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Dieta pobre em carboidrato é melhor que dieta com baixo teor de gordura para perda de peso e diminuição de risco cardiovascular, publicado pelo Annals of Internal Medicine

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Um estudo randomizado1, de grupos paralelos, realizado em um grande centro médico acadêmico foi realizado com o objetivo de analisar os efeitos de uma dieta pobre em carboidratos em comparação com uma dieta com baixa ingestão de gorduras no peso corporal e em fatores de risco cardiovascular.

Os participantes foram 148 homens e mulheres sem doença cardiovascular clínica e diabetes mellitus2, com idade média de 47 anos e cuja média de índice de massa corporal3 era de 35 kg/m². Mais de 85% eram mulheres e metade era de negros.

Dois grupos receberam ou dieta de baixo teor de carboidratos (menos de quarenta gramas/dia) ou com baixo teor de gordura4 (menos de 30% do consumo diário de energia a partir de gordura4 total, com menos de 7% de gordura saturada5). Ambos os grupos receberam aconselhamento dietético em intervalos regulares durante todo o período. Foram avaliadas as informações sobre peso corporal, fatores de risco cardiovascular e composição da dieta coletadas em 0, 3, 6 e 12 meses. Ambos os grupos receberam informações dietéticas detalhadas. Todos os participantes reuniram-se com um nutricionista6 individualmente a cada semana durante o primeiro mês e depois regularmente em sessões de aconselhamento em grupos pequenos. Ao longo do estudo, a atividade física e ingestão calórica foram semelhantes nos dois grupos.

Havia 60 participantes (82%) no grupo de baixo teor de gordura4 e 59 (79%) no grupo de baixo teor de carboidrato7, concluída a intervenção. Aos 12 meses de acompanhamento, os indivíduos que fizeram a dieta pobre em carboidratos tinham perdido 5,3 kg, enquanto aqueles com uma dieta com baixa ingestão de gorduras de valor calórico semelhante tinham perdido 1,8 kg, uma diferença média de -3,5 kg (IC 95% menos 5,6 menos a 1,4; P=0,002), de acordo com Lydia Bazzano, da Universidade de Tulane em Nova Orleans, e colaboradores. O grupo da dieta pobre em carboidrato7 também teve aumentos significativamente maiores no colesterol8 HDL9, com uma diferença média de 7 mg/dL10 (IC 95% 3-11, P<0,001), juntamente com uma maior diminuição na relação colesterol8 total-colesterol8 HDL9, com uma diferença média de -0,44 (IC 95% menos 0,71 a menos 0,16; P=0,002). Os níveis de triglicérides11 caíram em ambos os grupos, mas mais ainda no grupo de baixo teor de carboidratos, com uma diferença média de -14,1 mg/dL10 (IC 95% menos 27,4 a menos 0,8; P=0,038), segundo relataram os pesquisadores na edição de setembro do Annals of Internal Medicine.

Finalmente, o Escore de Risco de Framingham em dez anos para doença coronariana12 foi significativamente menor no grupo da dieta de baixo teor de carboidratos, com uma diferença média de -1,4% (IC 95% menos 2,1% a menos 0,6%; P<0,001).

Note-se que este pequeno estudo randomizado1 demonstrou que uma dieta pobre em carboidratos foi superior a uma dieta pobre em gorduras, em termos de perda de peso e de redução de fatores de risco cardiovascular durante o tempo de acompanhamento de um ano, para adultos obesos, negros e brancos que não tinham diabetes mellitus2, doença cardiovascular ou doença renal13 no início do estudo. É importante saber que a aderência à dieta foi avaliada por auto-relato e que novos e maiores estudos são necessários sobre este mesmo assunto.

Fonte: Annals of Internal Medicine, de 2 de setembro de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Dieta pobre em carboidrato é melhor que dieta com baixo teor de gordura para perda de peso e diminuição de risco cardiovascular, publicado pelo Annals of Internal Medicine. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/567172/dieta-pobre-em-carboidrato-e-melhor-que-dieta-com-baixo-teor-de-gordura-para-perda-de-peso-e-diminuicao-de-risco-cardiovascular-publicado-pelo-annals-of-internal-medicine.htm>. Acesso em: 16 out. 2019.

Complementos

1 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
3 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
4 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
5 Gordura saturada: Ela é encontrada principalmente em produtos de origem animal. Em temperatura ambiente, apresenta-se em estado sólido. Está nas carnes vermelhas e brancas (principalmente gordura da carne e pele das aves e peixes), leite e seus derivados integrais (manteiga, creme de leite, iogurte, nata) e azeite de dendê.
6 Nutricionista: Especialista em nutricionismo, ou seja, especialista no estudo das necessidades alimentares dos seres humanos e animais, e dos problemas relativos à nutrição.
7 Carboidrato: Um dos três tipos de nutrientes dos alimentos, é um macronutriente. Os alimentos que possuem carboidratos são: amido, açúcar, frutas, vegetais e derivados do leite.
8 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
9 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
10 Mg/dL: Miligramas por decilitro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
11 Triglicérides: A principal maneira de armazenar os lipídeos no tecido adiposo é sob a forma de triglicérides. São também os tipos de lipídeos mais abundantes na alimentação. Podem ser definidos como compostos formados pela união de três ácidos graxos com glicerol. Os triglicérides sólidos em temperatura ambiente são conhecidos como gorduras, enquanto os líquidos são os óleos. As gorduras geralmente possuem uma alta proporção de ácidos graxos saturados de cadeia longa, já os óleos normalmente contêm mais ácidos graxos insaturados de cadeia curta.
12 Doença coronariana: Doença do coração causada por estreitamento das artérias que fornecem sangue ao coração. Se o fluxo é cortado, o resultado é um ataque cardíaco.
13 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
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