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Substituir arroz branco por arroz integral pode diminuir risco de obesidade e diabetes mellitus, em trabalho apresentado na International Diabetes Federation World Diabetes Conference 2013

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Comer arroz integral ao invés de arroz branco pode ajudar a prevenir e controlar o diabetes mellitus1 em populações que se alimentam basicamente de arroz, sugere nova pesquisa. O primeiro ensaio clínico randomizado2 para comparar a ingestão desses dois tipos de arroz foi realizado na Índia, em uma população de indivíduos com sobrepeso3/obesidade4, e mostrou que houve redução significativa dos níveis de glicose5 e de insulina6 de jejum.

As descobertas foram publicadas por V. Mohan, da Madras Diabetes7 Research Foundation, World Health Organization Collaborative Centre for Non-Communicable Disorders, em Chennai, na Índia, na sede da conferência International Diabetes7 Federation World Diabetes7 Conference 2013 no último mês.

“Esta única mudança do arroz branco pelo arroz integral é um marco importante na dieta e ajuda a reduzir os níveis de glicose5 no sangue”, disse o Dr. Mohan. “Isso também ajuda a reduzir os níveis séricos de insulina6 e, portanto, a hipótese de que, em populações onde o arroz branco é um alimento básico e constitui mais de 50% do total de calorias8 ingeridas, apenas esta substituição pode ajudar na prevenção e no controle do diabetes mellitus1.”

Dr. Mohan disse que sua equipe está agora realizando um estudo em adultos com pré-diabetes9 para ver se a substituição do arroz branco pelo integral irá contribuir para a prevenção do desenvolvimento de diabetes tipo 210.

O Dr. Mohan explicou que o consumo de arroz varia em toda a Índia, no sul e em algumas partes do leste da Índia são lugares onde o arroz é o alimento básico da dieta, enquanto que no norte da Índia, o básico tende a ser o trigo na forma de pão. "Mas mesmo aqui, o trigo consumido não é trigo integral, e, portanto, ele tem um alto índice glicêmico (IG)", observou.

Entre os adultos de Chennai, o arroz branco, um grão refinado com um alto IG, fornece cerca de metade das calorias8 diárias e tem sido associado ao risco para a síndrome metabólica11, disse ele.

Em seu estudo randomizado12, ele e seus colegas observaram 150 adultos com um índice de massa corporal13 (IMC14) de 23 kg/m² ou superior e sem doenças crônicas conhecidas, para fazerem uma dieta baseada em arroz branco ou arroz integral por três meses. O arroz em questão foi consumido como o principal constituinte das refeições indianas típicas em pelo menos seis dias por semana, durante o período de acompanhamento. No final de cada período de três meses, fazia-se um intervalo de duas semanas, e os participantes trocavam para o outro tipo de arroz.

A ingestão alimentar habitual foi avaliada através de questionários de frequência alimentar no início do estudo e em 24 horas de recall mensal. Altura, peso e circunferência da cintura foram medidos no início do estudo e no final de cada mês durante o período de estudo para cada dieta. A glicemia15 e a insulina6 de jejum também foram medidas.

A média de concentração de glicose5 em cinco dias foi aproximadamente 20% menor entre aqueles que consumiram arroz integral como alimento principal da dieta, com base na monitorização contínua da glicose5 (P=0,004). E as concentrações de insulina6 de jejum foram 57% menores entre aqueles que comiam à base de arroz integral (P=0,0001).

Embora sejam necessários mais estudos confirmatórios, o Dr. Mohan disse que a substituição de arroz branco pelo arroz integral é uma estratégia promissora que esta equipe de pesquisadores está agora explorando em um estudo maior em adultos com pré-diabetes9.

Fonte: World Diabetes7 Congress 2013

NEWS.MED.BR, 2014. Substituir arroz branco por arroz integral pode diminuir risco de obesidade e diabetes mellitus, em trabalho apresentado na International Diabetes Federation World Diabetes Conference 2013. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/518607/substituir-arroz-branco-por-arroz-integral-pode-diminuir-risco-de-obesidade-e-diabetes-mellitus-em-trabalho-apresentado-na-international-diabetes-federation-world-diabetes-conference-2013.htm>. Acesso em: 11 mai. 2021.

Complementos

1 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
2 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
3 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
4 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
5 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
6 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
8 Calorias: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc.
9 Pré-diabetes: Condição em que um teste de glicose, feito após 8 a 12 horas de jejum, mostra um nível de glicose mais alto que o normal mas não tão alto para um diagnóstico de diabetes. A medida está entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. A maioria das pessoas com pré-diabetes têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.
10 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
11 Síndrome metabólica: Tendência de várias doenças ocorrerem ao mesmo tempo. Incluindo obesidade, resistência insulínica, diabetes ou pré-diabetes, hipertensão e hiperlipidemia.
12 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
13 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
14 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
15 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
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