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Óleo de peixe, rico em ômega-3, pode ajudar a prevenir doenças psicóticas, de acordo com publicação do periódico Archives of General Psychiatry

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O uso de medicações antipsicóticas para prevenir psicopatias1 é controverso. O óleo de peixe, substância natural rica em ômega-3, pode trazer benefícios para uma série de condições psiquiátricas, incluindo a esquizofrenia2, além de não apresentar efeitos adversos clinicamente relevantes.


O objetivo do estudo foi avaliar se o óleo de peixe reduz as taxas de progressão para o primeiro episódio de doença psicótica em adolescentes e adultos jovens, com idades entre 13 e 25 anos, com risco aumentado para psicose3.


O estudo duplo-cego4, randomizado5, controlado com placebo6 foi conduzido entre 2004 e 2007 e publicado este mês no periódico Archives of General Psychiatry. Oitenta e um indivíduos com propensão para doenças psicóticas, provenientes de uma unidade de diagnóstico7 para doenças psiquiátricas de um hospital público em Viena, Áustria, participaram da pesquisa.

O estudo durou um ano, com período de intervenção de 12 semanas com uma cápsula de 1,2 gramas de óleo de peixe (rico em ômega-3) ou placebo6, seguido de período de monitoramento de 40 semanas. O objetivo primário foi avaliar a progressão para a doença psicótica. O secundário foi observar as mudanças nos sintomas8 e nas alterações funcionais.


No final do acompanhamento, 93,8% dos participantes concluíram a pesquisa. Dois de 41 indivíduos (4,9%) no grupo que recebeu ômega-3, e 11 de 40 indivíduos (27,5%) no grupo placebo6 apresentaram doença psicótica. O óleo de peixe também reduziu significativamente os sintomas8 e melhorou as alterações funcionais comparado ao placebo6. A incidência9 de efeitos adversos não foi diferente entre os dois grupos.


Os resultados mostram que o tratamento com ômega-3 reduz a progressão para doenças psicóticas e pode ser uma estratégia segura e eficaz para a prevenção dessa condição em adultos jovens predispostos.


Nenhuma outra intervenção, incluindo medicamentos psiquiátricos, conseguiu tanto quanto o óleo de peixe retardar a progressão para esta patologia10. O uso de medicamentos antipsicóticos tendem a ter efeitos adversos sérios, incluindo o ganho de peso e a disfunção sexual. A cápsula de óleo de peixe não apresenta efeitos colaterais11 importantes.


Não está claro se o óleo de peixe ajuda pessoas com psicose3 estabelecida.


Fonte consultada: Archives of General Psychiatry, volume 67, número 2, de fevereiro de 2010.

NEWS.MED.BR, 2010. Óleo de peixe, rico em ômega-3, pode ajudar a prevenir doenças psicóticas, de acordo com publicação do periódico Archives of General Psychiatry. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/54655/oleo-de-peixe-rico-em-omega-3-pode-ajudar-a-prevenir-doencas-psicoticas-de-acordo-com-publicacao-do-periodico-archives-of-general-psychiatry.htm>. Acesso em: 21 mai. 2019.

Complementos

1 Psicopatias: 1. Distúrbio mental grave em que o paciente apresenta comportamentos antissociais e amorais sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas com laços afetivos profundos, egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência. 2. Qualquer doença mental.
2 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
3 Psicose: Grupo de doenças psiquiátricas caracterizadas pela incapacidade de avaliar corretamente a realidade. A pessoa psicótica reestrutura sua concepção de realidade em torno de uma idéia delirante, sem ter consciência de sua doença.
4 Estudo duplo-cego: Denominamos um estudo clínico “duplo cego” quando tanto voluntários quanto pesquisadores desconhecem a qual grupo de tratamento do estudo os voluntários foram designados. Denominamos um estudo clínico de “simples cego” quando apenas os voluntários desconhecem o grupo ao qual pertencem no estudo.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
7 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
8 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
10 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
11 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
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Complementos

26/02/2010 - Complemento feito por neuza
Re: Óleo de peixe, rico em ômega-3, pode ajudar a prevenir doenças psicóticas, de acordo com publicação do periódico Archives of General Psychiatry
faço uso de ômega 3 há uns 4 anos,sou portadora de PSORíase,ele mim dá mais resistência por usar medicamentos muito forte...protege o meu fígado,eu aconselho.bjs

19/02/2010 - Complemento feito por Daniela
Re: Óleo de peixe, rico em ômega-3, pode ajudar a prevenir doenças psicóticas, de acordo com publicação do periódico Archives of General Psychiatry
É verdade! As pessoas tinham se esquecido das riquezas da natureza e uma "onda" de redescobrimento do poder da natureza está tomando conta do ocidente, pois no oriente isso é parte do cotidiano deles.

08/02/2010 - Complemento feito por L.R.
Re: Óleo de peixe, rico em ômega-3, pode ajudar a prevenir doenças psicóticas, de acordo com publicação do periódico Archives of General Psychiatry
A ciência comprovando aquela tradicional receita das nossas avós (a do Óleo de Fígado de Bacalhau
com Biotônico Fontoura) - lembram? E tinham saúde de ferro e longevidade...Tomei muito quando '
era menino.

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