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The Lancet publica série de três artigos sobre saúde mental perinatal

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O periódico The Lancet publicou uma série de três artigos sobre a “Saúde Mental Perinatal” para analisar os efeitos dos transtornos mentais perinatais sobre a mãe e o bebê. O primeiro artigo examina doenças mentais não psicóticas, tais como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. O segundo artigo analisa a doença mental grave, com foco no transtorno bipolar, psicose1 e esquizofrenia2. O terceiro artigo resume as evidências a respeito dos efeitos da saúde3 mental dos pais sobre a criança, desde o período fetal até a adolescência, em países de baixa e alta rendas.

Transtornos mentais não-psicóticos no período perinatal: primeiro artigo

Os transtornos mentais estão entre as morbidades mais comuns da gravidez4 e do período pós-natal e podem ter efeitos adversos sobre a mãe, o filho e toda a família. Este primeiro artigo resume as evidências sobre a epidemiologia, fatores de risco, identificação e intervenções para os transtornos mentais não-psicóticos. Embora a fenomenologia e os fatores de risco para os transtornos mentais perinatais sejam muito semelhantes àqueles para os transtornos em outras épocas, as considerações de tratamento diferem durante a gravidez4 e a amamentação5. Ensaios controlados randomizados examinaram as intervenções psicossociais e psicológicas para a depressão pós-parto, com evidência para a eficácia no tratamento e na prevenção da doença. Poucos estudos de alta qualidade existem sobre a eficácia ou a segurança dos tratamentos farmacológicos no período perinatal, apesar das altas taxas de prescrições neste período. Os princípios gerais de prescrição de medicamentos no período perinatal são fornecidos, incluindo uma diretriz sobre a prescrição de medicamento no período perinatal, mas as análises de risco-benefício individuais são ainda necessárias para as tomadas de decisões sobre o tratamento.

Transtorno bipolar, psicose1 afetiva e esquizofrenia2 na gravidez4 e no período pós-parto: segundo artigo

O período perinatal está associado a um risco aumentado para perturbações mentais graves. Os pesquisadores resumiram as evidências sobre a epidemiologia, os fatores de risco e o tratamento de doenças mentais graves em relação ao parto, com foco no transtorno bipolar, psicose1 e esquizofrenia2. Foi realizada uma discussão sobre as mulheres com condições crônicas em andamento e aquelas com o aparecimento de novos episódios de psicose1 pós-parto. Apesar da importância dos episódios perinatais, com o suicídio sendo a principal causa de morte materna, poucos estudos estão disponíveis para orientar o manejo das mulheres com transtornos mentais graves na gravidez4 e no período pós-parto. No entanto, são discutidos os princípios gerais de manejo, incluindo a necessidade de uma análise individual de risco-benefício para cada mulher.

Efeitos dos transtornos mentais perinatais sobre o feto6 e a criança: terceiro artigo

Transtornos mentais perinatais estão associados ao aumento do risco de distúrbios psicológicos e de alterações do desenvolvimento em crianças. No entanto, esses distúrbios não são inevitáveis. Neste artigo da série, foram resumidas as evidências de associação entre distúrbios dos pais e os resultados observados na prole, do desenvolvimento fetal à adolescência em países de rendas alta, média e baixa. Avaliou-se as evidências para os mecanismos subjacentes de transmissão da perturbação, o papel das variáveis mediadoras (ligações entre a psicopatologia dos pais e os resultados na prole), os possíveis moderadores (que alteram a força de qualquer associação) e concentrou-se em fatores que são potencialmente modificáveis, incluindo a qualidade da relação dos pais, o apoio social (incluindo o apoio dos parceiros), o apoio material e a duração da doença dos pais. As pesquisas de intervenções foram revisadas, entre as quais predominam aquelas sobre depressão materna. Enfatizou-se a necessidade tanto de tratar o transtorno dos pais quanto de ajudar com as dificuldades associadas aos cuidados do recém-nascido.

Concluiu-se sobre as implicações políticas envolvidas, sublinhou-se a necessidade de identificação precoce dos pais com alto risco para doenças mentais, de intervenções mais precoces e de pesquisas sobre prevenção, especialmente em populações socioeconomicamente desfavorecidas e em países de baixa renda.

Fonte: The Lancet, volume 384, número 9.956, de 15 de novembro de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. The Lancet publica série de três artigos sobre saúde mental perinatal. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/583802/the-lancet-publica-serie-de-tres-artigos-sobre-saude-mental-perinatal.htm>. Acesso em: 27 out. 2020.

Complementos

1 Psicose: Grupo de doenças psiquiátricas caracterizadas pela incapacidade de avaliar corretamente a realidade. A pessoa psicótica reestrutura sua concepção de realidade em torno de uma idéia delirante, sem ter consciência de sua doença.
2 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
5 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
6 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
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