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Colchicina para prevenção da síndrome pós-pericardiotomia e da fibrilação atrial pós-operatória: ensaio clínico COPPS-2

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A síndrome1 pós-pericardiotomia, a fibrilação atrial (FA) e o derrame2 pericárdico ou pleural pós-operatório podem ser responsáveis pelo aumento da morbidade3 e dos custos com cuidados de saúde4 após cirurgias cardíacas. O uso de colchicina na prevenção dessas condições foi avaliado em estudo publicado pelo The Journal of the American Medical Association (JAMA).

Com o objetivo de determinar a eficácia e a segurança do uso perioperatório de colchicina oral na redução da síndrome1 pós-pericardiotomia, da FA pós-operatória e do derrame2 pericárdico ou pleural no pós-operatório foi realizado um ensaio clínico randomizado5 conhecido como COPPS-2.

O ensaio clínico randomizado5, duplo-cego, controlado por placebo6, foi realizado e envolveu 360 candidatos à cirurgia cardíaca, em 11 centros italianos, entre março de 2012 e março de 2014. No momento da inscrição, a idade média dos participantes do estudo era de 67,5 anos, 69% eram homens e 36% haviam planejado uma cirurgia valvular. Os principais critérios de exclusão foram ausência de ritmo sinusal no momento da inscrição no ensaio clínico, transplante cardíaco e contraindicações ao uso de colchicina.

Os pacientes foram randomizados para receber placebo6 (n=180) ou colchicina (0,5 mg duas vezes ao dia em pacientes ≥70 kg ou 0,5 mg uma vez por dia em doentes <70 kg, n=180), com início da medicação entre 48 e 72 horas antes da cirurgia e continuação do medicamento por um mês após a cirurgia.

Os principais resultados e medidas avaliadas foram ocorrência da síndrome1 pós-pericardiotomia dentro de três meses (desfecho primário); os principais pontos secundários foram FA pós-operatória e derrame2 pericárdico ou pleural.

O desfecho primário ocorreu em 35 pacientes (19,4%) recebendo colchicina e em 53 (29,4%) recebendo placebo6 (diferença absoluta de 10%, IC 95%, 1,1%-18,7%; número necessário para tratar=10). Não houve diferenças significativas entre os grupos recebendo colchicina e placebo6 para a FA pós-operatória (colchicina, 61 pacientes [33,9%]; placebo6, 75 pacientes [41,7%]; diferença absoluta, 7,8% IC 95% -2,2% para 17,6%) ou para o derrame2 pleural/pericárdico no pós-operatório (colchicina, 103 pacientes [57,2%]; placebo6, 106 pacientes [58,9%]; diferença absoluta, 1,7%; IC 95% -8,5% para 11,7%), embora tenha havido uma redução da FA pós-operatória na análise pré-especificada em tratamento (placebo6, 61/148 pacientes [41,2%]; colchicina, 38/141 pacientes [27,0%]; diferença absoluta de 14,2%, IC 95%, 3,3%-24,7%). Ocorreram efeitos adversos em 21 pacientes (11,7%) no grupo do placebo6 versus 36 (20%) no grupo da colchicina, mas as taxas de descontinuação foram semelhantes nos dois grupos. Não foram observados eventos adversos graves.

Concluiu-se que entre os pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, o uso perioperatório de colchicina em comparação com o placebo6, reduziu a incidência7 da síndrome1 pós-pericardiotomia, mas não de FA pós-operatória ou de derrame2 pleural/pericárdico no pós-operatório. O aumento do risco de efeitos adversos gastrointestinais reduziu os benefícios potenciais da colchicina para esses pacientes.

Fonte: The Journal of the American Medical Association (JAMA), volume 312, número 10, de 10 de setembro de 2014

NEWS.MED.BR, 2014. Colchicina para prevenção da síndrome pós-pericardiotomia e da fibrilação atrial pós-operatória: ensaio clínico COPPS-2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/569367/colchicina-para-prevencao-da-sindrome-pos-pericardiotomia-e-da-fibrilacao-atrial-pos-operatoria-ensaio-clinico-copps-2.htm>. Acesso em: 30 nov. 2020.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Derrame: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
3 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
7 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
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