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Nature Communications: por que alguns tumores de mama são difíceis de tratar?

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Pesquisadores do Cancer1 Research UK Cambridge Institute e da Universidade de Cambridge analisaram amostras tumorais do estudo METABRIC - que revelou que o câncer1 de mama2 pode ser classificado como dez diferentes doenças - para obter uma compreensão mais profunda das falhas genéticas destes dez subtipos. Os resultados da pesquisa dão detalhes sobre quais alterações genéticas podem estar ligadas à forma como diferentes tipos de câncer1 de mama2 se desenvolvem e progridem.

Neste estudo, foram sequenciados 173 genes em 2.433 tumores mamários primários com informações sobre o número de cópias de aberração (CNA), expressão de genes e dados de acompanhamento clínico de longo prazo. Foram identificadas 40 "mutações condutoras3", ou “mutation-driver (Mut-driver)” em inglês, que levam à progressão do câncer1 de mama2. Apenas uma fração desses genes era conhecida previamente por estar envolvida no desenvolvimento do câncer1 de mama2.

Os pesquisadores também descobriram que um dos genes mutados, chamado PIK3CA, está mais ligado à redução das chances de sobrevivência4 para três dos dez subgrupos de câncer1 de mama2 ER-positivos (definidos por amplificação de 17q23, 11q13-14 ou 8q24). Fundamentalmente, isso pode ajudar a explicar porque as medicações que têm como alvo o PIK3CA funcionam para algumas mulheres, mas não para outras.

Estes resultados reforçam a importância da estratificação baseada no genoma do câncer1 de mama2 e têm implicações importantes para a concepção5 de novas estratégias terapêuticas. Os pesquisadores acreditam que as conclusões do estudo podem ajudar a encontrar medicamentos específicos para estas falhas genéticas e para lentificar ou até mesmo interromper a progressão da doença no futuro.

A pesquisa também fornece informações que ajudam a projetar estudos e a inventar novos testes de diagnóstico6 para orientar o tratamento de pacientes com câncer1 de mama2 no futuro. Além de acrescentar informações mais detalhadas ao METABRIC, que traçou planos genéticos para o câncer1 de mama2 e foi o maior estudo molecular que avaliou como pacientes evoluem após o tratamento para qualquer tipo de câncer1. Ele foi realizado pelo Cancer1 Research UK, em colaboração com a British Columbia Cancer1 Agency.

 

Fonte: Nature Communications, em 10 de maio de 2016

NEWS.MED.BR, 2016. Nature Communications: por que alguns tumores de mama são difíceis de tratar?. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/930149/nature-communications-por-que-alguns-tumores-de-mama-sao-dificeis-de-tratar.htm>. Acesso em: 22 set. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
3 Mutações condutoras: Também conhecidas como “driver mutations“ são aquelas que tem efeito causal sobre o crescimento de células cancerígenas.
4 Sobrevivência: 1. Ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir. 2. Característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro. Condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa. 3. Sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
5 Concepção: O início da gravidez.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
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