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Pediatrics: uso de ceftriaxona pode levar à insuficiência renal aguda em crianças

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O objetivo do estudo chinês, publicado pelo periódico Pediatrics, foi avaliar o perfil clínico, o tratamento e o resultado da terapêutica1 da insuficiência renal2 aguda (IRA) pós-renal3 associada ao uso de ceftriaxona em crianças.

Foram estudados retrospectivamente 31 casos consecutivos de IRA pós-renal3 entre 2003 e 2012 após tratamento com ceftriaxona. Não havia história pregressa de litíase4 urinária ou nefropatia5 nestas crianças.

O tempo médio de administração de ceftriaxona antes da IRA pós-renal3 foi de 5,2 dias. Os principais sintomas6, além da anúria7, incluíam dor no flanco8 (>3 anos, 25/25), choro excessivo (<3 anos, 6/6) e vômitos9 (19/31). A ultrassonografia10 mostrou hidronefrose11 leve (25/31) e cálculos ureterais (11/31). Nove crianças recuperaram-se após um a quatro dias da farmacoterapia. Vinte e uma crianças que eram resistentes à farmacoterapia foram submetidas a cateterismo12 ureteral retrógrado. Após a cateterização de seus ureteres13, observou-se fluxo de urina14 normal e os sintomas6 desapareceram imediatamente. A inserção do cateter falhou em uma criança que, posteriormente, foi submetida a três sessões de hemodiálise15 antes da micção16 normal ser restabelecida. Verificou-se que a ceftriaxona era o principal componente dos cálculos em quatro crianças por Análise de Espectrometria de Massa em Tandem. A recuperação foi completa em todos os casos.

Concluiu-se que o uso de ceftriaxona em crianças pode causar IRA pós-renal3. O diagnóstico17 precoce e o tratamento farmacológico imediato são importantes para aliviar esta condição. O cateterismo12 ureteral retrógrado é um tratamento eficaz para aquelas crianças que não respondem ao tratamento farmacológico.

Fonte: Pediatrics, publicação online de 24 de março de 2014

NEWS.MED.BR, 2014. Pediatrics: uso de ceftriaxona pode levar à insuficiência renal aguda em crianças. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/531039/pediatrics-uso-de-ceftriaxona-pode-levar-a-insuficiencia-renal-aguda-em-criancas.htm>. Acesso em: 20 out. 2019.

Complementos

1 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
2 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
3 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
4 Litíase: Estado caracterizado pela formação de cálculos em diferentes regiões do organismo. A composição destes cálculos e os sintomas que provocam variam de acordo com sua localização no organismo (vesícula biliar, ureter, etc.).
5 Nefropatia: Lesão ou doença do rim.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Anúria: Clinicamente, a anúria é o débito urinário menor de 400 ml/24 horas.
8 Flanco: 1. O lado (de qualquer coisa). Na anatomia humana, é cada um dos lados do corpo, dos quadris aos ombros. 2. Em construção, é a parte entre o baluarte e a cortina. 3. Em futebol, é o lado do campo. 4. Em geologia, é cada um dos lados de uma dobra. 5. Em termo militar, é a parte lateral de uma posição ou de uma tropa formada em profundidade.
9 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
10 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
11 Hidronefrose: Dilatação da via excretora de um ou ambos os rins. Em geral é produzida por uma obstrução ao nível do ureter ou uretra por cálculos, tumores, etc.
12 Cateterismo: Exame invasivo de artérias ou estruturas tubulares (uretra, ureteres, etc.), utilizando um dispositivo interno, capaz de injetar substâncias de contraste ou realizar procedimentos corretivos.
13 Ureteres: Estruturas tubulares que transportam a urina dos rins até a bexiga.
14 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
15 Hemodiálise: Tipo de diálise que vai promover a retirada das substâncias tóxicas, água e sais minerais do organismo através da passagem do sangue por um filtro. A hemodiálise, em geral, é realizada 3 vezes por semana, em sessões com duração média de 3 a 4 horas, com o auxílio de uma máquina, dentro de clínicas especializadas neste tratamento. Para que o sangue passe pela máquina, é necessária a colocação de um catéter ou a confecção de uma fístula, que é um procedimento realizado mais comumente nas veias do braço, para permitir que estas fiquem mais calibrosas e, desta forma, forneçam o fluxo de sangue adequado para ser filtrado.
16 Micção: Emissão natural de urina por esvaziamento da bexiga.
17 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
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