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Dieta DASH para hipertensos e ingestão de sódio podem reduzir o ácido úrico em pacientes com hiperuricemia

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Dados de ensaios clínicos1 orientando recomendações dietéticas para reduzir o ácido úrico no soro2, o precursor etiológico3 da gota4, são escassos. Foram examinados os efeitos da dieta DASH (uma dieta bem estabelecida que reduz a pressão arterial5) e dos níveis de ingestão de sódio e suas influências nos níveis de ácido úrico no soro2.

Veja os artigos sobre "Ácido úrico" e "Gota4".

Foi realizado um estudo paralelo a um ensaio randomizado6, com alimentação cruzada, em 103 adultos com pré-hipertensão7 ou hipertensão arterial8 em estágio 1. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber ou a dieta DASH ou uma dieta controle (típica da dieta americana) e foram alimentados com níveis de sódio baixo, médio e alto, durante 30 dias com cada um dos níveis de sódio, em ordem aleatória. O peso corporal foi mantido constante. Os níveis de ácido úrico foram medidos no início do estudo e após cada período de alimentação.

Conheça como é a "Dieta DASH para hipertensos" e leia sobre "Hipertensão arterial8".

Dos indivíduos estudados, 55% eram mulheres e 75% negras, com idade média de 52 anos (DP de 10 anos) e a média dos níveis de ácido úrico no soro2 era de 5,0 (DP 1,3) mg/dL9. A dieta DASH reduziu os níveis de ácido úrico no soro2 em -0,35 mg/dL9 (IC 95%: -0,65, -0,05; P=0,02), com um efeito maior (-1,3 mg/dL9; IC 95%: -2.50, -0.08) entre os participantes (N=8) com níveis de ácido úrico no soro2 no início do estudo ≥7 mg/dL9. O aumento da ingestão de sódio a partir do nível mais baixo, diminuiu os níveis de ácido úrico no soro2 em -0,3 mg/dL9 (IC 95% CI: -0,5, -0,2; P<0,001) durante o nível intermediário de sódio na dieta e em -0,4 mg/dL9 (IC 95%: -0,6, -0,3; P<0,001) durante o nível mais alto de ingestão de sódio.

Concluiu-se que a dieta DASH reduziu os níveis de ácido úrico no soro2 e este efeito foi maior entre os participantes com hiperuricemia. Além disso, verificou-se que a maior ingestão de sódio diminuía os níveis de ácido úrico no soro2, o que aumenta o nosso conhecimento sobre a fisiopatologia10 e sobre os fatores de risco da hiperuricemia.

Saiba mais no artigo "Dieta para hipertensos. O que reduz a pressão arterial5?".

 

Fonte: Arthritis & Rheumatology, publicação online, de 14 de agosto de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. Dieta DASH para hipertensos e ingestão de sódio podem reduzir o ácido úrico em pacientes com hiperuricemia. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1273338/dieta-dash-para-hipertensos-e-ingestao-de-sodio-podem-reduzir-o-acido-urico-em-pacientes-com-hiperuricemia.htm>. Acesso em: 17 out. 2019.

Complementos

1 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
2 Soro: Chama-se assim qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
3 Etiológico: Relativo à etiologia; que investiga a causa e origem de algo.
4 Gota: 1. Distúrbio metabólico produzido pelo aumento na concentração de ácido úrico no sangue. Manifesta-se pela formação de cálculos renais, inflamação articular e depósito de cristais de ácido úrico no tecido celular subcutâneo. A inflamação articular é muito dolorosa e ataca em crises. 2. Pingo de qualquer líquido.
5 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
6 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
7 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
8 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
9 Mg/dL: Miligramas por decilitro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
10 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
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