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Governo investe pesado no Plano Brasileiro de Preparação para a Pandemia de Gripe

quinta-feira, 17 de novembro de 2005
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Governo investe pesado no Plano Brasileiro de Preparação para a Pandemia de Gripe

O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, garantiu hoje no Rio de Janeiro que o Brasil não vai ficar atrás de país algum em termos de preparação para uma possível pandemia de gripe. Em entrevista coletiva, ele anunciou que não medirá esforços para proteger a população contra a doença. Hoje à noite, o ministro participa da abertura do Seminário Internacional sobre Gripe, que até sexta-feira reúne, no Rio, autoridades e especialistas estrangeiros para a troca de experiências sobre a preparação contra a doença.

Saraiva Felipe explicou que o governo está investindo, num primeiro momento, R$ 260 milhões. A verba é aplicada na aquisição de 90 milhões de doses do antiviral Tamiflu, na prepararação do laboratório Butantan para fabricar a vacina contra a doença e na ampliação da rede de unidades-sentinela (o objetivo dessas unidades é dar o alerta ao primeiro diagnóstico de gripe aviária).

No mês de outubro, o ministro participou, em Ottawa, no Canadá, do Encontro Internacional de Ministros de Saúde sobre Pandemia de Gripe, onde defendeu o fortalecimento da vigilância epidemiológica em escala mundial e a facilitação do acesso dos países a vacinas e antivirais como forma de evitar o surgimento de uma possível pandemia de gripe.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva baixou decreto, em 24 de outubro deste ano, criando um grupo de trabalho interministerial, coordenado pelo Ministério da Saúde, com vistas a uma execução integrada do Plano Brasileiro de Preparação para a Pandemia de Gripe. Esse plano será apresentado aos participantes do seminário.

Entre as principais ações do plano já implantadas, estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica para o adequado monitoramento da doença e da rede de laboratórios para a detecção do vírus que causa a gripe. Outra medida é adequar as instalações do Instituto Butantan, em São Paulo, para a produção de uma vacina nacional.

Veja abaixo as medidas do plano que já se encontram em implantação:


- Fortalecimento da vigilância epidemiológica da influenza, inclusive com a ampliação da capacidade laboratorial para o diagnóstico rápido da doença em situações de surto e identificação das cepas circulantes. O Sistema de Vigilância da Influenza no Brasil atualmente está implantado em 21 Unidades Federadas, contando com uma rede de 46 unidades sentinelas. Essa rede atendeu a cerca de 210 mil casos de síndrome gripal, em 2004, tendo coletado 2.269 amostras para identificação de vírus;

- Constituição de um estoque estratégico do antiviral Oseltamivir (Tamiflu) para a ser utilizado em situações especiais durante uma possível pandemia. O Ministério da Saúde acertou com o laboratório produtor a compra de nove milhões de tratamentos;

- Preparação do Instituto Butantan para a produção da vacina contra a cepa pândemica. O Ministério da Saúde repassou recursos para acelerar a preparação de uma instalação emergencial, que estará pronta para fabricação já no início do próximo ano, uma vez que a nova fábrica de vacinas que está sendo construída com recursos do ministério e do Governo do Estado de São Paulo só ficará pronta no final de 2006. Tão logo os problemas tecnológicos ainda existentes para a produção de uma vacina contra uma cepa de alta patogenicidade do vírus influenza sejam superados, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estrá informada de nossa capacidade para produzir esta vacina no Brasil. Ressalte-se que a produção mundial de vacinas contra uma pandemia de influenza depende de qual será efetivamente a cepa pandêmica (lembra-se aqui que a H5N1 é uma cepa aviária que, excepcionalmente, tem causado infecções em humanos e que mesmo que esta venha a adquirir condições biológicas para uma transmissão ampliada na população humana, poderá ter características que impliquem em ajustes na formulação de uma vacina).

Influenza

A influenza ou gripe é uma doença infecciosa aguda do sistema respiratório, que pode ser provocada por um dos três tipos do vírus influenza, denominados A, B ou C. Além dos seres humanos, este vírus também pode ser encontrado em outras espécies animais, tais como aves, porcos e eqüinos.

Os dois primeiros tipos, em particular o vírus influenza A, devido às pequenas mutações periódicas na estrutura do seu genoma, têm a capacidade de gerar novas cepas que vão produzir novos casos da doença na população. Este fenômeno é o que explica a ocorrência de surtos ou epidemias, em especial os idosos. Em 2005, o Brasil atingiu um dos maiores índices mundiais de vacinação, com 86% de cobertura vacinal nos maiores de 60 anos.

As mutações podem produzir uma cepa completamente nova, para a qual toda a população é suscetível, gerando condições para a ocorrência de uma epidemia em escala internacional, denominada pandemia. Geralmente, este fenômeno acontece quando uma cepa, que originalmente só infectava animais, como as aves, atravessa a barreira das espécies, passa a infectar diretamente os seres humanos e, posteriormente, adquire a capacidade de transmissão entre humanos.

No Século XX ocorreram quatro pandemias de influenza: a Gripe Espanhola de 1918, com impacto importante na mortalidade, a Gripe Asiática de 1957, a Gripe de Hong Kong de 1968 e a Gripe Russa de 1977. Essas três últimas tiveram um impacto maior na morbidade do que na mortalidade, sendo a última considerada uma "pandemia benigna", pelo baixo impacto na saúde das populações.

Fonte: Ministério da Saúde

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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