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Seis fatores de risco podem contribuir para a redução da mortalidade por doenças não transmissíveis e cumprir a meta 25×25: um estudo de modelagem publicado pelo The Lancet

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Os países concordaram em reduzir em 25% a mortalidade1 prematura (definida como a probabilidade de morrer entre as idades de 30 e 70 anos) a partir de quatro principais doenças não transmissíveis (DNTs) - doenças cardiovasculares2, doenças respiratórias crônicas, câncer3 e diabetes mellitus4, de 2010 a 2025 (conhecido como "Meta 25×25"). Metas para a seleção dos fatores de risco das DNTs também foram estabelecidas.

Os pesquisadores estimaram o impacto do cumprimento das metas para seis fatores de risco (cigarro, álcool, ingestão de sal, obesidade5, aumento da pressão arterial6 e controle da glicemia7) sobre a mortalidade1 de DNTs entre 2010 e 2025. Os métodos foram responsáveis pela multicausalidade das doenças não transmissíveis e para o fato de que quando aumenta ou diminui a exposição aos fatores de risco, os efeitos nocivos ou benéficos sobre as doenças não transmissíveis acumulam-se gradualmente. Foram utilizados dados de fatores de risco e tendências de mortalidade1 provenientes de análises sistemáticas de dados nacionais disponíveis. Riscos relativos para os efeitos de riscos individuais e múltiplos e para a mudança no risco após quedas ou aumentos na exposição vieram de reanálises e meta-análises de estudos epidemiológicos.

Se forem atingidas as metas de fatores de risco, a probabilidade de morrer das quatro principais doenças não transmissíveis entre as idades de 30 e 70 anos diminuirá em 22% nos homens e 19% nas mulheres, entre 2010 e 2025, comparado com uma redução de 11% em homens e 10% em mulheres sob circunstâncias das chamadas tendências comuns (projeções baseadas em tendências atuais, sem a tomada de medidas adicionais). Atingir as metas vai postergar ou impedir mais de 37 milhões de mortes (16 milhões em pessoas com idades entre 30 a 69 anos e 21 milhões em pessoas com 70 anos ou mais) causadas pelas principais doenças não transmissíveis nestes 15 anos, em comparação com uma situação de aumento ou estagnação de tendências dos fatores de risco. A maioria dos benefícios de se atingir as metas, incluindo 31 milhões de mortes sendo postergadas ou prevenidas, será em países de baixa e média rendas, o que vai ajudar a reduzir a desigualdade global na mortalidade1 prematura por DNTs. A meta mais ambiciosa é em relação ao uso do cigarro (uma redução de 50%) que será quase atingir a meta em homens (redução maior do que 24% na probabilidade de morte) e aumentar os benefícios para uma redução de 20% nas mulheres.

Se forem cumpridas as metas estabelecidas, a mortalidade1 prematura pelas quatro principais doenças não transmissíveis diminuirá a níveis que estão perto da Meta 25x25, com a maioria destes benefícios sendo observada em países de baixa e média rendas. Com base nos benefícios de mortalidade1 e de viabilidade, uma meta mais ambiciosa do que a atualmente estabelecida deve ser adotada em relação ao uso do tabaco.

Fonte: The Lancet, publicação online de 3 de maio de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Seis fatores de risco podem contribuir para a redução da mortalidade por doenças não transmissíveis e cumprir a meta 25×25: um estudo de modelagem publicado pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/540522/seis-fatores-de-risco-podem-contribuir-para-a-reducao-da-mortalidade-por-doencas-nao-transmissiveis-e-cumprir-a-meta-25-25-um-estudo-de-modelagem-publicado-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 28 mar. 2020.

Complementos

1 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
2 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
5 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
6 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
7 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
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