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Whey protein no café da manhã induz a uma maior redução da glicemia, perda de peso e saciedade, em comparação com outras fontes de proteína no diabetes tipo 2

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O whey protein deve ser considerado um importante coadjuvante1 no tratamento do diabetes2 tipo 2. Evidências substanciais reforçam a teoria de que um café da manhã com muita energia e proteína e um jantar reduzido é uma estratégia bem sucedida para a redução da glicemia pós-prandial3 geral (PPG), HbA1c4 e perda de peso (WL) em diabéticos obesos tipo 2 (DT2).

Algumas fontes de proteína, no entanto, têm ainda maiores efeitos do que outras no rebaixamento glicêmico. Particularmente o whey protein exerce um efeito insulinotrópico potente através do reforço de aminoácidos plasmáticos e de peptídeo tipo glucagon5 1 (GLP-1) para reduzir a glicemia pós-prandial3 na DT2. Este estudo foi realizado para avaliar se um café da manhã rico em proteínas6, contendo whey protein, tem um impacto maior sobre a PPG, HbA1c4, perda de peso global e saciedade do que outras fontes diferentes de proteína.

Cerca de 50 diabéticos tipo 2 desde os 10,8 ± 2,5 anos, tratados com dieta ou dieta mais metformina7, com idades de 58,9 ± 4,5 anos, IMC8 de 32,1 ± 0,9 kg/m² e HbA1c4 de 7,8±0,1%, foram randomizados para 12 semanas em uma das três dietas isocalóricas, com café da manhã rico em proteínas6 e energia (660 kcal), almoço (560 kcal) e jantar (280 kcal), com a mesma composição no almoço e jantar, mas com composição diferente de proteína (P) no café da manhã:

  1. 42 gramas de whey protein (WBd), n=17;
  2. 42 gramas de proteínas6 de diferentes fontes (PBd), n=16;
  3. Café da manhã rico em carboidratos (CBd), n=15, com 17 g de proteína no café da manhã.

Todos os pacientes também foram submetidos a 3 testes de consumo durante o dia todo de refeições WBd, PBd e CBd.

Depois de 12 semanas, a perda de peso (PP) foi de -3.5 ± 0,3 kg (-3,8%) na CBd, -6.1 ± 0,3 kg (6,8%) na PBd e a maior PP foi encontrada na WBd, -7.6 ± 0,3 kg (- 8,4 %) (p<0,0001). Comparada à CBd, a porcentagem (%) de PP na PBd foi superior em 44%, e na WBd foi maior em 55% (p<0,0001).

A redução da HbA1c4 foi inferior na CBd em -0,36 ± 0,04%, na PBd foi de -0,6 ± 0,04% e a maior redução foi encontrada na WBd, 0,89 ± 0,05% (P<0,0001). A % de mudança para HbA1c4 foi de 4,6% no CBd, de 7,7% na PBd e a maior redução na HbA1c4 ocorreu na WBd em 11,5% (p<0,0001). Em comparação à CBd a % da redução de HbA1c4 foi maior em 41% na PBd e em 64% na WBd (p<0,0001).

Este estudo demonstra que o aumento do teor de proteínas6 no café da manhã tem um impacto significativo sobre a glicemia pós-prandial3 global, HbA1c4, perda de peso e saciedade geral. No entanto, para o mesmo teor de proteína, o whey protein vs outras fontes de proteína, produz benefícios adicionais sobre a redução da glicemia pós-prandial3 global, HbA1c4 e para a perda de peso e o aumento da saciedade. O whey protein deve ser considerado um importante coadjuvante1 no tratamento do diabetes2 tipo 2.

 

Fonte: Trabalho apresentado na 52ª Reunião Anual da European Association for the Study of Diabetes2, em Munique, no dia 13 de setembro de 2016

NEWS.MED.BR, 2016. Whey protein no café da manhã induz a uma maior redução da glicemia, perda de peso e saciedade, em comparação com outras fontes de proteína no diabetes tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1277553/whey-protein-no-cafe-da-manha-induz-a-uma-maior-reducao-da-glicemia-perda-de-peso-e-saciedade-em-comparacao-com-outras-fontes-de-proteina-no-diabetes-tipo-2.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.

Complementos

1 Coadjuvante: Que ou o que coadjuva, auxilia ou concorre para um objetivo comum.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Glicemia pós-prandial: Teste de glicose feito entre 1 a 2 horas após refeição.
4 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
5 Glucagon: Hormônio produzido pelas células-alfa do pâncreas. Ele aumenta a glicose sangüínea. Uma forma injetável de glucagon, disponível por prescrição médica, pode ser usada no tratamento da hipoglicemia severa.
6 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
7 Metformina: Medicamento para uso oral no tratamento do diabetes tipo 2. Reduz a glicemia por reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado e ajudando o corpo a responder melhor à insulina produzida pelo pâncreas. Pertence à classe das biguanidas.
8 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
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