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Mosquito transgênico, resistente à malária, pode reduzir a população do mosquito transmissor e ajudar na erradicação da doença

quinta-feira, 5 de abril de 2007
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Mosquito transgênico, resistente à malária, pode reduzir a população do mosquito transmissor e ajudar na erradicação da doença

O bioquímico brasileiro Marcelo Jacobs-Lorena e colaboradores da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (EUA), se destacaram na área de pesquisa com a criação de um mosquito transgênico resistente à malária. O estudo foi publicado no último dia 21 na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of  Science) e significa um importante passo para a erradicação da malária.

O estudo, que contou com a participação de Mauro Marrelli, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e do bioquímico brasileiro Marcelo Jacobs-Lorena, mostrou que mosquitos modificados por engenharia genética resistem ao parasita causador da malária e conseguem se multiplicar mais rapidamente que o inseto "selvagem", transmissor da doença. Outro estudo, divulgado na semana passada, mostrou que seria possível introduzir estes mosquitos transgênicos na natureza para que se espalhem e predominem sobre os outros insetos, contribuindo para o controle da malária. Mas novos estudos são ainda necessários para introduzir genes refratários (de resistência à malária) em mosquitos da natureza.

As soluções propostas para que genes que tornam os mosquitos refratários ao parasita possam passar a populações de mosquitos selvagens ainda não têm muita chance de sucesso, como os elementos de transposição, bactérias Wolbachia, etc. A curto prazo, a paratransgênese (introduzir bactérias geneticamente modificadas no intestino do mosquito) tem mais chance, segundo esclareceram os pesquisadores.

Em laboratório, o mesmo número de mosquitos selvagens e de mosquitos transgênicos picou ratos infectados com a malária. À medida que se reproduziram, um número maior de mosquitos transgênicos conseguiu sobreviver. Depois de nove gerações, 70% dos insetos monitorados pertenciam à variedade resistente à doença. A contagem dos mosquitos foi facilitada pois os cientistas inseriram, nos mosquitos geneticamente modificados, uma proteína fluorescente que conferia um brilho esverdeado aos olhos dos insetos. O próximo passo é testar o novo mosquito em céu aberto.

A malária, que se propaga através do parasita plasmódio, formado por uma única célula, é endêmica em partes da Ásia, África, América Central e América do Sul. Até o momento existem medicamentos que matam o parasita no ser humano e inseticidas que matam os mosquitos. Há dificuldades com ambos, principalmente com relação à resistência.

Os estudiosos alertam que os estudos  foram realizadas com o Plasmodium berghei, uma variante do parasita que infecta os ratos, mas não com o Plasmodium falciparum, responsável pela forma mais grave de malária humana.

Fonte: Proceedings of the National Academy of  Science

   
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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