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Controle intensivo da glicemia versus controle convencional: dúvidas sobre proteção contra mortalidade cardiovascular e elevação do risco de hipoglicemia severa em diabéticos tipo 2

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Artigo publicado pelo British Medical Journal (BMJ) avaliou, em revisão sistemática, se o controle intensivo da glicemia1 em pacientes diabéticos é mais eficaz do que o controle usualmente realizado, e mostrou que persistem as dúvidas sobre a redução da mortalidade2 cardiovascular, enquanto que o risco de hipoglicemia3 severa é maior.

O objetivo do estudo foi avaliar o efeito do controle intensivo da glicemia1 versus o controle glicêmico convencional em todas as causas de mortalidade2 e de mortalidade2 cardiovascular, infarto do miocárdio4 não-fatal, complicações microvasculares e hipoglicemia3 grave em pacientes com diabetes tipo 25.

Foi realizada uma revisão sistemática com meta-análises e análises sequenciais de ensaios clínicos6 randomizados. As fontes de dados utilizadas foram Cochrane Library, Medline, Embase, Science Citation Index Expanded, LILACS, CINAHL.

Quatorze ensaios clínicos6 randomizados envolvendo 28.614 participantes com diabetes tipo 25 (15.269 em controle intensivo e 13.345 em controle convencional) foram incluídos. O controle intensivo da glicemia1 não afetou significativamente os riscos relativos de todas as causas de morte e de mortalidade2 cardiovascular. Análises sequenciais rejeitaram uma redução do risco relativo acima de 10% para todas as causas de mortalidade2 e mostraram dados insuficientes sobre a mortalidade2 cardiovascular. O risco de infarto do miocárdio4 não-fatal pode ser reduzido, mas esse achado não foi confirmado na análise de julgamento sequencial. O controle glicêmico intensivo mostrou uma redução dos riscos relativos para os resultados microvasculares e retinopatia, mas análises de julgamento sequencial mostraram que provas suficientes ainda não tinham sido alcançadas. O risco de hipoglicemia3 grave foi significativamente maior quando o controle intensivo da glicemia1 era realizado; análise sequencial apoiou um aumento de 30% do risco relativo de hipoglicemia3 grave.

Concluiu-se que o controle glicêmico intensivo não parece reduzir todas as causas de mortalidade2 em pacientes com diabetes tipo 25. Dados disponíveis de ensaios clínicos6 randomizados continuam a ser insuficientes para provar ou refutar uma redução do risco relativo de mortalidade2 cardiovascular, infarto do miocárdio4 não-fatal, complicações microvasculares ou retinopatia em uma magnitude de 10%. O controle intensivo da glicemia1 aumenta o risco relativo de hipoglicemia3 grave em 30%.

Fonte: British Medical Journal, de novembro de 2011

NEWS.MED.BR, 2011. Controle intensivo da glicemia versus controle convencional: dúvidas sobre proteção contra mortalidade cardiovascular e elevação do risco de hipoglicemia severa em diabéticos tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/251235/controle-intensivo-da-glicemia-versus-controle-convencional-duvidas-sobre-protecao-contra-mortalidade-cardiovascular-e-elevacao-do-risco-de-hipoglicemia-severa-em-diabeticos-tipo-2.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.

Complementos

1 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
2 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
3 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
4 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
5 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
6 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
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Complementos

16/12/2011 - Complemento feito por José
Re: Controle intensivo da glicemia versus controle convencional: dúvidas sobre proteção contra mortalidade cardiovascular e elevação do risco de hipoglicemia severa em diabéticos tipo 2
Rogério eu colocaria um quarto pé, que seria abstenção do álcool e fumo(drogas). Tomando um cuidado intensivo com relação a medicamento como drogas.

15/12/2011 - Complemento feito por ROGERIO
Re: Controle intensivo da glicemia versus controle convencional: dúvidas sobre proteção contra mortalidade cardiovascular e elevação do risco de hipoglicemia severa em diabéticos tipo 2
> Concordo em todas as palavras com o Sr. Marcos Samuel Lamores no seu complemento a este assunto. Nada adianta se não mudarmos os (maus) hábitos alimentares que nos acompanham em nossa vida e se não mantermos uma atividade física de acordo com a idade e físico de cada um.
>
> Costumo dizer que, para o Diabetes tipo 2 (meu caso), é necessário um tripé para nos manter equilibrados: medicamento (s), exercício (s) e alimentação saudável. Se faltar um dos três, a mesa cai...
>
> Rogerio.

12/12/2011 - Complemento feito por marcos
Re: Controle intensivo da glicemia versus controle convencional: dúvidas sobre proteção contra mortalidade cardiovascular e elevação do risco de hipoglicemia severa em diabéticos tipo 2
Um bom controle da glicemia, em pacientes com diabetes tipo II, pode reduzir o número de complicações decorrentes desta doença, porém medidas de mudança nos hábitos alimentares e adoção de atividades físicas de baixo impacto são essenciais para que se mantenha taxas de glicose em níveis saudáveis.

A lógica é que se adotarmos hábitos alimentares adequados, certamente podemos manter a glicemia em níveis adequados e o conhecimento sobre os principais sintomas de hipoglicemia, são indispensáveis para a adoção de medidas que evitem complicações de uma taxa de glicose baixa.

Adotando um padrão alimentar adequado, conjuntamente com a adoção de exercícios de baixo impacto , podemos ter uma redução da glicemia e a manutenção desta taxa em níveis de bem estar para o paciente e este deve ser o objetivo de um método de controle da glicemia, o bem estar, e a prevenção de complicações decorrentes do diabetes, são possíveis, com um adequado conhecimento sobre a doença.

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