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Uso de anticolinérgicos e aumento de novos casos de demência, em artigo publicado pelo JAMA

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Um estudo prospectivo1 de coorte2, de base populacional, publicado pelo The Journal of the American Medical Association (JAMA), foi realizado em Seattle com o objetivo de examinar se a utilização cumulativa de anticolinérgicos está associada ao maior risco de novos casos de demência3.

Foram incluídos 3.434 participantes de 65 anos, sem demência3 no início do estudo, usando dados do estudo Adult Changes in Thought. O recrutamento inicial ocorreu de 1994 a 1996 e de 2000 a 2003. Todos os participantes foram acompanhados a cada dois anos. Dados até 30 de setembro de 2012 foram incluídos nestas análises.

Farmácias de manipulação computadorizadas foram usadas para determinar a exposição cumulativa aos anticolinérgicos, que foi definida como o total de doses padronizadas diárias (TSDDs) dispensadas nos últimos dez anos. Os 12 meses mais recentes de uso foram excluídos para evitar o uso relacionado a sintomas4 prodrômicos5. A exposição cumulativa foi atualizada de acordo com o acompanhamento dos participantes ao longo do tempo.

Os principais resultados foram a incidência6 de demência3 e de doença de Alzheimer7 usando critérios de diagnóstico8 padrão. A análise estatística utilizada foram modelos de regressão de Cox ajustados para as características demográficas, comportamentos de saúde9 e condições de saúde9, incluindo as comorbidades10.

Os anticolinérgicos mais comumente utilizados foram os antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos de primeira geração e anti-muscarínicos usados para bexiga11 hiperativa. Durante um seguimento médio de 7,3 anos, 797 participantes (23,2%) desenvolveram demência3 (637 deles [79,9%] desenvolveram doença Alzheimer12). A relação dose-resposta cumulativa de 10 anos foi observada para a demência3 e para a doença de Alzheimer7 (teste de tendência, P<0,001). Para a demência3, as taxas de risco ajustadas para utilização cumulativa de anticolinérgico em comparação com o não uso foram de 0,92 (IC 95%, 0,74-1,16) para TSDDs de 1 a 90; 1,19 (IC 95%, 0,94-1,51) para TSDDs de 91-365; 1,23 (IC 95%, 0,94-1,62) para TSDDs de 366-1095 e 1,54 (IC 95%, 1,21-1,96) para TSDDs superiores a 1095. Um padrão semelhante de resultados foi observado para a doença de Alzheimer7.

As conclusões mostraram que o uso cumulativo de anticolinérgicos está associado ao risco aumentado de demência3. Os esforços para aumentar a conscientização entre profissionais de saúde9 e idosos sobre este risco potencial são importantes para minimizar os efeitos prejudiciais do uso de anticolinérgicos ao longo do tempo.

Fonte: JAMA Internal Medicine, publicação online de 26 de janeiro de 2015

NEWS.MED.BR, 2015. Uso de anticolinérgicos e aumento de novos casos de demência, em artigo publicado pelo JAMA. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/741127/uso-de-anticolinergicos-e-aumento-de-novos-casos-de-demencia-em-artigo-publicado-pelo-jama.htm>. Acesso em: 5 abr. 2020.

Complementos

1 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
2 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
3 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Prodrômicos: Relativos aos pródromos, ou seja, aos sinais e sintomas iniciais de uma doença.
6 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
7 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
8 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
9 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
10 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
11 Bexiga: Órgão cavitário, situado na cavidade pélvica, no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins. É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. Tem a forma de pêra quando está vazia e a forma de bola quando está cheia.
12 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.

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