Pacientes que interromperam o uso de GLP-1 apresentaram maior ganho de peso e mais complicações durante a gravidez
Em um estudo liderado por pesquisadores do Mass General Brigham, gestantes que interromperam o uso de medicamentos populares para perda de peso à base de GLP-1 antes ou no início da gravidez1 tenderam a ganhar mais peso e a apresentar maiores riscos de diabetes2 e distúrbios hipertensivos durante a gestação, além de terem maior probabilidade de parto prematuro do que mulheres que nunca haviam utilizado esses medicamentos. Os resultados foram publicados no JAMA.
“O uso de agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon3 (GLP-1RAs) aumentou drasticamente, mas as recomendações sugerem a sua suspensão antes da gravidez1, pois não há informações suficientes sobre a segurança desses medicamentos para os bebês4 em gestação”, afirmou a autora principal, Dra. Jacqueline Maya, endocrinologista5 pediátrica do Mass General Brigham for Children. “Buscamos avaliar como essa suspensão afeta o ganho de peso e os desfechos durante a gravidez1.”
Para o estudo, a equipe analisou registros eletrônicos de saúde6 de 1.792 gestações que ocorreram no sistema de saúde6 Mass General Brigham entre 2016 e 2025, principalmente entre mulheres com obesidade7. Cada mulher que recebeu prescrição de um GLP-1RA nos três anos anteriores e até 90 dias após a concepção8 foi comparada a três gestações semelhantes em que a mãe não utilizou GLP-1RAs.
Mulheres que interromperam o uso de GLP-1RAs antes ou no início da gravidez1 ganharam, em média, 3,3 kg a mais durante a gestação do que aquelas que não utilizaram os medicamentos para perda de peso. O grupo que utilizou GLP-1RA também apresentou um risco 32% maior de ganho de peso excessivo (ganho de peso superior ao recomendado), um risco 30% maior de diabetes gestacional9, um risco 29% maior de distúrbios hipertensivos durante a gravidez1 e um risco 34% maior de parto prematuro. Não houve diferenças no risco de peso ao nascer grande ou pequeno para a idade gestacional, comprimento ao nascer ou parto cesáreo.
“São necessários estudos adicionais sobre o equilíbrio entre os benefícios dos GLP-1 antes da gravidez1 e os riscos associados à sua interrupção durante a gestação”, afirmou a autora sênior10 Camille E. Powe, MD, endocrinologista5 do Mass General Brigham e co-diretora do Programa de Diabetes2 na Gravidez1 do Massachusetts General Hospital. “Precisamos de mais pesquisas para encontrar maneiras de ajudar a controlar o ganho de peso e reduzir os riscos durante a gravidez1 ao interromper o uso de medicamentos GLP-1.”
Leia sobre "Como os agonistas GLP-1 estão redefinindo a prática clínica" e "Quais medicamentos podem ou não ser tomados durante a gravidez1".
No artigo publicado os pesquisadores relatam que os agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon3 (GLP-1RAs) são contraindicados na gravidez1. A interrupção do uso de GLP-1RAs próximo ao período gestacional poderia afetar o ganho de peso gestacional e os resultados da gravidez1.
O objetivo do estudo, portanto, foi comparar o ganho de peso gestacional e os resultados da gravidez1 com e sem exposição a GLP-1RAs antes ou durante o início da gravidez1.
Foi realizado um estudo de coorte11 retrospectivo12 com 149.790 gestações únicas com partos ocorridos entre 1º de junho de 2016 e 31 de março de 2025, em um único sistema acadêmico de saúde6.
A exposição do estudo foi uma prescrição de GLP-1RA entre 3 anos antes e 90 dias após a concepção8, com pareamento por escore de propensão de cada gestação exposta a 3 gestações não expostas.
O desfecho primário foi o ganho de peso gestacional. Os desfechos secundários foram ganho de peso gestacional excessivo, peso ao nascer grande e pequeno para a idade gestacional, percentil de peso ao nascer para idade gestacional e sexo, comprimento ao nascer, parto prematuro, parto cesáreo, diabetes gestacional9 e distúrbios hipertensivos da gravidez1.
Entre 149.790 gestações durante o período do estudo, 1.792 (448 expostas e 1.344 não expostas) foram pareadas para a análise primária. As gestações expostas apresentaram idade materna média de 34,0 anos (DP, 4,7 anos) e índice de massa corporal13 pré-gestacional de 36,1 (DP, 6,5); 378 de 448 (84%) apresentavam obesidade7 e 104 de 448 (23%) tinham diabetes2 pré-existente; 136 (30%) eram hispânicas, 49 (11%) eram negras não hispânicas e 223 (50%) eram brancas não hispânicas; e 43 (10%) tinham seguro de saúde6 público.
As gestações expostas a GLP-1RA apresentaram maior ganho de peso gestacional (média de 13,7 kg [DP, 9,2]) do que as gestações não expostas pareadas por escore de propensão (média de 10,5 kg [DP, 8,0]), uma diferença de 3,3 kg (IC 95%, 2,3-4,2; P <0,001).
O grupo exposto a GLP-1RA apresentou maior risco de ganho de peso gestacional excessivo (65% vs 49%; razão de risco [RR], 1,32; IC 95%, 1,19-1,47), maior percentil médio de peso ao nascer (58,4% vs 54,8%; diferença, 3,6%; IC 95%, 0,2%-6,9%) e maior risco de parto prematuro (17% vs 13%; RR, 1,34; IC 95%, 1,06-1,69), diabetes gestacional9 (20% vs 15%; RR, 1,30; IC 95%, 1,01-1,68) e distúrbios hipertensivos da gravidez1 (46% vs 36%; RR, 1,29; IC 95%, 1,12-1,49).
Não houve diferença no comprimento ao nascer, no risco de peso ao nascer grande ou pequeno para a idade gestacional ou no parto cesáreo.
O estudo concluiu que, em uma coorte14 composta principalmente por mulheres com obesidade7, o uso de GLP-1RA com subsequente descontinuação antes da gravidez1 ou no início da gravidez1 foi associado a maior ganho de peso gestacional e maior risco de parto prematuro, diabetes gestacional9 e distúrbios hipertensivos da gravidez1.
Veja também sobre "Gravidez1 de risco", "Peso normal de um bebê durante a gestação", "Diabetes gestacional9" e "Hipertensão15 da gravidez1".
Fontes:
JAMA, publicação em 24 de novembro de 2025.
Mass General Brigham, notícia publicada em 24 de novembro de 2025.










