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Estudo PREADViSE: vitamina E e selênio podem prevenir a doença de Alzheimer?

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Com o objetivo de determinar se os suplementos antioxidantes (vitamina1 E ou selênio), utilizados isoladamente ou em combinação, podem prevenir a demência2 em homens idosos assintomáticos, foi realizado o ensaio The Prevention of Alzheimer3’s Disease by Vitamin E and Selenium (PREADViSE).

Até o momento, nenhum suplemento está recomendado como agente preventivo4 para a demência2. O estresse oxidativo é uma via de demência2 estabelecida, mas não se sabe se o uso de suplementos antioxidantes pode prevenir a demência2.

Veja mais sobre "Demência2" e "Mal de Alzheimer3"

O estudo PREADViSE começou como um ensaio clínico duplo-cego randomizado5, em maio de 2002, e se transformou em um estudo de coorte6 de setembro de 2009 a maio de 2015. O PREADViSE foi complementar ao Selenium and Vitamin E Cancer7 Prevention Trial (SELECT), um ensaio clínico randomizado5 com os mesmos suplementos antioxidantes para a prevenção do câncer7 de próstata8, mas que foi encerrado em 2009 devido a conclusões de uma análise de futilidade.

No ensaio PREADViSE, inicialmente 7.540 homens idosos foram expostos aos suplementos antioxidantes com vitamina1 E e selênio por uma média de 5,4 anos. Um subconjunto de 3.786 homens concordou em ser observado por até 6 anos adicionais. Os participantes tinham pelo menos 60 anos de idade no início do estudo. A incidência9 de demência2 (4,4%) não diferiu entre os quatro braços do estudo.

Os participantes foram randomizados para receber vitamina1 E, selênio, vitamina1 E e selênio ou placebo10. Enquanto tomavam suplementos de estudo, os participantes foram avaliados quanto à demência2 por um exame em dois estágios. Durante o estudo de coorte6, os homens foram contactados por telefone e avaliados por exame cognitivo11 em dois estágios aprimorados. Em ambas as fases, os homens foram encorajados a visitar o seu médico se os resultados do exame indicassem possível comprometimento cognitivo11.

A avaliação de casos de demência2 baseou-se numa revisão consensual de exames cognitivos12 e registros médicos para homens com suspeita de demência2 que visitaram seu médico para uma avaliação ou para uma revisão de toda a informação disponível, incluindo um exame de avaliação funcional.

A média (DP) da idade de base dos 7.540 participantes foi 67,5 (5,3) anos, com 3.936 (52,2%) relatando uma educação em nível superior, 754 (10,0%) eram da raça negra e 505 (6,7%) de etnia hispânica. A incidência9 de demência2 (325 de 7.338 homens [4,4%]) não foi diferente entre os quatro braços de estudo. Um modelo de Cox, que ajustou a incidência9 para a informação demográfica do participante e as comorbidades13 autorrelatadas na linha de base produziu razões de risco de 0,88 (IC 95% 0,64-1,20) para a vitamina1 E; 0,83 (0,60-1,13) para o selênio e 1,00 (0,75- 1,35) para a combinação de antioxidantes em comparação ao placebo10.

Concluiu-se com este estudo que nenhum dos suplementos preveniu a demência2. Este parece ser o primeiro estudo de longo prazo a investigar a associação do uso de suplementos antioxidantes e a incidência9 de demência2 entre homens assintomáticos.

 

Fonte: JAMA Neurology, publicação online, de 20 de março de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Estudo PREADViSE: vitamina E e selênio podem prevenir a doença de Alzheimer?. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1292788/estudo-preadvise-vitamina-e-e-selenio-podem-prevenir-a-doenca-de-alzheimer.htm>. Acesso em: 23 set. 2020.

Complementos

1 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
2 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
3 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
4 Preventivo: 1. Aquilo que previne ou que é executado por medida de segurança; profilático. 2. Na medicina, é qualquer exame ou grupo de exames que têm por objetivo descobrir precocemente lesão suscetível de evolução ameaçadora da vida, como as lesões malignas. 3. Em ginecologia, é o exame ou conjunto de exames que visa surpreender a presença de lesão potencialmente maligna, ou maligna em estágio inicial, especialmente do colo do útero.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
7 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
8 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
9 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
10 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
11 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
12 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
13 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
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