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JAMA: vitamina E pode auxiliar na redução do declínio funcional na doença de Alzheimer leve a moderada

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O ensaio clínico randomizado1 TEAM-AD VA, publicado pelo The Journal of the American Medical Association (JAMA), foi realizado com o objetivo de determinar se a vitamina2 E (alfa-tocoferol), a memantina ou ambos retardam a progressão dos sintomas3 em pacientes com doença de Alzheimer4 (DA) leve a moderada que fazem uso de um inibidor da acetilcolinesterase.

Embora já tenha sido demonstrado que a vitamina2 E e a memantina têm efeitos benéficos na doença de Alzheimer4 (DA) moderadamente grave, as evidências são limitadas na doença de Alzheimer4 leve a moderada.

O estudo clínico, duplo-cego, controlado por placebo5, com grupos paralelos, envolvendo 613 pacientes com DA leve a moderada, foi iniciado em agosto de 2007 e concluído em setembro de 2012 em 14 centros médicos Veterans Affairs.

Os participantes receberam 2000 UI de alfa-tocoferol ao dia (n=152), 20 mg/dia de memantina (n=155), uma combinação dessas medicações (n=154) ou placebo5 (n=152).

Para avaliar os resultados foi usado o score Alzheimer’s Disease Cooperative Study/Activities of Daily Living (ADCS-ADL) Inventory (variação de 0 a 78). Os desfechos secundários incluíram medidas cognitivas, neuropsiquiátricas, funcionais e de cuidadores desses doentes.

Os dados de 561 participantes foram analisados (alfa-tocoferol=140, memantina=142, combinação=139, placebo5=140), com 52 excluídos por falta de dados de acompanhamento. As conclusões mostram que entre os pacientes com DA leve a moderada, aqueles que receberam 2000 UI/dia de alfa-tocoferol em comparação ao grupo que recebeu placebo5 apresentaram declínio funcional mais lento. Não houve diferenças significativas entre os grupos que receberam apenas memantina ou memantina mais alfa-tocoferol.

Estes resultados sugerem benefícios do alfa-tocoferol na doença de Alzheimer4 leve a moderada, retardando o declínio funcional e diminuindo a sobrecarga para os que cuidam desses pacientes.

Fonte: The Journal of the American Medical Association, volume 311, número 1, 1° de janeiro de 2014

NEWS.MED.BR, 2014. JAMA: vitamina E pode auxiliar na redução do declínio funcional na doença de Alzheimer leve a moderada. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/514467/jama-vitamina-e-pode-auxiliar-na-reducao-do-declinio-funcional-na-doenca-de-alzheimer-leve-a-moderada.htm>. Acesso em: 24 out. 2020.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
3 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
5 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
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