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Diabetes: hipoglicemiantes são semelhantes na eficácia quando um regime de três medicações precisa ser usado, de acordo com revisão publicada no Annals of Internal Medicine

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Não há benefício claro estabelecido entre as diferentes classes de medicamentos, quando um terceiro agente é adicionado ao tratamento de pacientes com diabetes tipo 21 que já estão recebendo metformina2 e sulfonilureias3, de acordo com os resultados de uma análise de revisão publicada pelo periódico Annals of Internal Medicine.

Poucos estudos avaliaram o efeito da adição de uma terceira medicação hipoglicemiante4 quando o controle da glicemia5 não é alcançado pelo uso de metformina2 e sulfonilureias3 em diabéticos tipo 2.

Artigo de revisão, publicado pelo coordenador Jorge L. Gross, PhD, do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e colaboradores, teve como objetivo comparar a eficácia da adição de uma terceira medicação, envolvendo a comparação entre diferentes classes de hipoglicemiantes6, no tratamento de pacientes com diabetes tipo 21 inadequadamente controlados com metformina2 e sulfonilureias3.

As opções para a inclusão de um terceiro agente hipoglicemiante4, quando já são usados metformina2 e sulfonilureias3  incluem: insulina7, inibidores de alfa-glicosidase (acarbose8), tiazolidinedionas, agonistas do GLP-1 (glucagon9-like peptide 1) e inibidores da dipeptidil peptidase-4.

Os investigadores revisaram artigos do Medline, EMBASE, Cochrane Library, Lilacs e bases de dados eletrônicos do ClinicalTrials.gov para fazer tal análise. Duração mínima de 24 semanas de tratamento, ter pelo menos 18 anos de idade e apresentar nível de hemoglobina10 A1c11 (HbA1c12) superior a 7,0%, apesar do tratamento com uma combinação de metformina2 e sulfonilureia foram alguns dos critérios de inclusão.

Avaliou-se a mudança no nível de HbA1c12, as alterações de peso e a frequência de hipoglicemia13 severa.

A meta-análise incluiu 18 ensaios clínicos14 com duração média de 31,3 semanas (intervalo de 24-52 semanas), envolvendo um total de 4.535 participantes. Comparado com placebo15, a redução do nível de HbA1c12 foi semelhante para todas as classes de drogas estudadas.

As insulinas e as tiazolidinedionas estavam associadas ao ganho de peso e os agonistas do GLP-1 foram associados à perda de peso. Comparadas aos hipoglicemiantes6 não insulínicos, as insulinas mostraram o dobro do número absoluto de episódios graves de hipoglicemia13.

As limitações desta meta-análise incluem a curta duração e a variação da qualidade metodológica dos estudos revisados.

"Não há um benefício claro estabelecido entre as diferentes classes de medicamentos, quando um terceiro agente é adicionado ao tratamento de pacientes com diabetes tipo 21 que já estão recebendo metformina2 e sulfonilureias3," concluem os autores do estudo. "A opção mais adequada deve depender das características clínicas de cada paciente."

Fonte: Annals of Internal Medicine, de 17 de maio de 2011

NEWS.MED.BR, 2011. Diabetes: hipoglicemiantes são semelhantes na eficácia quando um regime de três medicações precisa ser usado, de acordo com revisão publicada no Annals of Internal Medicine. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/182795/diabetes-hipoglicemiantes-sao-semelhantes-na-eficacia-quando-um-regime-de-tres-medicacoes-precisa-ser-usado-de-acordo-com-revisao-publicada-no-annals-of-internal-medicine.htm>. Acesso em: 22 out. 2019.

Complementos

1 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
2 Metformina: Medicamento para uso oral no tratamento do diabetes tipo 2. Reduz a glicemia por reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado e ajudando o corpo a responder melhor à insulina produzida pelo pâncreas. Pertence à classe das biguanidas.
3 Sulfoniluréias: Classe de medicamentos orais para tratar o diabetes tipo 2 que reduz a glicemia por ajudar o pâncreas a fabricar mais insulina e o organismo a usar melhor a insulina produzida.
4 Hipoglicemiante: Medicamento que contribui para manter a glicose sangüínea dentro dos limites normais, sendo capaz de diminuir níveis de glicose previamente elevados.
5 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
6 Hipoglicemiantes: Medicamentos que contribuem para manter a glicose sangüínea dentro dos limites normais, sendo capazes de diminuir níveis de glicose previamente elevados.
7 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
8 Acarbose: Medicamento hipoglicemiante de uso oral para tratamento do diabetes tipo 2. Ele bloqueia a enzima alfa glicosidase que digere o amido dos alimentos. O resultado é uma redução do aumento do açúcar no sangue durante todo o dia, especialmente após as refeições.
9 Glucagon: Hormônio produzido pelas células-alfa do pâncreas. Ele aumenta a glicose sangüínea. Uma forma injetável de glucagon, disponível por prescrição médica, pode ser usada no tratamento da hipoglicemia severa.
10 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
11 A1C: O exame da Hemoglobina Glicada (A1C) ou Hemoglobina Glicosilada é um teste laboratorial de grande importância na avaliação do controle do diabetes. Ele mostra o comportamento da glicemia em um período anterior ao teste de 60 a 90 dias, possibilitando verificar se o controle glicêmico foi efetivo neste período. Isso ocorre porque durante os últimos 90 dias a hemoglobina vai incorporando glicose em função da concentração que existe no sangue. Caso as taxas de glicose apresentem níveis elevados no período, haverá um aumento da hemoglobina glicada. O valor de A1C mantido abaixo de 7% promove proteção contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do diabetes (retinopatia, nefropatia e neuropatia).
12 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
13 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
14 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
15 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
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