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Fidget Spinners: visão de um pediatra

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Fidget spinners viraram mania da criançada em todas as idades. Supõe-se que eles reduzam a ansiedade e o estresse e ajudem crianças com transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e autismo. Alok Patel, médico e professor de pediatria clínica na Columbia University College of Physicians and Surgeons deu sua opinião a respeito desse novo brinquedo.

Todos sabemos que é importante entender sobre pesquisas médicas e inovações que interessem a nossos pacientes. A menos que você viva em uma ilha deserta, provavelmente já ouviu falar sobre os Fidget Spinners. Está sendo divulgado que os Fidget Spinners são um avanço para crianças com transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) , autismo, ansiedade e estresse, e os fabricantes afirmam que eles melhoram a concentração.

Saiba mais sobre "Autismo", "Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)", "Ansiedade" e "Estresse".

Alok Patel não sabia como avaliar essas afirmações, então fez uma pesquisa e se espantou ao ver que na cidade de Nova York, perguntando sobre o assunto em uma noite num hospital, toda criança tinha pelo menos um em casa e que a maioria das crianças estava com um deles no hospital, girando o brinquedo, sem parar.

O Fidget Spinner é o brinquedo mais vendido na Amazon, você pode comprar versões de colecionadores entre milhares de modelos disponíveis. Mas eles realmente funcionam? Mais importante, existem preocupações de segurança? The Consumer Product Safety Commission está realmente investigando os incidentes1 de engasgamento? As escolas os estão proibindo. Os especialistas americanos não os estão endossando. Na Irlanda, recolheram 200 mil para uma revisão de segurança. Para Alok Patel, eles não parecem muito confiáveis.

No Texas, uma garota de 10 anos estava sentada no banco de trás do carro, com seu Fidget Spinner, e acidentalmente um dos rolamentos se desencaixou e foi parar em seu esôfago2. Médicos que quiserem conhecer melhor radiografias dos Fidget Spinners podem dar uma olhada no Google buscando por "fidget spinner x-ray". Os pediatras precisam lembrar que qualquer coisa que esteja na mão3 de uma criança pode passar pela boca4 dela de alguma forma. Esses rolamentos não são tão seguros. Então, este também é um risco especial para crianças com atrasos no desenvolvimento, que parecem ser uma população alvo dos anunciantes deste produto.

Alok Patel escolheu histórias de amigos pediatras sobre o brinquedo para contar: um deles atendeu na urgência5 de um hospital uma criança com lesão6 por estresse pois girou o brinquedo continuamente por 8 horas. Outro viu uma criança com laceração de queixo pois estava girando o brinquedo enquanto caminhava e caiu em uma calçada. Existem outros casos de lesões7 nos olhos8 também.

Nas propagandas podem ser vistas afirmações como: "Maior foco para aqueles que sofrem de TDAH, ansiedade e autismo"; "Agitação discreta ajuda a abandonar maus hábitos"; "Melhore sua criatividade!". Nenhuma pesquisa ou evidência médica baseada em evidências apoia esses apelos de venda. O que é mostrado, porém, é que algumas crianças com TDAH podem se beneficiar de uma pequena quantidade de atividade em segundo plano.

Dois estudos, um publicado no Journal of Abnormal Child Psychology e outro no Child Neuropsychology, mostraram que algumas crianças com TDAH podem ter a memória funcional e o desempenho cognitivo9 melhorados com leve atividade de coordenação motora bruta. A maneira como o pediatra traduz aos pais estas informações é simples: coisas como andar enquanto fala, apertar uma bola anti-estresse, sentar em uma bola inflável de exercícios enquanto faz a lição de casa pode ser benéfico para crianças com TDAH. Mas isso não tem nada a ver com, por exemplo, levar uma dessas coisas para a escola!

Esses novos brinquedos são cativantes e bonitos e muito provavelmente são apenas uma distração. Segundo Alok Patel, ele não diria a nenhum pai que está lidando com as dificuldades de um filho hiperativo para permitir que um giro de fidget os impeça de realmente fazer o acompanhamento adequado de seu filho com um especialista.

Com crianças autistas, o pediatra diz que alguns pais relatam usos interessantes desses pequenos dispositivos coloridos. Tendo consciência do risco em relação à segurança, eles usam o brinquedo principalmente como uma forma de criar vínculo afetivo com seus filhos. No entanto, o pediatra diz aos pais que o dispositivo não é um substituto para a terapia ocupacional10 ou comportamental baseada em evidências.

Mesmo que sejam realmente legais e chamativos, existem riscos ocultos de segurança. Como os rolamentos não são tão seguros, os pais precisam receber este alerta, tanto para este como para qualquer outro brinquedo.

Não adianta querer lutar contra esta moda, precisamos relaxar, mas levando em consideração os perigos e evitando acidentes que podem ser prevenidos com o uso adequado do brinquedo.

Veja também sobre "Sintomas11 precoces de autismo" e "Crianças e adolescentes e as mídias digitais".

 

Fonte: Medscape.com, em 5 de junho de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Fidget Spinners: visão de um pediatra. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1299658/fidget+spinners+visao+de+um+pediatra.htm>. Acesso em: 8 dez. 2019.

Complementos

1 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
2 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
3 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
4 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
5 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
6 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
7 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
8 Olhos:
9 Desempenho cognitivo: Desempenho dos processos de aprendizagem e de aquisição de conhecimento através da percepção.
10 Terapia ocupacional: A terapia ocupacional trabalha com a reabilitação das pessoas para as atividades que elas deixaram de fazer devido a algum problema físico (derrame, amputação, tetraplegia), psiquiátrico (esquizofrenia, depressão), mental (Síndrome de Down, autismo), geriátrico (Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson) ou social (ex-presidiários, moradores de rua), objetivando melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Além disso, ela faz a organização e as adaptações do domicílio para facilitar o trânsito dessa pessoa e as medidas preventivas para impedir o aparecimento de deformidades nos braços fazendo exercícios e confeccionando órteses (aparelhos confeccionados sob medida para posicionar partes do corpo).
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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