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Medicamentos anticolinérgicos aumentam risco de comprometimento cognitivo leve, com efeitos aumentados na presença de biomarcadores da doença de Alzheimer

quinta-feira, 8 de outubro de 2020
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Medicamentos anticolinérgicos aumentam risco de comprometimento cognitivo leve, com efeitos aumentados na presença de biomarcadores da doença de Alzheimer

Estudo publicado no periódico Neurology teve como objetivo determinar as consequências cognitivas dos medicamentos anticolinérgicos (aCH) em idosos cognitivamente normais, bem como os efeitos interativos dos fatores de risco genéticos e do líquido cefalorraquidiano (LCR) para a doença de Alzheimer (DA).

688 participantes cognitivamente normais da Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer foram avaliados (idade média = 73,5, 49,6% mulheres). A regressão de Cox examinou o risco de progressão para comprometimento cognitivo leve (CGL) ao longo de um período de 10 anos, e os modelos lineares de efeitos mistos examinaram as taxas de 3 anos de declínio de memória, da função executiva e da linguagem em função dos aCH. As interações com o genótipo APOE ε4 e evidências de biomarcadores de LCR de patologia da DA também foram avaliadas.

Os participantes aCH+ apresentaram risco aumentado de progressão para CGL (HR = 1,42, p = 0,02), e houve uma interação significativa de aCH x risco de DA, de modo que indivíduos (aCH+) (ε4+) apresentaram risco 2 vezes maior (HR = 2,47, p <0,001) para CGL incidente em relação a indivíduos (aCH-) (ε4-), enquanto indivíduos (aCH+) (p-tau/Aß+) demonstraram risco mais do que 4 vezes maior (HR = 4,25, p <0,001 ) em relação a (aCH-) (p-tau/Aß-).

Modelos lineares de efeitos mistos revelaram que aCH previram uma inclinação mais acentuada de declínio na memória (t = -2,31, p = 0,02) e na linguagem (t = -2,35, p = 0,02), com efeitos exacerbados em indivíduos com fatores de risco para DA.

O estudo concluiu que os medicamentos anticolinérgicos aumentaram o risco de comprometimento cognitivo leve incidente e declínio cognitivo, e os efeitos foram significativamente aumentados entre os indivíduos com fatores de risco genéticos e marcadores fisiopatológicos baseados no LCR da Doença de Alzheimer.

As descobertas ressaltam o impacto adverso dos medicamentos aCH na cognição e a necessidade de ensaios de redução ou interrupção da medicação, particularmente entre indivíduos com risco elevado de DA.

Leia mais sobre "Distúrbio neurocognitivo", "Mal de Alzheimer" e "Perda de memória".

 

Fonte: Neurology, publicação em 02 de setembro de 2020.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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