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Diabetes Care: início precoce do diabetes tipo 2 é mais perigoso e letal do que o do diabetes tipo 1

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Com o objetivo de avaliar os resultados clínicos de longo prazo e a sobrevivência1 em jovens com início precoce de diabetes2 tipo 2 (DM2), em comparação com jovens com diabetes tipo 13 (DM1), com idade semelhante de início, foi realizado um estudo publicado pelo periódico Diabetes2 Care.

Informações do banco de dados do Royal Prince Alfred Hospital Diabetes2 Clinical Database, criado em 1986, foram pareadas com dados do Australian National Death Index para estabelecer a mortalidade4 para todas as causas até junho de 2011. Os resultados clínicos e a mortalidade4 em 354 pacientes com DM2, idade de início entre 15 e 30 anos (T2DM15-30), foram comparados com os de pacientes com DM1 de várias maneiras, mas principalmente com 470 pacientes com DM1 com idade semelhante de início (T1DM15-30) para minimizar o efeito de confusão da idade no resultado.

Para um período médio de observação de 21,4 (intervalo interquartil 14-30,7) e 23,4 (15,7-32,4) anos para as coortes DM2 e DM1, respectivamente, 71 de 824 pacientes (8,6%) morreram. Um excesso de mortalidade4 significativo foi observado nos T2DM15-30 (11% vs 6,8%, P=0,03), com um aumento de risco para morte (P=0,003). As morte de T2DM15-30 ocorreram após um período significativamente menor de doença (26,9 vs 36,5 anos, P=0,01) e em uma idade relativamente jovem. Houve mais mortes cardiovasculares em T2DM15-30 (50% vs 30%, P<0,05). Apesar do controle glicêmico equivalente e a menor duração da doença, a prevalência5 de albuminúria6 e de fatores de risco cardiovasculares menos favoráveis foram maiores na coorte7 T2DM15-30, mesmo logo após o início do diabetes2. Neuropatia8 e complicações macrovasculares foram também aumentadas em T2DM15-30 (P<0,0001).

Concluiu-se que o início precoce do DM2 é o fenótipo9 mais letal de diabetes2 e está associada a uma maior mortalidade4, a mais complicações do diabetes e à presença de mais fatores de risco desfavoráveis para doença cardiovascular, quando comparado ao início precoce do DM1.

Fonte: Diabetes2 Care, de 6 de janeiro de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Diabetes Care: início precoce do diabetes tipo 2 é mais perigoso e letal do que o do diabetes tipo 1. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/528224/diabetes-care-inicio-precoce-do-diabetes-tipo-2-e-mais-perigoso-e-letal-do-que-o-do-diabetes-tipo-1.htm>. Acesso em: 21 nov. 2019.

Complementos

1 Sobrevivência: 1. Ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir. 2. Característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro. Condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa. 3. Sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
4 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
5 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
6 Albuminúria: Presença de albumina na urina. A albuminúria pode ser um sinal de nefropatia diabética (doença nos rins causada pelas complicações do diabetes mal controlado) ou aparecer em infecções urinárias.
7 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
8 Neuropatia: Doença do sistema nervoso. As três principais formas de neuropatia em pessoas diabéticas são a neuropatia periférica, neuropatia autonômica e mononeuropatia. A forma mais comum é a neuropatia periférica, que afeta principalmente pernas e pés.
9 Fenótipo: Características apresentadas por um indivíduo sejam elas morfológicas, fisiológicas ou comportamentais. Também fazem parte do fenótipo as características microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes especiais para a sua identificação, como, por exemplo, o tipo sanguíneo do indivíduo.
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