicine, de 18 de agosto de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. NEJM: paracetamol versus ibuprofeno em crianças com asma leve persistente. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1279203/nejm-paracetamol-versus-ibuprofeno-em-criancas-com-asma-leve-persistente.htm>. Acesso em: 15 nov. 2019.

Complementos

1 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
2 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
3 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
4 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
5 Sistêmicos: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
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