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Liraglutida pode ajudar obesos a perderem peso, segundo pesquisa publicada no The Lancet

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O estudo randomizado1, duplo-cego, controlado por placebo2 pesquisou os efeitos da liraglutida sobre a perda de peso corporal e a tolerabilidade do medicamento nos indivíduos obesos sem diabetes tipo 23.

Foi realizado um seguimento de 20 semanas, com a participação de 564 indivíduos (18-25 anos de idade, índice de massa corporal4 30-40 kg/m²) os quais receberam de uma a quatro doses de liraglutida (1,2mg; 1,8mg;  2,4mg; 3,0mg) ou placebo2 (n=98), administradas uma vez ao dia por via oral, ou orlistat (120 mg, n=95), administrado 3 vezes ao dia por via oral. Todos os participantes reduziram 500 calorias5 na sua ingestão diária de energia e aumentaram a atividade física ao longo da pesquisa.

Como resultados, os participantes em uso de liraglutida obtiveram a maior perda de peso, comparados àqueles em uso de placebo2 ou orlistat. A perda média de peso foi de 4,8kg; 5,5kg; 6,3kg ou 7,2kg com as doses de 1,2; 1,8; 2,4 ou 3,0mg de liraglutida, respectivamente. Com orlistat a média de perda de peso foi de 4,1kg. Com o placebo2, 2,8kg. A liraglutida também reduziu a pressão arterial6 (com todas as doses usadas) e a prevalência7 de pré-diabetes8.

Náuseas9 e vômitos10 foram os principais efeitos colaterais11, mais frequentes naqueles que usaram liraglutida, mas foram transitórios e raramente associaram-se à descontinuação do tratamento.

A liraglutida mostrou reduzir o peso corporal de maneira significativa, melhorar certos fatores de risco relacionados à obesidade12 e reduzir o pré-diabetes8.

Fonte: The Lancet de 23 de outubro de 2009 – publicação online

NEWS.MED.BR, 2009. Liraglutida pode ajudar obesos a perderem peso, segundo pesquisa publicada no The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/pharma-news/51363/liraglutida-pode-ajudar-obesos-a-perderem-peso-segundo-pesquisa-publicada-no-the-lancet.htm>. Acesso em: 5 dez. 2019.

Complementos

1 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
3 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
4 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
5 Calorias: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc.
6 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
7 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
8 Pré-diabetes: Condição em que um teste de glicose, feito após 8 a 12 horas de jejum, mostra um nível de glicose mais alto que o normal mas não tão alto para um diagnóstico de diabetes. A medida está entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. A maioria das pessoas com pré-diabetes têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.
9 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
10 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
11 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
12 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
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Complementos

06/11/2009 - Complemento feito por Dr.
Re: Liraglutide pode ajudar obesos a perderem peso, segundo pesquisa publicada no The Lancet
O controle da fome e saciedade, bem como a regulação da secreção da insulina é controlada por mais de um sistema orgânico. Os hormônios secretados pelo trato gastrintestinal participam ativamente desses processos.

A colecistoquinina, produzida pelo duodeno em decorência da secreção ácida gástrica e que tem como função comunicar à parte primitiva do cérebro que o indivíduo já está saciado.

Quando a massa alimentar atinge o íleo, este produz as incretinas GLP1 e GIP - polipeptídeo de inibição gástrica. Estes hormônios, além de contribuirem para a sensação de saciedade, estimulam o pâncreas a produzir a insulina. Em pacientes com intolerância à glicose, observa-se uma deficiência na capacidade de secreção e função das incretinas.

Desta forma, foram criadas moléculas análogas das incretinas que podem reduzir o peso e aumentar a secreção de insulina. Até o momento, está disponível no mercado o Exenatide (Byetta), que deve ser administrado por via subcutânea, na dose de 250 mcg, em caneta dosadora. Todavia, um novo fármaco análogo do GLP1, o LIRAGLUTIDE, que ainda não está disponível para uso, tem como grande vantagem a possibilidade de ser administrado por via oral, o que facilita a adesão do paciente ao tratamento.

Por outro lado, o estômago produz o hormônio Grelina, que aumenta a fome e, consequentemente o consumo de alimentos. A Gastrectomia Vertical, uma cirurgia bariátrica pouco utilizada, pode impedir a secreção de grelina, pois retira cerca de 80% do estômago, inclusive a parte do estômago que produz esse peptídeo. Quem sabe logo tenhamos um inibidor de grelina, o que poderia evitar, pelo menos em alguns casos, a necessidade da cirurgia bariátrica. Vamos esperar.

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