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Menstruação em adolescentes: uso do ciclo menstrual como um sinal vital

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Um comitê de especialistas apresentou no The American Congress of Obstetricians and Gynecologists de 2015 as principais avaliações que devem ser feitas do ciclo menstrual em adolescentes, objetivando a detecção precoce de possíveis alterações que indiquem potenciais problemas de saúde1 na idade adulta.

Apesar das variações em todo o mundo e dentro da população norte americana, a mediana para a menarca2 manteve-se relativamente estável entre 12 e 13 anos de idade em adolescentes de populações bem nutridas de países desenvolvidos. Fatores ambientais, incluindo as condições socioeconômicas, nutrição3 e acesso a cuidados de saúde1 preventivos podem influenciar no início e na progressão da puberdade. Algumas condições médicas podem causar hemorragia4 uterina anormal, caracterizando uma periodicidade imprevisível e variação da quantidade de fluxo. Os médicos devem educar as meninas e seus cuidadores (por exemplo, os pais ou responsáveis) sobre o que esperar de um primeiro período menstrual (menarca2) e sobre qual é a duração normal do ciclo menstrual e das menstruações subsequentes.

A identificação de padrões menstruais anormais na adolescência pode melhorar o diagnóstico5 precoce de potenciais problemas de saúde1 na idade adulta. É importante que os médicos tenham uma boa compreensão dos padrões menstruais das adolescentes, da capacidade de diferenciar entre uma menstruação6 normal e anormal e habilidade para saber como avaliar uma paciente adolescente.

Ao incluir uma avaliação do ciclo menstrual como um sinal7 vital adicional, os médicos reforçam a sua importância na avaliação de estado geral de saúde1 para as pacientes e seus cuidadores.

Alguns tópicos sobre as principais informações a serem seguidas:

O que é normal no ciclo menstrual das adolescentes:

  • Menarca2 (idade média): 12,43 anos
  • Média do intervalo entre os ciclos menstruais: 32,2 dias no primeiro ano após a menarca2
  • Intervalo do ciclo menstrual: tipicamente 21 a 45 dias
  • Duração do fluxo menstrual: 7 dias ou menos
  • Quantidade de absorventes usados por dia: 3 a 6 absorventes ao dia

Causas de sangramentos uterinos anormais em adolescentes:

  • Gravidez8
  • Imaturidade do eixo hipotálamo9-hipófise10-ovariano
  • Anovulação11 hiperandrogênica (ex. síndrome12 dos ovários13 policísticos, hiperplasia14 adrenal congênita15, tumores produtores de androgênios, etc.)
  • Coagulopatias (ex. doença de von Willebrand, alterações da função plaquetária, insuficiência hepática16, etc.)
  • Disfunção hipotalâmica (ex. obesidade17, desnutrição18, perda rápida de peso corporal, disfunção hipotalâmica relacionada ao estresse, etc.)
  • Hiperprolactinemia
  • Doenças da tireoide19
  • Doença primária da hipófise10
  • Insuficiência20 ovariana primária
  • Iatrogenia (ex. secundária à quimioterapia21 ou à radioterapia22)
  • Medicações (ex. contracepção23 hormonal ou terapia com anticoagulantes24)
  • Doenças sexualmente transmissíveis (ex. cervicite25)
  • Malignidade (ex. tumores ovarianos produtores de estrogênio, tumores produtores de androgênio ou rabdomiossarcoma26)
  • Lesões27 uterinas

Anormalidades menstruais que podem requerer avaliação:

Períodos menstruais que:

  • Não tenham início em até 3 anos após a telarca
  • Não tenham começado até os 14 anos quando há sinais28 de hirsutismo29
  • Não tenham começado até os 14 anos quando há história clínica ou exame físico sugestivo de distúrbios alimentares ou excesso de atividades físicas
  • Não tenham início até 15 anos de idade
  • Ocorrem com uma frequência menor que 21 dias ou maior que 45 dias
  • Ocorrem com 90 dias de intervalo, mesmo para um ciclo
  • Tenham duração maior do que 7 dias de fluxo
  • Requerem muitas trocas de absorventes ao dia (ex. a cada uma ou duas horas)
  • São muito fortes e associados a uma história de lesão30 ou sangramento excessivo ou a uma história familiar de doenças da coagulação31 sanguínea

 

Fonte: The American Congress of Obstetricians and Gynecologists - Committee Opinion, número 651, de dezembro de 2015

NEWS.MED.BR, 2015. Menstruação em adolescentes: uso do ciclo menstrual como um sinal vital. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/812809/menstruacao-em-adolescentes-uso-do-ciclo-menstrual-como-um-sinal-vital.htm>. Acesso em: 18 out. 2019.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Menarca: Refere-se à ocorrência da primeira menstruação.
3 Nutrição: Incorporação de vitaminas, minerais, proteínas, lipídios, carboidratos, oligoelementos, etc. indispensáveis para o desenvolvimento e manutenção de um indivíduo normal.
4 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
7 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
8 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
9 Hipotálamo: Parte ventral do diencéfalo extendendo-se da região do quiasma óptico à borda caudal dos corpos mamilares, formando as paredes lateral e inferior do terceiro ventrículo.
10 Hipófise:
11 Anovulação: Alteração no funcionamento dos ovários, capaz de alterar a produção, maturação ou liberação normal de óvulos. Esta alteração pode ser intencional (como a induzida pelas pílulas anticoncepcionais) ou ser endógena. Pode ser uma causa de infertilidade.
12 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
13 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
14 Hiperplasia: Aumento do número de células de um tecido. Pode ser conseqüência de um estímulo hormonal fisiológico ou não, anomalias genéticas no tecido de origem, etc.
15 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
16 Insuficiência hepática: Deterioração grave da função hepática. Pode ser decorrente de hepatite viral, cirrose e hepatopatia alcoólica (lesão hepática devido ao consumo de álcool) ou medicamentosa (causada por medicamentos como, por exemplo, o acetaminofeno). Para que uma insuficiência hepática ocorra, deve haver uma lesão de grande porção do fígado.
17 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
18 Desnutrição: Estado carencial produzido por ingestão insuficiente de calorias, proteínas ou ambos. Manifesta-se por distúrbios do desenvolvimento (na infância), atrofia de tecidos músculo-esqueléticos e caquexia.
19 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
20 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
21 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
22 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
23 Contracepção: Qualquer processo que evite a fertilização do óvulo ou a implantação do ovo. Os métodos de contracepção podem ser classificados de acordo com o seu objetivo em barreiras mecânicas ou químicas, impeditivas de nidação e contracepção hormonal.
24 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
25 Cervicite: Inflamação infecciosa do colo uterino.Pode não apresentar sintomas ou pode manifestar-se por dor no baixo ventre, secreção vaginal purulenta, dor ou “pontadas” associadas ao coito (dispareunia).
26 Rabdomiossarcoma: Rabdomiossarcoma é um câncer de origem embrionária que atinge as células que se tornam os músculos do corpo.
27 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
28 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
29 Hirsutismo: Presença de pêlos terminais (mais grossos e escuros) na mulher, em áreas anatômicas características de distribuição masculina, como acima dos lábios, no mento, em torno dos mamilos e ao longo da linha alba no abdome inferior. Pode manifestar-se como queixa isolada ou como parte de um quadro clínico mais amplo, acompanhado de outros sinais de hiperandrogenismo (acne, seborréia, alopécia), virilização (hipertrofia do clitóris, aumento da massa muscular, modificação do tom de voz), distúrbios menstruais e/ou infertilidade.
30 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
31 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
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